sábado, 31 de janeiro de 2026

O recado de Vorcaro no STF. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Para uma instituição do porte do Master, R$ 4 milhões é praticamente zero, quase uma fatura mensal do cartão de crédito do ex-banqueiro

Caixa zerado revela que o banco já não tinha a menor condição de funcionar

Banco Master tinha apenas R$ 4 milhões em caixa no dia em que o Banco Central decretou a sua liquidação. É quase uma fatura mensal do cartão de crédito de Daniel Vorcaro no pico da sua vida de ostentação e luxo, com a qual conseguiu atrair para o seu satélite autoridades e políticos.

De mãos dadas com o trambique. Por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

O nepotismo das emendas família lembra a atuação de parentes de ministros na corte

Inquérito contra Vorcaro revela conexões perigosas com deputados, senadores e magistrados

Os embates entre Executivo, Legislativo e Judiciário não vêm de hoje, basta lembrar a tentativa de golpe. Marcaram o ano de 2025, deixando a impressão de que não haverá trégua no curto prazo. Erros e excessos se avolumam, e outra batalha institucional se desenha no horizonte.

Lula e Trump, diálogo imprevisto. Por André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

Lula fará uma visita de Estado a Washington em março. Esse é o mais importante sinal de que a diplomacia brasileira está trabalhando bem para tourear Donald Trump

Há algum tempo, tenho alertado o leitor para o fato de que o candidato da oposição à Presidência da República deve ser Carlos Massa, o Ratinho Junior, governador do Paraná. Ele, com 44 anos, é muito bem avaliado em seu estado, trabalha com ideias e práticas liberais. Trata-se da alternativa natural a Tarcísio de Freitas. O Governador de São Paulo prefere se candidatar à reeleição para continuar no Palácio dos Bandeirantes. É mais fácil, mais simples e dispensa a companhia dos bolsonaros, que significam demandas, queixas, pequenas intrigas e denúncias de corrupção. Ele prefere se resguardar para 2030.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Governo finge que cumpriu a meta fiscal de 2025

Por O Globo

Déficit dentro do limite tolerado pelo arcabouço só foi possível pela exclusão de R$ 49 bilhões em gastos do cálculo

Na ficção criada e disseminada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, a gestão das contas públicas cumpre as metas fiscais estabelecidas, rumo à estabilidade da trajetória da dívida. Para o governo, o rombo de 2025 divulgado pelo Tesouro Nacional na quinta-feira, de R$ 13 bilhões, deu a sensação de dever cumprido. Pelas regras do arcabouço fiscal, o objetivo para 2025 era perseguir déficit zero, com margem de tolerância de 0,25% do PIB para mais ou para menos. Na prática, isso permitia um déficit de até R$ 32 bilhões. Na versão do governo, portanto, o resultado negativo de R$ 13 bilhões deveria ser motivo de comemoração.

O secretário do Tesouro Nacional, Rogério Ceron, disse estar satisfeito: “É o segundo ano consecutivo [de déficit] abaixo de 0,5% do PIB. Você não tem um resultado desses acumulado na década. Considero o resultado do ano muito satisfatório com todos os desafios apresentados. Não há uma piora”.

Em ano de Copa, a política fiscal vai jogar por um empate. Por Marcus Pestana

Sendo um ano em que ocorrerão eleições nacionais gerais, é de se esperar um foco da gestão fiscal no controle sintonia fina sobre as receitas e despesas previstas no Orçamento. Monitorando o comportamento das principais variáveis, contornando riscos e ameaças, perseguindo objetivos menos ambiciosos do que seria o ideal para o país, endereçando a necessária reforma fiscal para 2027.

Ou seja, nenhuma medida heroica ou radical deverá ser proposta. Nem no aumento de tributos, no corte de gastos. Até mesmo em função das dificuldades de se obter apoio parlamentar para medidas mais ousadas em ano eleitoral. O objetivo a ser perseguido é o cumprimento da meta de resultado primário prevista, utilizando os descontos legais permitidos e mirando o limite inferior da margem de tolerância, zerando o déficit primário, em 2026 depois de doze anos de sucessivos déficits.

A tragédia da base na educação. Por Cristovam Buarque

Veja

Não dá para construir uma casa sem antes ter alicerces sólidos

Na semana passada, o país se assustou ao saber que uma avaliação do MEC reprovou mais de 100 faculdades de medicina. Se os mesmos critérios fossem aplicados aos demais cursos do ensino superior, inclusive enfermagem, o número de reprovados seria ainda maior. Embora sirva de alerta, essa avaliação só produzirá resultados se for usada para compreender as origens do problema.

A falência tem sete causas principais. A primeira é a tradição de adotar o diploma universitário como título de nobreza, símbolo de status social: “doutor” substituiu conde, barão e duque. A segunda causa decorre da ideia de que, em uma República, todos têm direito ao título de nobreza. No lugar do direito a uma educação básica de máxima qualidade, optamos pela promessa de “universidade para todos” —, ignorando dezenas de milhões de analfabetos e sem ensino médio. A terceira causa é a adoção do ensino superior como prolongamento da escolaridade, para compensar o descuido com a educação de base. Para aqueles que continuaram condenados a escolas deficientes, os governos criaram mecanismos para abrir as portas das universidades.

