O Estado de S. Paulo
Pela 2.ª vez, o STM vai julgar o capitão, mas
agora a tendência é por sua expulsão do Exército
A denúncia apresentada pelo Ministério Público Militar para que Jair Bolsonaro (PL), três generais e um almirante condenados pela trama golpista sejam expulsos das Forças Armadas já era esperada pelo grupo do ex-presidente. Ao escolher o filho Flávio como candidato ao Palácio do Planalto, porém, Bolsonaro avaliou que, ao contrário do que dizem, seu herdeiro pode até ser beneficiado por esse cenário.
O Superior Tribunal Militar (STM) vai julgar, a partir de agora, se Bolsonaro e os outros acusados perderão os postos e as patentes. A preço de hoje, a tendência é que o ex-presidente e o exministro Braga Netto sejam expulsos do Exército. Quase 38 anos atrás, em junho de 1988, o STM absolveu o então capitão, acusado de liderar um plano para explodir bombas em quartéis e em um sistema de abastecimento de água, no Rio, para reivindicar melhores salários.
Ao que tudo indica, no entanto, o STM não
salvará Bolsonaro pela segunda vez. Nos bastidores da caserna, há convicção de
que os generais da reserva Augusto Heleno e Paulo Sérgio Nogueira, por sua vez,
serão poupados. Já o veredicto sobre o destino do ex-comandante da Marinha
Almir Garnier é uma incógnita.
O julgamento não tem data para acabar e pode
atingir o período eleitoral. Se isso ocorrer e a direita estiver bem
posicionada, o ambiente político do momento influenciará a decisão do STM? As
opiniões se dividem a esse respeito. É justamente com o fator imponderável que
conta Bolsonaro, condenado pelo Supremo Tribunal Federal e hoje preso na
Papudinha. Para os bolsonaristas, quanto mais o STF ficar enfraquecido pelo
escândalo do Master, melhor.
Muito se pergunta por que Bolsonaro não
escolheu o governador Tarcísio de Freitas para desafiar o presidente Lula na
disputa. Dois interlocutores do expresidente disseram ter ouvido dele mesmo o
seguinte raciocínio: “É melhor perder mantendo a liderança do que ganhar
liderado”. Desconfiado, Bolsonaro tem dúvidas se Tarcísio lhe daria anistia,
caso fosse eleito.
Pesquisas indicam que o capitão reformado,
mesmo preso, tem grande potencial de transferência de votos. Se ele for expulso
do Exército, o discurso de Flávio ganhará ainda mais o tom da “perseguição
política”.
A cúpula do PL torce agora para que, se a
candidatura da centro-direita ao Planalto vingar, o nome ungido pelo PSD seja o
do governador de Goiás, Ronaldo Caiado. O PL quer fazer um pacto com Gilberto
Kassab para que o concorrente do PSD seja um franco-atirador contra Lula.
O problema é que Kassab tem um pé em cada
canoa: controla três ministérios no governo do PT e é secretário na gestão
Tarcísio. Trata-se de um roteiro que torna o desfecho dessa história ainda mais
imprevisível.

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