quarta-feira, 21 de janeiro de 2026

Crise do Master é ‘ensaio para juízo final’. Por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Planalto avalia que terá de fazer mais concessões para aprovar indicação de Messias ao STF

O escândalo do Banco Master vai agitar ainda mais a Praça dos Três Poderes quando deputados e senadores voltarem das férias, no início de fevereiro. No Palácio do Planalto, ministros definem o impacto das investigações sobre as fraudes como “ensaio para o juízo final”, diante das conexões políticas de Daniel Vorcaro, dono do banco, com o Centrão e seus agregados.

O governo Lula avalia, agora, que terá de fazer mais concessões para que a indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, a uma cadeira no Supremo Tribunal Federal (STF) seja aprovada pelo Senado no mês que vem. Até hoje, o movimento feito pelo Planalto, a contragosto do Ministério da Fazenda, não foi suficiente.

A eleição no preço do mercado. Por Fábio Alves

O Estado de S. Paulo

O divisor de águas para uma tomada de posição do mercado sobre as eleições será o dia 4 de abril

Foi relativamente tímida a reação do mercado à primeira pesquisa de intenção de voto do ano para a eleição presidencial, divulgada na semana passada. Além de a pesquisa mostrar um cenário praticamente inalterado em relação à virada do ano, com o presidente Lula (PT) mantendo-se na liderança e o senador Flávio Bolsonaro (PLRJ) consolidando-se em segundo lugar, a maioria dos investidores ainda não mexeu na alocação das suas carteiras mirando o desfecho de quem sairá vencedor do pleito.

Apesar de Tarcísio de Freitas (Republicanos) repetir que irá concorrer à reeleição ao governo paulista e que seu candidato na chapa presidencial é Flávio, os investidores mantêm, lá no fundinho do coração, a esperança de uma reviravolta e de que o nome da direita a disputar com Lula em outubro será o de Tarcísio. Ou seja, caso isso venha mesmo a acontecer – Flávio desistindo da candidatura ou, ao menos, de ser cabeça de chapa –, os preços dos ativos devem reagir estrepitosamente à injeção de otimismo da Faria Lima.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil deve instituir prova para formado exercer a Medicina

Por O Globo

Qualidade sofrível dos cursos, exposta por exame do MEC, põe em risco saúde da população

É alarmante a qualidade dos cursos de Medicina no Brasil, como demonstrou o Exame Nacional de Avaliação da Formação Médica (Enamed). Parcela considerável dos alunos prestes a terminar o curso não tem conhecimentos mínimos para exercer a profissão. Dos 351 cursos avaliados, 107 ficaram em patamar abaixo do aceitável — menos de 60% dos alunos atingiram nível mínimo de proficiência. Dos 39 mil estudantes perto de se graduar, quase um terço não foi capaz de comprovar deter a formação básica. Em pouco tempo, estarão em postos de saúde, clínicas e hospitais sem qualquer impedimento. Diante de tal realidade, é essencial impor como condição para a prática da Medicina a aprovação numa prova nacional compulsória, em moldes semelhantes aos adotados no exame da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) para a advocacia.

Se a Europa se render de novo a Trump, mundo fica ainda mais perigoso. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Projeto de tirano dos EUA foi contido apenas quando foi peitado ou por causa de risco doméstico

China, a Rússia de Putin, começo de pânico financeiro e impopularidade maior limitaram Trump

Donald Trump 2 foi contido até agora apenas por retaliações comerciais e armas nucleares chinesas, por um início de pânico no mercado financeiro americano (no tarifaço de abril de 2025), pela indiferença cínica e pelas armas nucleares de Vladimir Putin e pelo receio de que o mau humor do eleitorado aumentasse ainda mais, por causa de preços elevados por impostos de importação desmedidos. Por falar nisso, Trump 2 é ora menos impopular que no final do primeiro ano de Trump 1.

Trump foi parcialmente contido, de resto. A cada vitória sentiu-se mais à vontade para começar outro ataque bárbaro, contra outros países ou contra os próprios cidadãos e a Constituição dos Estados Unidos.

Como sobreviver em um mundo de ameaça, chantagem e extorsão. Por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Declaração franca do premiê canadense dá a receita para os tempos presentes

Recado de Mark Carney é simples e acertado: países têm de denunciar as pressões, venham da China ou dos EUA

Em Aristóteles havia três tipos de falar político. O primeiro era o do político que dizia sempre as coisas pela metade, a quem se chamava "ironista" (em grego, "ερων" ou "eíron") num sentido diferente do que "ironia" tem hoje: o "ερων" ou "ironista" era aquele que dissimulava ou evitava dizer a verdade inteira.