Mão amiga. Por André Barrocal

CartaCapital

O governador Ibaneis Rocha é figura central na investigação sobre o Banco Master

Daniel Vorcaro, dono do finado Banco ­Master, esteve com o presidente Lula no Palácio do Planalto no fim de 2024, levado por Guido Mantega, ministro da Fazenda no segundo mandato do petista e, à época da reunião, consultor da instituição financeira. Buscava apresentar ao governo federal sua versão sobre o que considerava uma perseguição de rivais poderosos no sistema financeiro. Em vão. Sob a batuta de ­Gabriel ­Galípolo, indicado por Lula, o Banco Central fechou o Master em novembro passado. Ricardo Lewandowski também havia se tornado consultor de Vorcaro­ depois de deixar o Supremo Tribunal Federal em 2023. O presidente sabia do contrato ao nomeá-lo ministro da Justiça. Se o banqueiro esperava ter no ex-juiz um defensor no governo, equivocou-se. Com Lewandowski na Justiça, o mineiro foi preso pela Polícia Federal em novembro, durante a Operação Compliance ­Zero, que investiga o banco. Tanto Mantega quanto Lewandowski tornaram-se consultores do Master por sugestão do líder de Lula no Senado, Jaques Wagner, do PT da Bahia, amigo de um conterrâneo e ex-sócio de Vorcaro, Augusto Lima.

O Código do Judiciário. Por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

A democracia não vai sobreviver se o Poder Judiciário afundar sua reputação no lodaçal do narcisismo

O atual presidente do STF, ministro Edson Fachin, sugeriu a elaboração de um Código de Conduta para disciplinar o comportamento de magistrados em todas as instâncias do Poder Judiciário.

Nada mais trágico para a sociedade brasileira do que a perda de legitimidade e de reputação do Poder Judiciário. Esse poder da República resistiu bravamente às incursões do totalitarismo bolsonarista.

Há que se considerar que a regra da separação e do equilíbrio harmônico dos poderes não pode ser substituída pela autonomização dos Poderes da República, ao se apresentarem uns diante dos outros como poderes autônomos e rivais preocupados em assegurar as próprias prerrogativas. A democracia não vai sobreviver se o Poder Judiciário afundar sua ­reputação no lodaçal do narcisismo.

Ouvidos para quê? Por Maria Rita Kehl

CartaCapital  

Bolsonaro quase cumpriu a promessa de acabar com a democracia. Por que tantos brasileiros ignoraram – ou fingiram ignorar – essa ameaça?

Caros leitores, pela primeira vez uso este espaço para recomendar um livro: Arquitetura da Destruição: Um Diário da Era Bolsonaro, do Palanque à Condenação (Ed. ­Autêntica), de Bernardo Mello Franco. A obra reúne análises escritas pelo jornalista no calor dos acontecimentos e publicadas nas páginas do jornal O ­Globo. Reunidas em volume, essas colunas adquirem, como observa a historiadora Heloisa Starling no prefácio, a dimensão de um poderoso testemunho sobre a trajetória do homem que prometeu acabar com a democracia brasileira – e quase cumpriu a promessa.

Trumpismo. Por Pedro Serrano

CartaCapital

Estamos diante da ascensão de uma nova extrema-direita dotada de elevadíssimo potencial autoritário, assim como a clássica extrema-direita nazifascista, mas com novas vestes e novo instrumental

As formas de autoritarismo do século XXI possuem determinadas especificidades quando comparadas àquelas do século anterior. Ainda que identifiquemos elementos de continuidade, as manifestações dos últimos anos, por estarem diluídas na rotina democrática, tornam o tema ainda mais desafiador.

O autoritarismo deixou de ser a manifestação de um estado de exceção em sua acepção clássica para dar lugar às medidas de exceção associadas à produção fractal e líquida. Ou seja, deparamo-nos com um estado de exceção que se manifesta por medidas de exceção, não por governos de exceção. Em outras palavras, utilizamos a denominação autoritarismo líquido para falar dessa nova natureza das medidas de exceção no interior das rotinas democráticas, por se tratar de medidas fragmentadas, cirúrgicas, acionadas sob uma aparência de legalidade, o que torna sua identificação mais difícil.

O butim dos piratas. Por Jamil Chade

CartaCapital

A Casa Branca escolhe a contestada Trafigura para comercializar o petróleo “confiscado” do país caribenho

Uma empresa na Suíça envolvida em escândalos, uma conta obscura no Catar, acordos pouco transparentes e uma receita administrada integralmente pela Casa Branca. Desde o sequestro de Nicolás Maduro, um dos elementos mais delicados do novo controle dos Estados Unidos sobre a Venezuela passou a ser o destino do petróleo do país. Oficialmente, o governo de ­Donald Trump anunciou a interrupção e o confisco das vendas “clandestinas” de óleo e prometeu que, a partir de agora, as exportações do combustível iriam “beneficiar” o povo venezuelano e o norte-americano. Bravata. O que está em curso mais se parece, porém, com pirataria, com a gestão por tempo “indefinido” dos recursos da nação caribenha nas mãos do republicano, conforme as explicações do secretário de Energia dos EUA, Chris Wright.

A importância silenciosa, mas decisiva, do Presidente da República. Por Filipe Lobo d'Ávila*

Expresso(Portugal)

*Advogado, antigo vice-presidente do CDS

A história recente mostra que, em momentos de bloqueio, a intervenção presidencial foi determinante para devolver clareza ao sistema político ou, quando mal-usada, para acentuar crises democráticas. Esta magistratura de influência é um poder que exige coragem, ponderação e sobretudo exige sentido de responsabilidade

Num país habituado a olhar para o Governo como o centro da ação política, é fácil subestimar o papel do Presidente da República. No entanto, a estabilidade democrática portuguesa depende, em grande medida, da forma como o Presidente exerce os seus poderes - discretos na aparência, mas profundos no exemplo e nas consequências.

A importância do cargo não se mede pelo número de decisões diárias, mas pela capacidade de intervir nos momentos em que o país mais precisa de equilíbrio, prudência e visão institucional.

Poesia | O mundo é grande, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Beth Carvalho - Meu Lugar