domingo, 15 de fevereiro de 2026

É preciso coragem para limpar o sistema, por Lourival Sant’Anna

O Estado de S. Paulo

Em 2025, anos após um escândalo de corrupção, Colômbia aprovou reforma do sistema de Justiça

Escândalos de corrupção em cortes supremas são relativamente raros. Um caso emblemático foi o chamado Cartel da Toga, na Colômbia, por ter envolvido três presidentes e outro juiz da Corte Suprema, procuradores, parlamentares e advogados; por ter levado a condenações à prisão; e pelas reformas implementadas no sistema de Justiça colombiano em resposta.

A partir de uma delação premiada de um investigado nos EUA, descobriu-se um amplo esquema de tráfico de influência na Suprema Corte colombiana, envolvendo a venda de sentenças e cobranças de propinas para retardar ou arquivar processos. As investigações estiveram a cargo da Procuradoria-Geral da República, em colaboração com o FBI e o Departamento de Justiça americano.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Fim demagógico da escala 6x1 terá preço alto

Por O Globo

Custo da hora trabalhada subiria entre 8% e 18%. Desemprego e informalidade cresceriam

De olho nos dividendos eleitorais, governo e Congresso apostam na redução da jornada de trabalho. A ideia é acabar com a escala de seis dias de trabalho por um de descanso, ou 6x1. Na última segunda-feira, o presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), encaminhou à Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) duas Propostas de Emenda à Constituição. As duas reduzem as horas de trabalho mantendo intocado o salário. Basta matemática elementar para entender que isso significará menos produtividade, portanto menos geração de riqueza na economia.

Bancada Master é de direita, e ninguém governa sem ela, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

A verdade é simples: a esquerda, como a direita e o centro, precisa de apoio da bancada Master para governar

Dos 18 entes federativos que investiram no Master, 17 eram governados pela direita

O afastamento de Dias Toffoli do caso Master foi tardio, mas bem-vindo. E, se o afastamento ampliar o foco do público para além do STF, pode ajudá-lo a entender o que foi a mutreta política erguida ao redor da mutreta financeira de Daniel Vorcaro.

Ela aconteceu, sobretudo, no Congresso, nos estados e municípios. E, a menos que o conteúdo do celular de Vorcaro nos mostre outra coisa, foi feita majoritariamente pela direita.

O evangélico no Carnaval do Master, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Depois de relatório da PF sobre Toffoli, acordão se torna mais organizado e explícito

PF já pescou mais políticos e rastreia transações, dizem senadores que querem fogo no circo

Um acordão eficiente depende da segurança dos elos da cadeia que constitui o arranjo. Se alguém cai, o acerto de garantias implícitas de proteção corre risco. Pode haver tiros dentro da sala de coordenação do pacto ou um salve-se quem puder (Lava Jato).

Trata-se aqui, claro, do arranjo para proteger suspeitos ou envolvidos no Master. O relatório da Polícia Federal que especificou pelo menos uma das relações de Dias Toffoli com a turma do Master incentivou um movimento de organização maior do acordo, em especial entre parte do Senado e parte do Supremo.

Bolsonaro nos arquivos de Epstein, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Há 74 menções ao político nesses documentos, assim como referências a outras personalidades brasileiras

O escândalo Epstein exibe o quadro de um retorno ainda mal compreendido do fascismo

Jamie Raskin, o principal democrata da Comissão de Justiça da Câmara dos Deputados dos EUA, revelou que os arquivos de Jeffrey Epstein foram editados para ocultar nomes de "abusadores, facilitadores, cúmplices e coconspiradores". Há 74 menções a Bolsonaro nesses documentos, assim como referências ambíguas a outras personalidades brasileiras. Sobre Bolsonaro não se falou diretamente de sexo nem de tráfico de menores.

Corrupção abre alas e pede passagem, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O tema volta à paisagem eleitoral no embalo das fraudes no INSS e do lodaçal crescente em torno do caso Master

Fica a dúvida se os candidatos enfrentarão o problema ou se continuarão a atribuir a culpa de tudo ao sistema

corrupção voltou a fazer parte da paisagem eleitoral. Em todas as suas formas: do peculato a transações ilegais no mundo privado e condutas flagrantemente antiéticas, passando pela infiltração do crime organizado no poder público.

A velha senhora andava meio esquecida. Não por falta de atividade, mas devido à disseminação da ideia de que excessos cometidos em investigações aconselhavam que se desse por esgotado o assunto.

Multidão consciente da loucura, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Crônica de Dante Milano sobre o Carnaval carioca dos anos 1930 evoca a folia de hoje

'Quem não quiser brincar fique em casa', diz ele. 'Somos todos loucos. Os loucos têm razão'

"Nosso povo tem o seu dia. Não é o 13 de Maio, nem o 14 de Julho. É o Carnaval. Bombos, pandeiros, chocalhos, cuícas, violões, flautas, clarins. Montões de serpentinas e confetes rolando pelas ruas. Tem-se a impressão de que o dinheiro rola pelo chão. O povo respira livre.

"Passa um cordão no meio do povo. O tampo rotundo do bombo retumba, cuícas catucando um batecum macambúzio de macumba. Giros lentos de estandartes, bamboleios de lanternas de cor. Mirabolante, bombástico, babélico, umbilical. Homens de todas as cores entoam cantos em coro. As mulheres são princesas encantadas, pedaços de luz, de corpos nus. Virgens, sambai! A rua parece a enchente de um rio. A multidão se comprime. O momento é sublime. O povo é uma só onda, um só rumor. Encontros, apertões. Quem não quiser brincar fique em casa.

Sapucaí não apoiou a ditadura, por Rodrigo Antônio Reduzino*

O Globo/ Ancelmo Gois

Conclusão de que não houve adesismo aos governos dos generais consta da tese de doutorado

"Escola de Samba como expressão política é o enunciado afirmativo de uma intelectualidade negra e todo refino de uma expressão da cultura negra. É o direito a fabular, sonhar e organizar a sua apreensão sobre a realidade social, processo inerente a condição humana, como lembra o saudoso Antônio Cândido no Direito à Literatura.

Escola de Samba como qualquer espaço social, também tem disputa política, falo de território e poder, sempre esteve inserida em diálogo com a institucionalidade, desde de sua origem datada em 1928, quando são fundadas e constroem os seus espaços para desfilarem e existirem pela região da Praça Onze e Estácio a despeito do chamado “carnaval chic” das classes dominantes realizados na Rio Branco. Atreladas a suspeição, criminalidade e a esfera de polícia, fruto do ordenamento social da época que mantém a estrutura historicamente racista até os dias de hoje.

Poesia | Soneto de Carnaval, de Vinicius de Moraes

 

Música | Portela 1966 Letra e Samba, de Paulinho da Viola