sexta-feira, 16 de janeiro de 2026

Comércio exterior do Brasil: resultados históricos e ótimas perspectivas. Por Geraldo Alckmin

Folha de S. Paulo

Acordo Mercosul-UE será o maior do mundo, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB

Brasil pode avançar quando combina empresas competitivas, expande produtividade e celebra acordos que abrem mercados

Após um 2025 de recordes para o comércio exterior do Brasil, iniciamos 2026 com ótimas notícias. O acordo Mercosul-União Europeiaaprovado pelo Conselho do bloco europeu, será finalmente assinado. Este será o maior acordo do mundo entre blocos comerciais, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB e gerando inúmeras oportunidades para o Brasil. A orientação do Governo brasileiro prevaleceu e as alterações mais recentes, fruto de negociações, aprimoraram o acordo em defesa dos interesses do Mercosul.

Essas boas perspectivas se somam a resultados positivos alcançados em 2025, a despeito das conhecidas turbulências no cenário internacional. O comércio exterior brasileiro alcançou resultados históricos. Nunca o Brasil exportou tanto quanto em 2025. Nunca a corrente de comércio do país foi tão elevada. Em um ambiente global de incertezas, o desempenho chama atenção não apenas pelos números, mas pelo contexto em que foi alcançado.

As exportações brasileiras cresceram 3,5% em relação a 2024, atingindo US$ 348,7 bilhões, valor que supera em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em 2023. Mais expressivo ainda foi o crescimento em volume: 5,7%, percentual muito superior à previsão de 2,4% da OMC (Organização Mundial do Comércio) para o aumento do comércio mundial em quantidade. Em outras palavras, o Brasil cresceu mais que o dobro da média global.

O ano de 2025 foi marcado por outros resultados emblemáticos. Houve recordes de exportações para Canadá, Índia, Turquia, ParaguaiUruguai, Bangladesh, Filipinas, Suíça, Panamá e Noruega. As vendas para a China alcançaram US$ 100 bilhões, consolidando o país como principal destino das exportações brasileiras.

Nada disso ocorreu em um ambiente favorável. As relações comerciais com os Estados Unidos atravessaram um período particularmente desafiador. Sob o comando do presidente Lula, o Brasil optou por defender sua soberania, o caminho do diálogo para enfrentar barreiras e preservar a relação entre as duas maiores economias do continente. O desempenho exitoso do Brasil é reconhecido internacionalmente.

Para compensar perdas na exportação para os Estados Unidos, o governo do presidente Lula lançou o Plano Brasil Soberano, com linhas de crédito para empresas que enfrentavam dificuldades em colocar seus produtos no mercado norteamericano.

No ano marcado pelo tarifaço, as exportações brasileiras para os EUA recuaram 6,6%, mas já em dezembro —com a exclusão de mais produtos das tarifas adicionais— observou-se clara redução no ritmo de queda das vendas. Há trabalho a ser feito, mas avançamos na direção correta.

O saldo comercial de 2025 foi o terceiro maior da história, atrás apenas dos resultados excepcionais de 2023 e 2024, neste mesmo Governo. Nosso superávit atingiu US$ 68,3 bilhões, contribuindo de forma relevante para as contas externas. As importações também bateram recorde, somando US$ 280,4 bilhões, impulsionadas sobretudo por bens de capital, sinal de investimento produtivo e fortalecimento da capacidade econômica do país.

Em um mundo marcado por mudanças abruptas na política comercial, aumento de tensões geopolíticas e maior imprevisibilidade, os resultados de 2025 revelam alguns pontos essenciais: a resiliência das empresas exportadoras brasileiras, o impulso da Nova Indústria Brasil ao setor, a participação do BNDES na liberação de créditos e o esforço da APEX de colocar nossos produtos no exterior, sem contar com a participação do Itamaraty e do Ministério da Agricultura, que conseguiu abrir 500 novos mercados.

Os recordes de 2025 e as perspectivas para 2026 deixam uma lição clara. Mesmo em um mundo mais incerto, o Brasil pode avançar quando combina empresas competitivas, expande a sua produtividade e celebra acordos que abrem mercados, graças a um Estado que facilita a vida de quem produz e exporta.

 

 

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