quinta-feira, 29 de janeiro de 2009

Mundo crescerá este ano 0,5%, menor taxa desde o pós-Guerra, segundo FMI

DEU EM O GLOBO

Projeção anterior era expansão de 2,2%. Para organismo, Brasil avançará 1,8%

WASHINGTON. A economia mundial vai ficar praticamente estagnada este ano, à medida que mais de US$2 trilhões de ativos podres travam o sistema financeiro, revelou ontem o Fundo Monetário Internacional (FMI), em seu relatório sobre a economia. De acordo com o documento, a economia mundial vai crescer apenas 0,5% este ano, a expansão mais fraca desde a Segunda Guerra Mundial, o que representa uma queda acentuada em relação à previsão anterior, feita em novembro, de um crescimento de 2,2%. Naquela ocasião, o FMI achava que as economias emergentes conseguiriam conter a desaceleração dos países ricos. Essa perspectiva, porém, mudou a partir do momento em que nações como Brasil, Índia, China e Rússia passaram a acusar os efeitos da crise. Na mesma comparação, a previsão de crescimento em 2009 para o Brasil caiu de 3%, em novembro, para 1,8% agora.

O FMI disse, em dois relatórios, que a crise financeira atual está restringindo o crédito para empresas e consumidores, e esta é a razão principal das dificuldades atuais da economia global. O Fundo também elevou sua estimativa de perdas totais para os bancos e outras instituições financeiras para US$2,2 trilhões, por causa das hipotecas subprime (com alto risco de inadimplência) nos EUA. Em sua previsão de outubro, esse valor era de US$1,4 trilhão.

"Uma recuperação econômica não será possível até que a funcionalidade do setor financeiro seja restaurada e os mercados de crédito, destravados", disse o Fundo em seu relatório. A instituição revelou ainda que os governos devem tomar uma série de medidas para enfrentar a crise, inclusive injetar capital para tornar viáveis as instituições e retirar os ativos podres dos bancos.

Apesar dos esforços, tais como o pacote de US$700 bilhões do governo dos EUA e outras iniciativas similares no exterior, "os riscos da instabilidade financeira se intensificaram desde outubro", apontou o relatório.

Segundo a nova estimativa, a economia americana vai encolher 1,6%, contra a previsão feita em novembro de recuo de 0,7%. Já as 16 nações da zona do euro verão uma contração de suas economias de 2%, contra apenas 0,5% previsto em novembro. No Japão, a mesma comparação mostra piora de perspectiva de -0,2% para -2,6%, agora.

Para o FMI, governos têm que agir com rapidez
"A não ser que as severas restrições e incertezas financeiras sejam resolvidas, o círculo vicioso entre a atividade real e os mercados financeiros vai se intensificar, levando a ainda mais efeitos tóxicos no crescimento global", aponta o relatório.

O presidente americano, Barack Obama, negocia um pacote de estímulo, que inclui corte de impostos e mais investimento público em infraestrutura, para tentar ajudar a maior economia do mundo, que amarga uma recessão há 13 meses, a voltar a crescer. O pacote passou ontem na Câmara, enxugado de US$825 milhões para US$819 milhões, e deve seguir para o Senado semana que vem.

O Banco Central Europeu (BCE) cortou sua taxa básica de juros em mais da metade desde o início de outubro, para 2%. Os governos também estão começando a flexibilizar suas políticas fiscais, para tentar sair da pior recessão já vivida pelo bloco desde a sua criação.

O FMI afirmou que "o processo de reestruturação pode exigir dinheiro do contribuinte. Para o Fundo, os governos devem agir com rapidez para recapitalizar os mercados e eliminar os papéis podres.

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