DEU NO JORNAL DO BRASILO gaiato ineditismo da escolha do até então desconhecido deputado federal Indio da Costa, dos Democratas do Rio de Janeiro, para vice da chapa do candidato da oposição, o tucano José Serra, ex-governador de São Paulo, não é apenas mais uma evidência da crise que desqualifica o Congresso e respinga nos partidos mas o flagrante do baixo nível regime democrático, que parece apostar com as duas décadas da ditadura militar dos cinco generais presidentes a taça da galhofa.
Muitas histórias de traições e mutretas de vices venho colecionando nos meus 60 anos de exercício como repórter político. E, para não ir mais longe, vamos recuar até a eleição de Getulio Vargas, no retorno triunfal da eleição para o mandato de 31 de janeiro de 1954. Getulio resistiu aos apelos do movimento queremista, que foi perturbá-lo no seu retiro solitário no pampa gaúcho, em São Borja.
Enquanto Danton Coelho articulava a aliança com Adhemar de Barros, governador de São Paulo e impedido de deixar o governo pelo risco de entregá-lo ao vice Noveli Junior, genro do presidente Dutra e seu desafeto, que investigaria o que não podia ser apurado. O acordo com Adhemar, com a entrega do vice, resultou na chapa vitoriosa Getulio-Café Filho. A implacável oposição da UDN com a sua equipe de grandes oradores, desaguou no crime da Rua Tonelero, com a morte do major Rubem Vaz e o ferimento de Lacerda. O vice morre de inveja do presidente. E trai com a cara mais cínica. Café Filho entendeu-se com Carlos Lacerda e propôs a renúncia dupla que Getulio não podia aceitar e o levou ao suicídio.
Na campanha de Jânio Quadros, Milton Campos foi o candidato indicado pela UDN para vice o mais completo homem público que conheci, na síntese de Carlos Castello Branco. Pois Jânio traiu Milton Campos na manobra do Jan-Jan. Um caso perfeito de dupla traição: Jânio traiu Milton Campos e Jango Goulart, candidato a vice, que traiu o marechal Teixeira Lott, companheiro de chapa.
Como repórter de O Estado de S. Paulo, cobri grande parte da campanha de Jânio. Depois de giro por Minas, o DC-3 da Varig pousou em Belo Horizonte para o desembarque de vários passageiros. Estava eu conversando com Milton quando Jânio se aproximou para a despedida. O sereno Milton Campos comunicou ao seu companheiro de chapa que não o acompanharia na próxima viagem ao Rio Grande do Sul. E justificou: A minha eleição não tem a menor importância. Importante é a sua a presidente. E não quero constrangê-lo no seu entendimento com o deputado Fernando Ferrari.
Jânio traiu Milton Campos. Elegeu-se e garantiu a eleição de Jango Goulart, com os resultados conhecidos. E a campanha política do candidato a vice de José Serra, o deputado Indio da Costa, vai animar o baile do voto.
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