Folha de S. Paulo
Tanto governador do Paraná quanto Caiado já prometeram
anistia aos golpistas de 2022-2023
Se bolsonarismo tivesse sido rejeitado em sua
inteireza após 8/1, centro-direita teria opção melhor
O PSD de Gilberto
Kassab anunciou que terá candidato a presidente da República.
Já que Tarcísio se mostrou covarde, o centrão foi cuidar da própria vida.
O anúncio do PSD foi feito durante a filiação de Ronaldo Caiado ao partido, e na presença de outro presidenciável, o governador gaúcho Eduardo Leite. Mas o candidato mais provável é o governador do Paraná, Ratinho Jr..
Um candidato da direita democrática, a essa
altura, seria uma ótima notícia. Mas se é isso que o PSD quer oferecer ao
eleitorado em 2026, o início não foi promissor.
Tanto Ratinho Jr. quanto Caiado já prometeram
anistia aos golpistas de 2022-2023. Ambos criticaram Lula por
não ceder a Trump durante o tarifaço. Se estão agora fazendo um movimento de
volta ao centro, é porque a extrema direita os rejeitou.
Se o candidato da direita moderada também
defende soltar da cadeia os golpistas que tentaram me colocar no pau-de-arara,
perdoem minha falta de entusiasmo.
Dos presidenciáveis do PSD, só um teve
coragem de se posicionar contra a anistia, e, de fato, defendeu posições
centristas nos últimos anos: Eduardo Leite, governador do Rio Grande do Sul.
Leite nunca esteve exatamente nas trincheiras
contra o golpismo, mas não apoia a anistia nem o resto do pacote extremista.
Caso se lance à Presidência nesses termos, poderá legitimamente ser chamado de
candidato de centro-direita, de direita moderada, de qualquer coisa desse tipo.
Supondo, é claro, que não desperdice isso tudo apoiando Flávio no segundo
turno.
De qualquer modo, uma nova candidatura de
direita cria problemas para Flávio
Bolsonaro. Afinal, seu único argumento até agora é "papai matou
Tarcísio, só sobrei eu".
Por exemplo, até agora, Flavinho não
encontrou um economista relevante que aceite desempenhar o papel de "Posto
Ipiranga" que Guedes desempenhou na candidatura de seu pai. Até aí, nada:
a lenda de que Paulo Guedes era um grande economista é uma construção posterior
à adesão da elite econômica ao bolsonarismo. Nenhuma lista dos 50, suspeito que
dos 100, provavelmente dos 500 maiores economistas brasileiros incluiria seu
nome antes de 2018.
Mesmo assim, a adesão de um economista
alfabetizado ajudaria Flávio. E é difícil que algum deles o faça sem poder
recorrer ao argumento "é esta porcaria aqui ou o Lula".
De qualquer forma, essa centro-direita
improvisada seis meses antes da eleição só foi necessária porque a direita
passou os últimos três anos apostando em uma estratégia que fracassou: tentar
moderar o bolsonarismo.
Isso nunca foi possível, porque o membro mais
radical do bolsonarismo é o próprio Jair. Mas a direita também sabotou
escandalosamente sua própria estratégia. Manteve o bolsonarismo vivo com
isentismo "O STF também se excedeu", com acenos de anistia e
dosimetria, e com um acordão, nunca bem explicado, que poupou os políticos
bolsonaristas nas investigações sobre o golpe.
Se o bolsonarismo tivesse sido rejeitado em
sua inteireza já no dia 9 de janeiro de 2023, a esta altura a centro-direita
teria um candidato melhor que Ratinho Jr..
Uma candidatura de direita não bolsonarista é
uma boa notícia; mas é constrangedor que esse "não" tenha sido
proferido pelo Jair, não por Ratinho Jr., Caiado ou, aliás, Tarcísio.

Nenhum comentário:
Postar um comentário