terça-feira, 13 de janeiro de 2026

Procura-se um candidato. Por Rubens Barbosa

O Estado de S. Paulo

Não haverá saída e recuperação sem medidas estruturais de médio e longo prazo

O Brasil enfrenta uma situação interna de extrema complexidade. A disfuncionalidade do sistema político afeta a governança e o equilíbrio entre os Três Poderes. Não haverá saída e recuperação sem medidas estruturais de médio e longo prazo. O programa mínimo que a seriedade da crise atual exige é passar o Brasil a limpo e mudar o que tem de ser mudado dentro dos princípios democráticos.

Não se pode ignorar que tudo o que ocorre hoje é resultado de 20 anos de governos de esquerda e de direita que, pelas suas prioridades ideológicas, não levaram em conta as mudanças internas e as transformações globais e seus impactos sobre o País. A ausência de liderança no Executivo, no Legislativo, no Judiciário, no meio empresarial e no meio dos trabalhadores agrava o quadro nacional e exige de todos os que se preocupam com o futuro do Brasil um esforço para promover um debate sobre as mudanças que a sociedade brasileira terá de enfrentar para restaurar o crescimento em nível mais elevado, aumentar o emprego de forma sustentável, combater a corrupção sistêmica e a violência do crime organizado.

Trump contra o mundo. Por Jorge J. Okubaro

O Estado de S. Paulo

Trump reforça o isolamento dos Estados Unidos. O país está fora da mesa em que o mundo discute seus grandes dramas

Trump não conseguirá destruir o mundo para cumprir sua promessa de fazer os Estados Unidos grandes novamente – Make America Great Again (Maga), seu lema de campanha –, que encantou certos políticos daqui). É o que esperam bilhões de pessoas que habitam o planeta. Mas Trump está destruindo as instituições que o mundo conseguiu erigir nas últimas décadas para estabelecer um complexo de relações e compromissos por meio do qual os países conseguem debater problemas comuns, encontrar soluções e preservar relações de convivência entre si, cada um cedendo ou ganhando para ficar em paz com os demais. Há esperanças de que, em algum tempo, suas decisões sejam revistas por pessoas mais sensatas que venham a sucedê-lo no cargo. No momento, o mundo perde.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Protestos no Irã alimentam esperança

Por O Globo

Aiatolás voltam a reprimir oposição com violência, mas padecem de fraquezas internas e externas

Não é a primeira vez que a teocracia iraniana é convulsionada por protestos populares. Em 2009, manifestações estudantis contestaram por meses o resultado de eleições, na mobilização conhecida como Movimento Verde. Em 2012, 2017, 2018 e 2019, crises resultantes de alta do câmbio, dos combustíveis e outros fatores econômicos levaram multidões às ruas de Teerã. Em 2021, regiões do interior foram sacudidas em razão da falta de água. Em 2022, a morte da jovem Mahsa Amini pela “polícia da moralidade” desencadeou uma rebelião em defesa do direito de mulheres e minorias. Há duas semanas, novas manifestações eclodiram a partir da revolta de pequenos comerciantes com o naufrágio do rial, a moeda iraniana. Todos esses protestos despertaram a mesma reação do regime dos aiatolás: repressão violenta, centenas de mortos, milhares de detidos e torturados nas masmorras. E a teocracia se manteve no poder, praticamente intacta.

Para os homens do século 21, é muito melhor ser uma vítima do que ser um herói. Por João Pereira Coutinho

Folha de S. Paulo

Os que sofrem merecem empatia, mas não são heróis

A dor nem sempre atesta a superioridade moral do sujeito

Aconteceu em 2015. Pela primeira vez na história da França, um presidente, François Hollande, considerou conceder a Legião de Honra —a mais alta condecoração da República, destinada a celebrar feitos valorosos de militares ou civis— às vítimas do atentado terrorista no teatro Bataclan, em Paris.

À primeira vista, a decisão poderia passar sem grande repercussão. Se existe fenômeno que define o nosso tempo é a elevação da vítima a um lugar cimeiro na imaginação moral dos contemporâneos.

