sexta-feira, 9 de janeiro de 2009

As prévias não mentem jamais

Villas-Bôas Corrêa
DEU NO JORNAL DO BRASIL


E m recado curto e direto, o governador tucano de Minas, Aécio Neves, comunica aos interessados e ao distinto público em geral que não apenas é, como todo mundo sabe, candidato à sucessão do presidente Lula, como iniciará a pré-campanha a partir de março, quando pretende viajar pelo país para discutir com as lideranças estaduais do PSDB os rumos e métodos do partido para superar as indecisões que paralisam a cúpula perdida, perdendo tempo.

O governador mostra as suas credenciais. A última pesquisa restrita ao estado carimba o recorde de 83% das intenções de voto no seu nome. No virtual desafio ao governador de São Paulo, José Serra, seu único opositor, com sólida base de apoio nas pesquisas, Aécio Neves propõe à direção do PSDB o debate para a definição de um projeto de governo a ser sustentado pelo partido e o candidato na campanha para o confronto com a proposta do candidato gover- nista, até aqui a ministra Dilma Rousseff, lançada e apoiada pelo presidente Lula.

Ora, para amaciar o consenso ­ aparando as arestas ­ sobra tempo, desde que a direção tucana defina a linha tática. E, para o xeque-mate, o governador indica as pesquisas idôneas, pois como ensina a veterana e sábia canção, os números não mentem jamais. Com os caciques tucanos desperdiçando o tempo em coisa nenhuma, soa como um grito de advertência o recado da seção mineira: não votarão em quem derrotar o governador-candidato no PSDB. Certamente que há tempo, muito tempo, para concertar os rombos no muro. Mas, quando a caranguejola começa a rolar na estrada esburacada, a experiência ensina que, quanto mais depressa, mais fácil colar os remendos.

A proposta cautelosa de transferir a decisão para as prévias, caso perdure o impasse, necessita ser articulada em complicada articulação. O governador Aécio antecipa-se: as prévias restritas ao partido ou abertas para as pesquisas nacionais devem ser consideradas pelo partido como opções democráticas.

Mas o prazo da decisão para o início de 2010, na reta final da campanha, pode ser um tiro pela culatra, aprofundando a cisão no ninho tucano. Num partido que se preza, aliados que se respeitam apostam o cacife no entendimento. E quanto mais depressa é articulada a fórmula consensual, mais fácil a sua aceitação pelo partido e seus eventuais aliados. A oposição tem que manter um olho mirando os poderosos adversários, que estão com a casa arrumada e a candidata Dilma escolhida de cima para baixo.

O presidente Lula assumiu a responsabilidade e o risco de indicar a ministra Dilma Rousseff como a candidata, com largo tempo para submeter-se ao teste das pesquisas. Atuam como parceiros do perde-ganha. Dilma ainda não avançou nas pesquisas iniciais, de simples sondagem.

Mas dedica-se em tempo integral à montagem da sua candidatura. A começar pelos cuidados com a imagem, derrubando excessos de peso com dieta severa, trocando os óculos pesados pela armação de aros finos e renovando o vestuário. E, quando não está em campanha, viajando com o presidente Lula para fiscalizar as obras do Projeto de Aceleração do Crescimento (PAC), toca a geringonça burocrática como assessora ou vice-presidente virtual.

Lula aprendeu todos os truques e manhas que sustentam a sua popularidade recordista acima dos 70%. E, enquanto mergulhava nas águas de Fernando de Noronha ou caminhava na praia da Base Naval de Salvador, marcou um gol de placa com a mágica da concessão de aposentadorias pelo INSS em meia hora. E que, sem mais nada, promete milhões de votos.

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