Folha de S. Paulo
Lideranças como Ciro Nogueira, Arthur Lira e
Hugo Motta têm passado ao largo do escândalo
Se Alcolumbre não barrar, senador alagoano
pode gerar artilharia para todos os lados
A crise do Banco Master vai
voltar com força depois do Carnaval. São pelo menos três frentes de erosão:
no STF,
após a suspeita de ministros de que foram gravados por Dias Toffoli na sessão que
decidiu pela saída dele da relatoria do caso; na pressão política
sobre o chefe da Polícia
Federal, Andrei Rodrigues; e na movimentação do senador
alagoano Renan
Calheiros.
Aliado do presidente Lula e presidente da poderosa CAE (Comissão de Assuntos Econômicos) do Senado, Calheiros vai agitar Brasília com as audiências que está marcando como parte do trabalho do grupo que criou para monitorar as investigações do banco de Daniel Vorcaro.
O senador do MDB está arrastando o centrão
para o centro do palco do escândalo. Até aqui, os holofotes estavam
concentrados nas ligações perigosas de ministros do STF com Daniel Vorcaro e na
atuação do BC e da PF.
Lideranças do centrão, como o senador Ciro Nogueira e
os deputados Arthur Lira (inimigo
número 1 de Calheiros), Hugo Motta e
tantos outros, têm passado ao largo. O caso chegou perto do presidente do
Senado, Davi Alcolumbre,
com a operação no fundo de previdência do Amapá, o que acabou gerando uma
reação em cadeia do mundo político contra o trabalho da PF.
Se Alcolumbre não barrar, a CAE e Renan podem
gerar artilharia para todos os lados. Renan já fez um périplo por PF, STF e BC
e aprovou 19 requerimentos de informações e de comparecimentos de envolvidos no
caso direta ou indiretamente. O primeiro disparo já foi dado, quando ele acusou
o centrão de ter chantageado o ministro do TCU Jhonatas de Jesus para que
acabasse com a liquidação do Master.
O depoimento de Vorcaro está marcado para o
próximo dia 24. Se for, fará barulho. Ele tem sido crítico a vazamentos
seletivos, mas a sua defesa tem usado dessa artimanha nos bastidores. O
banqueiro já disse que tem amigos em todos os Poderes e interessa mostrar que
tem muito mais coisa para falar. Renan terá que chegar aos nomes —se não quiser
ser acusado de buscar moeda de troca com a crise.

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