Folha de S. Paulo
Acordo Mercosul-UE será o maior do mundo,
aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB
Brasil pode avançar quando combina empresas
competitivas, expande produtividade e celebra acordos que abrem mercados
Após um 2025 de recordes para o comércio exterior do Brasil, iniciamos 2026 com ótimas notícias. O acordo Mercosul-União Europeia, aprovado pelo Conselho do bloco europeu, será finalmente assinado. Este será o maior acordo do mundo entre blocos comerciais, aproximando países que somam cerca de US$ 22 trilhões em PIB e gerando inúmeras oportunidades para o Brasil. A orientação do Governo brasileiro prevaleceu e as alterações mais recentes, fruto de negociações, aprimoraram o acordo em defesa dos interesses do Mercosul.
Essas boas perspectivas se somam a resultados
positivos alcançados em 2025, a despeito das conhecidas turbulências no cenário
internacional. O comércio
exterior brasileiro alcançou resultados históricos. Nunca
o Brasil
exportou tanto quanto em 2025. Nunca a corrente de comércio do
país foi tão elevada. Em um ambiente global de incertezas, o desempenho chama
atenção não apenas pelos números, mas pelo contexto em que foi alcançado.
As exportações
brasileiras cresceram 3,5% em relação a 2024, atingindo US$ 348,7
bilhões, valor que supera em US$ 9 bilhões o recorde anterior, registrado em
2023. Mais expressivo ainda foi o crescimento em volume: 5,7%, percentual muito
superior à previsão de 2,4% da OMC (Organização
Mundial do Comércio) para o aumento do comércio mundial em quantidade. Em
outras palavras, o Brasil cresceu mais que o dobro da média global.
O ano de 2025 foi marcado por outros
resultados emblemáticos. Houve recordes de exportações para Canadá, Índia,
Turquia, Paraguai, Uruguai,
Bangladesh, Filipinas, Suíça, Panamá e Noruega. As vendas para a China alcançaram
US$ 100 bilhões, consolidando o país como principal
destino das exportações brasileiras.
Nada disso ocorreu em um ambiente favorável.
As relações comerciais com os Estados
Unidos atravessaram um período particularmente desafiador. Sob
o comando do presidente Lula,
o Brasil optou por defender sua soberania, o caminho do
diálogo para enfrentar barreiras e preservar a relação entre as
duas maiores economias do continente. O desempenho exitoso do Brasil é
reconhecido internacionalmente.
Para compensar perdas na exportação para os
Estados Unidos, o governo do presidente Lula lançou o Plano Brasil Soberano,
com linhas
de crédito para empresas que enfrentavam dificuldades em
colocar seus produtos no mercado norteamericano.
No ano marcado pelo tarifaço, as exportações
brasileiras para os EUA recuaram 6,6%, mas já em dezembro —com a exclusão
de mais produtos das tarifas adicionais— observou-se clara redução
no ritmo de queda das vendas. Há trabalho a ser feito, mas avançamos na direção
correta.
O saldo
comercial de 2025 foi o terceiro maior da história, atrás
apenas dos resultados excepcionais de 2023 e 2024, neste mesmo Governo. Nosso
superávit atingiu US$ 68,3 bilhões, contribuindo de forma relevante para as
contas externas. As importações também bateram recorde, somando US$ 280,4
bilhões, impulsionadas sobretudo por bens de capital, sinal de investimento
produtivo e fortalecimento da capacidade econômica do país.
Em um mundo marcado por mudanças abruptas na
política comercial, aumento de tensões geopolíticas e maior imprevisibilidade,
os resultados de 2025 revelam alguns pontos essenciais: a resiliência das
empresas exportadoras brasileiras, o impulso da Nova Indústria Brasil ao setor,
a participação do BNDES na
liberação de créditos e o esforço da APEX de colocar nossos produtos no
exterior, sem contar com a participação do Itamaraty e
do Ministério da
Agricultura, que conseguiu abrir 500 novos mercados.
Os recordes de 2025 e as perspectivas para
2026 deixam uma lição clara. Mesmo em um mundo mais incerto, o Brasil pode
avançar quando combina empresas competitivas, expande a sua produtividade e
celebra acordos que abrem mercados, graças a um Estado que facilita a vida de
quem produz e exporta.

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