sábado, 14 de fevereiro de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Maquiagem não disfarça alta no rombo das estatais

Por O Globo

Governo obteve autorização para gastar 14,2 bilhões fora da meta fiscal, além do déficit de R$ 1 bilhão previsto

O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva tem sido contumaz em maquiagens contábeis, retirando gastos da contabilidade oficial para mascarar a realidade. O maior exemplo disso foi o esvaziamento do arcabouço fiscal que o próprio Ministério da Fazenda criou, mas cujas metas só consegue cumprir excluindo um sem-número de despesas do cálculo (e nem por isso o dinheiro deixa de ser gasto). Outro exemplo aconteceu nesta semana, quando o Ministério do Planejamento divulgou decreto com a programação orçamentária para 2026. À primeira vista, a estimativa de déficit de R$ 1 bilhão para as estatais, sem contar pagamento de juros, parece um avanço incontestável, já que em 2025 o rombo foi de R$ 5,1 bilhões.

Alfabetização necessária, por Cristovam Buarque

Veja

É preciso cuidar sobretudo da educação de base

Uma recente avaliação do ensino de medicina alertou para os riscos à saúde dos brasileiros caso nossos médicos continuem a se formar nessas faculdades. Faltou denunciar os riscos à saúde do Brasil se continuarmos a educar nossas crianças e jovens nas atuais escolas de base. Os brasileiros precisam cuidar da qualidade das faculdades que formam doutores, sim, mas também da educação que vem desde o início, da infância. Além de outros fatores — protecionismo, burocratismo, insegurança jurídica, custo da máquina estatal e infraestrutura degradada —, a principal causa da estagnação de nossa renda média está na falta dos conhecimentos necessários para nos integrarmos ao mundo moderno. Sem a plena alfabetização de toda a população para a contemporaneidade, o país continuará sujeito a sete enfermidades: baixa produtividade, concentração de renda, pobreza, violência, instabilidade, corrupção e endividamento.

A virtude está no meio, por Marcus Pestana

O conselho veio de longe, três séculos antes de Cristo. Aristóteles, na Grécia Antiga, alimentou a ideia de que nos extremos haveria uma mistura indesejável de excesso e falta e que o centro estaria associado aos conceitos de moderação, diálogo, equilíbrio e não dogmatismo. Em tempos de Trump e da configuração binária da polarização brasileira, provavelmente Aristóteles seria um “influencer” de baixo impacto e pouca audiência no Instagram, TikTok ou X. Afinal, o que mobiliza as bolhas é exatamente a radicalização extremada das opiniões e a destruição dos adversários políticos, transformados em inimigos de guerra.

Nem caneta nem bolsa, por Leonardo Avritzer

CartaCapital

Os riscos de o STF ultrapassar o papel de Corte constitucional

Uma das maiores incertezas que pairam sobre a política brasileira neste ano diz respeito ao papel do Supremo Tribunal Federal. Como se sabe, a Corte foi decisiva não somente na contenção do golpe de 2022 e 2023, mas na condenação dos golpistas, durante o julgamento realizado em setembro do ano passado. Esses fatos reforçaram a importância e a atuação legítima do STF no que diz respeito à defesa da democracia no Brasil. Entretanto, isso não lhe garante sustentação para atuar­ em outras dimensões que ultrapassam seu papel de Corte constitucional.

Código de conduta, por Pedro Serrano

Carta Capital

A adoção de um regulamento tende a representar um mecanismo de defesa e de fortalecimento do Supremo, ao contrário de um mero instrumento de autocontenção

Críticas não são apenas aceitáveis, mas desejáveis em qualquer sistema democrático. A posição assumida pelo Judiciário para a vida em sociedade o coloca, invariavelmente, sob o crivo do questionamento. Ao Judiciário cabe, nas democracias contemporâneas, a última palavra em termos de interpretação da ordem jurídica. Em países como os latino-americanos, providos de Constituições analíticas, diversas decisões sobre da vida pública, em comunidade e dos comportamentos humanos são transferidas para o âmbito jurisdicional.

Imperador impopular, por Jamil Chade

CartaCapital

O mundo demonstra seu desprezo pelo presidente dos Estados Unidos

Donald Trump descobre, aos poucos, a dimensão do desprezo do mundo por seu governo. Durante a abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno, em Milão, a entrada da delegação dos Estados Unidos no desfile foi marcada por uma mistura de aplausos e vaias. A celebração foi para os atletas, alguns dos melhores do mundo em suas modalidades. Mas um sonoro protesto ocorreu quando o telão do estádio de San Siro mostrou o vice-presidente JD Vance, de pé, aplaudindo a delegação. Curiosamente, o público dos EUA jamais soube disso. Na transmissão oficial veiculada nas televisões de milhões de norte-americanos, a NBC cortou o som das vaias. Horas depois, quando a Casa Branca divulgou o vídeo do vice-presidente no evento na Itália, uma vez mais o som das vaias havia sido convenientemente abafado.

Finança e capital, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Na incessante busca de dinheiro, o capitalismo excita esperanças de enriquecimento e solapa as realidades da “economia real”

Reconhecido pelos senhores dos mercados depois da crise financeira de 2008, o economista keynesiano Hyman Minsky, falecido em 1996, escreveu, em 1992, um artigo intitulado “Schumpeter and Finance”. O artigo narra a temporada de Minsky em Harvard na companhia de Paolo Sylos-Labini, então jovem economista italiano, mais tarde referência no mundo acadêmico ao escrever o clássico Oligopólio e Progresso Técnico.

Os dois chegaram em Harvard para a temporada 1948–1949. Labini aportou em Harvard depois de algum tempo em Chicago. “Como completei minha graduação em Chicago, Labini e eu compartilhamos nossas opiniões sobre ­Chicago e Harvard em animada discussão.” Minsky graduou-se em Matemática em 1941. Do mestrado (1947) ao Ph.D. (1954), foi supervisionado por ­Schumpeter, ­Wassily Leontief e Alvin Hansen. Schumpeter morreu em janeiro de 1950.

Marx, um comentário, por Ivan Alves Filho

Marx é um pensador e militante político central da chamada modernidade. Um herdeiro daquilo que o processo civilizatório tem de melhor, do Renascimento ao Iluminismo. Suas formulações têm um duplo caráter, uma vez que estabeleceu tanto um método de análise quanto um guia para a ação.

Não por acaso escreveu uma obra como O Capital, e, ainda, foi a principal figura da Associação Internacional dos Trabalhadores, em 1864.

Poesia | Um homem e o seu carnaval, de Carlos Drummond de Andrade

 

Alceu Valença - Hino do Galo da Madrugada