sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Enfim, o acordo Mercosul-UE será assinado. Por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

O acordo é um contraponto à iniciativa individualista e protecionista de Donald Trump com seu tarifaço

Depois de 25 anos de tratativas, vamos ver se a assinatura virá mesmo. E mesmo com ela há um caminho a percorrer antes de entrar em vigor. Em particular, precisa ser aprovado pelos parlamentos dos diversos países, e na Europa, a França tem se destacado na posição contrária, conforme defendida pelo presidente Macron. Mas esperase que seja aprovado pela maioria. Isso será suficiente.

Sobre o assunto, o português António Costa, presidente do Conselho Europeu, deu uma interessante entrevista a este jornal, publicada em 13/1 (B6), na qual respondeu a inteligentes perguntas da repórter Célia Froufe. Costa, diplomaticamente, não fez referências a Donald Trump, mas ressaltou que o acordo veio num bom momento, pois traz uma mensagem em favor do multilateralismo, do livre comércio e do diálogo ante o unilateralismo e suas tensões, como no caso do tarifaço imposto pelo presidente Trump – digo eu.

Comércio exterior do Brasil: resultados históricos e ótimas perspectivas. Por Geraldo Alckmin

Folha de S. Paulo

Acordo Mercosul-UE será o maior do mundo, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB

Brasil pode avançar quando combina empresas competitivas, expande produtividade e celebra acordos que abrem mercados

Após um 2025 de recordes para o comércio exterior do Brasil, iniciamos 2026 com ótimas notícias. O acordo Mercosul-União Europeiaaprovado pelo Conselho do bloco europeu, será finalmente assinado. Este será o maior acordo do mundo entre blocos comerciais, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB e gerando inúmeras oportunidades para o Brasil. A orientação do Governo brasileiro prevaleceu e as alterações mais recentes, fruto de negociações, aprimoraram o acordo em defesa dos interesses do Mercosul.

Quem vai falar com Toffoli? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Encontro juntou cúpula do governo, PF, Banco Central, PGR e Alexandre de Moraes, do STF

Dias Toffoli altera várias vezes decisão sobre análise de dados colhidos pela PF no caso Master

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez nesta quinta-feira reunião para tratar de combate ao crime organizado. Oficialmente, o objetivo do encontro seria o de pensar modos de azeitar a coordenação entre Receita FederalPolícia FederalBanco Central, Ministério da Justiça, Procuradoria-Geral da República, Justiça etc.

Na área de segurança, uma iniciativa de Lula 3 que tem dado certo, talvez a única, é o programa de asfixiar as finanças dos criminosos, ainda no início, mas que também já expôs a Reaggestora de fundos e rolos, do PCC ao Master. Uma iniciativa da Fazenda, aliás. Fernando Haddad estava na reunião.

Prisão de Bolsonaro deixou esquerda e direita sem foco. Por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Há no ar uma nostalgia da polarização épica, que cedeu terreno para temas ocasionais e dispersão dos dois lados

À espera da eleição, esquerda erra sobre Irã e jornalismo, enquanto bolsonaristas atacam 'O Agente Secreto'

Como se sabe, a prisão de Jair Bolsonaro foi o ponto culminante da polarização entre esquerda e direita que se seguiu à eleição de Lula em 2022. Os sinais de uma trama golpista, que se avolumaram e ganharam mais evidência com a barbárie do 8/1, foram alvo da Polícia Federal, com posterior denúncia da Procuradoria-Geral da República e julgamento do Supremo Tribunal Federal.

Foram anos de enfrentamento em todas as frentes políticas, com acirrada guerra de posições nas redes sociais, na mídia e nas ruas. Não preciso rememorar aqui, todos assistimos ao show.

STF deveria fugir até do logotipo do Master. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Inquérito de fraudes bilionárias do banco se tornou uma batata quente

Corte poderia reduzir desgaste devolvendo caso à primeira instância

caso Master virou uma batata quente para o STF. O melhor caminho para a corte se livrar da encrenca seria devolver o inquérito para a primeira instância.

O motivo pelo qual a investigação tramita no Supremo é, afinal, fragilíssimo: o material apreendido pela Polícia Federal traz documentos relativos a um negócio imobiliário jamais concluído em que o deputado João Carlos Bacelar (PL-BA) figura como parte. Não há, por ora, sinais de que o parlamentar esteja envolvido em malfeitorias e, se no futuro descobrirmos que está, seria viável desmembrar o processo e remeter ao STF só as acusações atinentes ao deputado.

