O Globo
Governador de São Paulo continuará a ser
incluído em pesquisas como pré-candidato à Presidência, mas não esconde
desânimo por não ter sido ungido candidato por Bolsonaro, como ocorreu em 2022
Uma semana depois do movimento de Gilberto
Kassab para anabolizar seu PSD com mais um pré-candidato à Presidência e da
reiteração, por parte de Tarcísio de Freitas, do apoio a Flávio Bolsonaro, a
sensação entre aliados do governador de São Paulo é que, agora, ele perdeu
mesmo o último bonde para a corrida ao Planalto.
Continuará, porém, a ser incluído em pesquisas de intenção de votos, e isso fará com que permaneça a pressão por demonstrações reiteradas de lealdade a Jair Bolsonaro, algo que lhe tem causado constrangimento visível.
Auxiliares e conselheiros relatam certo
desânimo de Tarcísio com a forma como os fatos se desenrolaram entre o fim do
ano e este início de fevereiro. Depois de um flerte claro com o projeto
nacional, que envolveu conversas com o meio empresarial e político e uma
estratégia de comunicação e marketing, ele não conseguiu o que esperava: ser,
de novo, ungido candidato por Bolsonaro, como foi em 2022 ao governo paulista.
A escolha precoce do ex-presidente preso pela
própria estirpe expôs a falta de traquejo político de Tarcísio, que não
encontrou meios de argumentar com o padrinho a respeito da conveniência de sua
candidatura em detrimento do filho Flávio. Aqueles que conversaram com ele
depois da última visita a Bolsonaro, na Papudinha, dizem que, mesmo agora, ele
encontra dificuldade de tratar da montagem do jogo à própria reeleição.
Tarcísio está preocupado com a possibilidade
de a chapa ao Senado ficar com uma composição muito radical à direita. Ele se
sentiria mais confortável com pelo menos um nome de centro-direita, já que uma
das vagas deverá ser ocupada por seu ex-secretário de Segurança Guilherme
Derrite, de quem vem se afastando desde que promoveu mudanças na pasta.
A tendência é que a família Bolsonaro
pressione por um nome do PL para o Senado, tornando a chapa mais ideologizada
do que Tarcísio gostaria. Ele expôs a Bolsonaro o risco de que isso favoreça a
eleição de um nome ligado ao presidente Lula, mas não há garantia de que o
alerta será levado em conta.
Pessoas próximas a Tarcísio relatam que, além
de certo travo amargo que ficou da implosão do ensaio presidencial mesmo antes
do lançamento, ele está longe de ter o sentimento de que a reeleição será uma
barbada que dispensará maiores preocupações, a despeito do franco favoritismo
registrado nas pesquisas.
Inspira cautela no campo tarcisista,
sobretudo, a possibilidade de Lula convencer o vice-presidente e ex-governador
Geraldo Alckmin a ir para o sacrifício e disputar o Palácio dos Bandeirantes.
Mesmo desprovido de seu antigo capital eleitoral, Alckmin, que governou São
Paulo por três mandatos, poderia questionar Tarcísio quanto às marcas de sua
gestão, uma vez que a maioria das grandes obras e das vitrines do estado é herança
das gestões tucanas.
Mais: os problemas decorrentes da
privatização da Sabesp, esta, sim, uma das principais apostas da gestão
Tarcísio, deverão ser martelados pelo candidato lulista, seja ele qual for.
O antilulismo, cada vez mais forte no
interior do estado, joga a favor da recondução de Tarcísio. Lula, no entanto,
já deixou claro que tentará montar uma chapa competitiva em São Paulo, que
impulsione sua própria votação no estado de maior eleitorado da Federação.
Avançou nas conversas com Fernando Haddad, com Simone Tebet e com o próprio
Alckmin, mas nenhum deles demonstra grande entusiasmo em aceitar a “missão”.
Também no Planalto prevalece o diagnóstico de
que Tarcísio ficará mesmo preso em São Paulo. A ordem por lá é reforçar a
imagem de subserviência em relação a Bolsonaro, contra a qual ele se insurgiu
em recente entrevista.
Por tudo isso, a eleição paulista será a mais
nacionalizada do país. O irônico é que, mesmo preterido pela família Bolsonaro,
Tarcísio será fundamental para a campanha de Flávio.

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