sexta-feira, 29 de março de 2024

Bruna Fantti - O caveirão e as urnas

Folha de S. Paulo

Expansão do CV torna instável planejamento para as eleições

A porta do caveirão é aberta. Um policial salta com fuzil e balaclava no rosto, olha para os lados e dá sinal positivo para o colega de farda pular. O outro desce, com cuidado. Em suas mãos, em vez da arma, está uma caixa de papelão na qual está escrito "urna eletrônica".

A cena pode ser presenciada em dias de eleições no Rio de Janeiro em locais de votação localizados no interior de comunidades que são classificadas de risco pelas polícias, devido à alta possibilidade de confrontos armados. É obrigatória a presença policial com as urnas.

Para antecipar a organização, as urnas são levadas para as seções eleitorais na noite anterior ao pleito. Um agente de segurança, então, costuma pernoitar para fazer a vigilância. Já em algumas áreas, pela presença de criminosos armados, isso é contraindicado. Assim, nesses locais, as urnas são levadas no dia da votação com os blindados —cuja caveira enorme no símbolo do Bope (Batalhão de Operações Policiais Especiais) gerou o apelido aos veículos da tropa.

Os blindados são usados para levar e buscar as urnas, seja no interior da Vila Aliança, na zona oeste, ou no Complexo do Alemão, na zona norte. A Polícia Militar já recebeu uma prévia dos locais de votação e passou a definir quais áreas receberão o aparato de segurança. Nas eleições anteriores, elas tinham em comum a influência de traficantes, já que milicianos não têm o costume de entrar em confronto com policiais.

A novidade este ano ocorre em razão da mudança na geopolítica do crime: o Comando Vermelho se expande com o objetivo de formar um cinturão que engloba as zonas norte, oeste e baixada. Não é possível definir ainda em quais áreas a polícia poderá entrar e sair sem riscos. Resta ao eleitor usar a melhor defesa que possui para mudar esse cenário: o voto.

 

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