O Globo
No dia 2 de dezembro, o ministro José Antonio Dias Toffoli impôs o grau máximo de sigilo às investigações sobre o escândalo do Banco Master. Má ideia, coisa de poderosos de Brasília. Em menos de um mês o ministro virou um braço das tramas do banqueiro Daniel Vorcaro e de sua rede de intere$$e$. Com um funeral de primeira, seus pares tiraram-no do caso.
Quando Toffoli baixou o sigilo e também centralizou em seu gabinete o curso das investigações, supôs que manda quem pode e obedece quem tem juízo. Cabe uma pergunta: a armação podia ter funcionado? Só se tivessem combinado com a Polícia Federal (PF). Como a lenda atribui ao jogador Garrincha, faltou combinar com os russos. Não só faltou combinar, Toffoli desafiou a Polícia Federal.
O presidente Lyndon Johnson, um mestre da
política americana, não queria mexer com J. Edgar Hoover, o eterno diretor do
FBI, a polícia federal dos EUA, e explicava: É melhor tê-lo mijando para fora
do que mijando para dentro.
Sabe-se lá o que Toffoli achava, mas o sigilo
virou um veneno. Ele levou a crise para dentro do tribunal, logo nos dias em
que seu presidente defende a adoção de um código de conduta.
O sigilo tornou-se um panelão de acusações. É
sabido que o recurso ao sigilo (leia-se censura) transforma-se numa usina de
boatos. Por exemplo: em 1969 uma claque palaciana bloqueava detalhes sobre a
saúde do presidente Costa e Silva, abatido por uma isquemia cerebral.
Resultado: correu o boato segundo o qual o marechal estava morto.
O sigilo transformou a reputação de Toffoli
num terreno baldio, no qual atiram-se quaisquer coisas. Essa foi uma situação
criada por ele, produto de uma onipotência irracional. Seu estilo foi o de
dobrar as apostas, até que ficou sem cartas.
Deixando-se de lado o caso do ministro,
apareceram mais duas histórias de horror: escritórios de advocacia contratados
pelo Master estariam lavando dinheiro e a prisão de Daniel Vorcaro teria
vazado. Isso e mais a lista de poderosos de Brasília metidos de uma forma ou de
outra com o afortunado banqueiro.
Quando o caso começou, estavam na roda um
banqueiro e suas pompas; passaram-se poucos meses, caiu na pista o próprio
tribunal e o ministro foi levado a pedir para sair. Quem cimentou essa trama
foi o maldito sigilo.
No fundo, o erro de Toffoli foi desrespeitar
um ensinamento de Tancredo Neves: no governo você não vende nem compra. Não é
preciso ser vidente para prever que em pouco tempo será divulgado o preço que o
fundo do cunhado de Vorcaro pagou pelo resort Tayayá.
Mendonça e sua sorte
A sorte, ou a falta dela, colocou o ministro
André Mendonça na relatoria do caso Master. Durante a reunião que selou o
destino de José Antonio Dias Toffoli, ele foi um crítico do relatório da
Polícia Federal. Há elementos suficientes para se dizer que a PF investigou
Toffoli sem ter a devida autorização do tribunal.
“Não acho que isso seja aceitável, eu não
gostaria disso para ninguém”, disse Mendonça durante a reunião.
Tudo bem, nesse caso seus pares deveriam ter
repelido o relatório da Polícia Federal.
A linha que separa uma prerrogativa de um
privilégio é tênue. Se a Federal não olhasse para as contas de Toffoli, poderia
estar respeitando uma prerrogativa, concedendo-lhe o privilégio de contar ao
Tribunal o que bem entendesse.
Faculdades privadas
Depois dos resultados catastróficos dos
exames de proficiência das faculdades privadas de Medicina, o MEC suspendeu o
edital de 2023 que criaria até 5.900 vagas.
Bendita providência. Muitas dessas faculdades
fingem que ensinam e cobram mensalidades de mais de R$ 15 mil.
Algum dia essas máquinas de criar médicos
sairão do ar. Até lá vale o ensinamento do ministro da Educação Paulo Renato
Souza — 1995-2002:
“Se você entregar o poder de decisão para a
abertura de faculdades privadas às freiras carmelitas descalças, na segunda
reunião elas virão com bolsas Louis Vuitton.”
O professor José Arthur Giannotti (1930-2021)
era um dos melhores amigos do presidente Fernando Henrique e quando ia a
Brasília hospedava-se no Palácio da Alvorada. Nomeado para o Conselho Federal
de Educação, em 1997 preferiu pedir o boné. Ele explicava:
“Minha demissão tem a ver com a debilidade do
Estado, com a sua natureza pastosa, com a existência de pessoas qualificadas
que não saem de seus nichos e com os anéis burocráticos que controlam setores
do Estado. São crostas a serviço de organismos com interesses definidos.”
Paulo Guedes
O PL de Valdemar Costa Neto sugerirá a Flávio
Bolsonaro que faça do economista Paulo Guedes seu guru para assuntos
econômicos.
Durante a presidência do pai de Flávio, “PG”
foi ministro da Economia, acumulando os ministérios da Fazenda, Planejamento,
Indústria e parte da pasta do Trabalho.
Pode-se discutir seu desempenho na
superpasta, mas seu melhor momento esteve nos dias tensos da trama golpista.
Com atos e palavras, Guedes afastou-se da maluquice. Depois disso tornou-se um
ex-ministro exemplar, dispensando-se de virar alma penada azucrinando seus
sucessores.
Deuses do Carnaval
Os deuses das festas fazem surpresas para
ilustrar o paganismo da alegria.
Em setembro de 1987 cerca de 15 mil latinhas
de maconha bateram em praias do Rio e de São Paulo. Os meses seguintes foram
conhecidos como o “Verão da Lata”. A carga estava a bordo de um navio que
atracou no Rio.
Na quarta-feira passada a Polícia Federal foi
a um edifício do Balneário Camboriú. A troco de nada, do 30º andar um cidadão
jogou uma mala de dinheiro com R$ 429 mil, que se espalharam numa área interna.
Alckmin na frigideira
O avanço de Flávio Bolsonaro nas pesquisas
levou uma ala do governo a admitir a troca do candidato a vice na eleição de
novembro.
Confirma-se a frase atribuída ao general
francês Charles de Gaulle: “A ingratidão é um dever do governante”.
Lula na
Sapucaí
Hoje à noite a arquibancada da Sapucaí
mostrará se foi uma boa ideia homenagear Lula no desfile da Acadêmicos de
Niterói.
Quem passou inteiro por esse tribunal foi o
presidente Juscelino Kubitschek, homenageado pela Mangueira em 1981, cinco anos
depois de sua morte.

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