O precipitado descarte de Tarcísio. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governador de São Paulo bem avaliado é ativo eleitoral a ser valorizado sob quaisquer circunstâncias

Com Bolsonaro preso, Eduardo cassado e Flávio rejeitado, o clã do ex-presidente não está em situação confortável

Alguma coisa não está batendo bem nesse descarte de Tarcísio de Freitas (Republicanos) como candidato à Presidência.

O movimento parte dos filhos de Jair Bolsonaro (PL), não tem o apoio de Michelle e é encampado pelo presidente do PP, mas dos outros partidos de oposição não se ouviu até agora um pio a respeito.

Oh, não, mais uma coluna sobre Bolsonaro! Por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Impossível esquecê-lo; não há dia em que não se queixe de alguma coisa

Ler e comentar livros para diminuir a pena, só se for oralmente, para que ninguém leia e comente por ele

Não, não é você que está dizendo. Sou eu mesmo. Sei muito bem que prometi nunca mais escrever sobre Bolsonaro depois que ele fosse preso. Mas, enquanto não se esgotarem as possibilidades de recursos e sua sentença não passar em julgado, Bolsonaro não estará tecnicamente preso. Neste momento, cumpre apenas prisão preventiva numa suíte de 12 metros quadrados na Polícia Federal de Brasília —poderia estar fazendo isso em casa se não tivesse tentado arrancar a tornozeleira e fugir para Buenos Aires, onde seu colega Milei garantiu-lhe asilo no armário de vassouras da Casa Rosada. Portanto, mesmo a contragosto, ainda estou sujeito a conspurcar esse espaço com seu nome.

La derecha abusa impúdicamente de la mentira como estrategia política. By Fernando de la Cuadra

Clarin (Chile)

Hace algunos años atrás, alertábamos sobre el uso y abuso de la mentira en la política que realiza la derecha y, especialmente, la ultraderecha (La mentira como forma de acción política). Podríamos hacer un largo inventario de mentiras que se han difundido en este último periodo por parte de los representantes de la extrema derecha en Brasil y en el mundo. En efecto, la versión conservadora radical de la derecha ha venido utilizando la mentira no solo para engañar a los ciudadanos y electores, sino que sobre todo lo ha hecho con la finalidad de perturbar los hechos, construir una realidad paralela y desarticular a los adversarios.

Tal como nos advierte el sociólogo brasileño Jessé Souza en su libro El pobre de derecha, “la mentira es un arma de guerra utilizada no solamente contra el enemigo de ocasión, sino con la finalidad de adolecer a la sociedad como un todo, llevándola a un estado de guerra latente y así quebrar todos los acuerdos morales implícitos sobre los cuales se apoya la vida social”. No se trataría en este caso de un simple recurso marginal, sino de una técnica sistemática de dominación simbólica.

Opinião do dia - Giuseppe Vacca*

“Para falar sobre nós, os pontos salientes da análise podem ser sintetizados do seguinte modo: a convicção de que se produzira uma mudança radical nos processos de formação da subjetividade, cujo traço principal era a “mundialização”; a percepção de que os Estados Unidos se encaminhavam para a derrota no Vietnã, o que iria produzir uma crise da sua hegemonia; a convicção de que, consumada a ruptura definitiva entre a URSS e a China, a repressão da “Primavera de Praga” marcava o fim de qualquer possibilidade residual para o comunismo soviético de exercer uma atração mundial e uma função internacional progressista.

Numa escala menor, com a qual se media nossa ação, os dados salientes foram as posições que o PCI assumiu quanto ao movimento estudantil e à intervenção soviética na Tcheco-Eslováquia. Quanto ao movimento estudantil de 1968, o PCI assumiu uma posição de abertura, afirmando querer unir lutas de classe e movimentos antiautoritários na perspectiva de uma transformação socialista original, baseada na difusão da política e na expansão progressiva da democracia articulada pelo reconhecimento da autonomia dos movimentos coletivos e da sua subjetividade política.”

*Giuseppe Vacca, Por um novo reformismo, p.35. Fundação Astrojildo Pereira / Contraponto, 2009.

 

Poesia | Façam Silêncio, de Pablo Nerud

 

Alceu Valença - Hino do Galo da Madrugada (José Mário Chaves)