Quando o povo se fartava disso, vinha o tempo do político "fanfarrão" (em grego "λαζών" ou "alazón"), ou seja, o político que exagera. Não é que ele dizia a verdade; podia até ser um mentiroso contumaz, um charlatão, um impostor. Mas como para dizer uma mentira com eficácia é preciso misturar-lhe qualquer coisa de uma verdade que não costuma ser dita, por pudor ou conveniência, o "λαζών" ou "fanfarrão" passa por ser aquela política de quem "fala muita besteira, mas diz umas verdades".

Falta uma agenda de Brasil nos discursos eleitorais. Por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Governo e oposição por enquanto estão juntos na falta de projetos de país a serem apresentados ao eleitorado

Ministros falam dos temas da campanha, mas deixam de fora as demandas por segurança e produtividade

Um dos temas que dominam as cogitações iniciais do ano eleitoral é justamente qual será o tema dominante na campanha. As pesquisas apontam a segurança pública, mas dois ministros que falaram recentemente sobre isso não incluem o assunto nos destaques.

Fernando Haddad (PT) disse ao UOL que a economia não definirá vencedor nem perdedor, ao contrário de eleições anteriores. Talvez tenha pretendido afastar sua gestão na Fazenda do escrutínio público.

Democracia é dever de casa do STF. Por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

A defesa do regime inclui rever hábitos institucionais

Caso Banco Master mostra que corte precisa impor-se limites republicanos mais estritos

Nos últimos anos, o Supremo Tribunal Federal desempenhou um papel decisivo na contenção de investidas antidemocráticas reais. Não se trata de retórica nem de gratidão automática. Executivo, bolsonarismo, setores do Legislativo, militância e influenciadores digitais, jornalismo ativista de direita e até frações das Forças Armadas testaram os limites da ordem constitucional.

STF resistiu e reagiu quando outras instituições vacilaram.

Justamente por isso, causa inquietação crescente a constatação de que hoje a defesa da democracia passa, paradoxalmente, por proteger o próprio STF de práticas e comportamentos que corroem sua autoridade republicana. Um tribunal constitucional não pode ser, ao mesmo tempo, o guardião último da democracia e o violador contumaz das regras de impessoalidade, sobriedade e contenção que estruturam o ideal republicano.

Cenário insustentável para 2026 e temerário para 2027. Por Aylê-Salassié Filgueiras Quintão *

Lula devia aproveitar essa chance que Donald Trump está lhe oferecendo de participar, em companhia de algumas personalidades mundiais, do Conselho da Paz, para discutir um entendimento entre Israel e o Hamas e a recuperação de Gaza . É uma chance concreta de entrar para a História. 

A solução saída desse Conselho terá reflexos sobre outros conflitos que estão acontecendo no mundo. Dificilmente , por aqui,alcançaria resultado igual, mesmo que o ego indique que poderá atrapalhar a sua pretensa reeleição.

Daqui há duas semanas, o Congresso Nacional retoma suas atividades, e ele não tem a maioria; o Judiciário deixará de falar monocratimente por um presidente de plantão. Os escândalos do Banco Master, do INSS, o dos Correios e , por analogia , ao Mensalão e ao Petrolão, que estão surfando no tempo , começarão a ser desenterrados e pautados na política, em praça pública, pelos carnavalescos.

Opinião do dia - Mark Carney*

"Sabíamos que a história da ordem internacional baseada em regras era parcialmente falsa. Que os mais fortes se isentariam delas quando lhes fosse conveniente. Que as regras do comércio eram aplicadas de forma assimétrica. E sabíamos que o direito internacional era invocado com graus variados de rigor, consoante a identidade do acusado ou da vítima.

Essa ficção foi útil. E a hegemonia americana, em particular, ajudou a fornecer bens públicos: rotas marítimas seguras, um sistema financeiro estável, segurança coletiva e apoio a mecanismos de resolução de disputas.

Por isso, pusemos o letreiro na janela. Participamos dos rituais. E, em grande medida, evitamos apontar as discrepâncias entre a retórica e a realidade.

Este pacto deixou de funcionar."

*O primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, durante seu discurso no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça

Poesia | Poema em linha reta, de Fernando Pessoa

 

Música | Getúlio Cavalcanti -Velho Coração