Ainda assim, a repercussão veio —e Hollande recuou, optando por criar uma Medalha Nacional de Reconhecimento das Vítimas do Terrorismo. Fim da história?

O ópio do povo. Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Embora Marx tenha feito crítica forte à religião, esquerda nunca foi muito consistente em condenar regimes teocráticos

Antiamericanismo é parte da explicação, mas também existe um vínculo metafísico que passa pela crença em utopias

Não sei se dá para dizer que a esquerda apoia a teocracia iraniana, mas me parece seguro afirmar que ela é, de um modo geral, econômica na crítica aos aiatolás. Uma boa medida disso é Lula. Ele é um esquerdista ultralight, mas que não perde oportunidades de alinhar-se a Teerã.

Brasil se encolhe na liderança da América Latina. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O presidente condena ação de Trump na Venezuela, mas não assume a defesa pela restauração da democracia

Ambiguidade faz Lula perder a chance de marcar mandato com papel relevante no cenário internacional

O presidente Luiz Inácio da Silva (PT) tem falado ao telefone com mandatários das Américas e, ao que informa o serviço de comunicação do Palácio do Planalto, os assuntos são a Venezuela e o acordo Mercosul-União Europeia. Até aí, temos o óbvio, dada a atualidade dos temas.

Enrolado com o Master, Cláudio Castro foge do Palácio Guanabara. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Governador teme que desastre fiscal atrapalhe eleição ao Senado

Sua candidatura, porém, ainda depende de absolvição no TSE

Cláudio Castro fez três pedidos ao gênio da lâmpada. A urgência é escapar da condenação por abuso de poder político e econômico nas eleições de 2022. A ação no TSE teve início em novembro, dias depois da chacina nos complexos do Alemão e da Penha. A relatora Isabel Gallotti votou pela cassação e inelegibilidade. O ministro Antônio Carlos Ferreira pediu vista, e a expectativa é que o processo seja retomado em fevereiro.

Bondi Beach e o massacre. Por Marcus Cremonese*

Neste 14 de janeiro faz exatos 30 dias do atentado antissemita ocorrido em Bondi, praia ícone de Sydney, na Austrália. O mundo ficou chocado com esse massacre que é tido como o maior “atentado terrorista” já acontecido neste país.

Uma semana depois, em 21 de dezembro, a mesma praia e os gramados adjacentes foram o cenário de uma manifestação vibrante de unidade, de reflexão e de respeito mútuo. Nesse dia, cerca de 16.000 pessoas ali se reuniram numa celebração de luto, o “National Day of Reflexion”. Dela participaram o primeiro-ministro, senadores, deputados federais e estaduais e diversas autoridades entre elas rabinos, imãs, padres, pastores e líderes muçulmanos.

Opinião do dia - Giuseppe Vacca

"Para Pasquino, a passagem do velho ao novo “reformismo” consistiria em promover, mais do que coalizões segundo interesses, coalizões segundo valores. Entre estes, como vimos, indica o ambiente, o direito à informação, a paz, associando-os à complementação da democracia política com a democracia social e à penetração da “cultura dos serviços” nos aparelhos da administração pública. São os novos “desafios” que a esquerda tem diante de si. Mas todos – uns mais, outros menos – pressupõem a possibilidade de desenvolver uma eficaz ação política supranacional. Não só as políticas de ambiente, paz e informação (que não poderiam ser implementadas sem a iniciativa pactuada dos países europeus e sem a ação que a Europa unida poderia desenvolver no cenário mundial), mas também o desenvolvimento da democracia econômica e da democracia social (que implicam o controle sobre a acumulação e a inovação, decididas de modo cada vez mais direto por “potências” econômicas supranacionais) e a reorientação dos aparelhos da administração pública e dos serviços requerem a unificação dos mecanismos de regulação em escala europeia e a superação dos modelos burocráticos herdados do Estado nacional."

*Giuseppe Vacca, ‘Por um novo reformismo”. Pág. 92. Fundação Astrojildo Pereira/Contraponto, 2009.

 

Poesia | Tática e Estratégia, de Mario Benedett

 

Música | Chico Buarque e Djavan: Samba do Grande Amor + A Rosa