domingo, 15 de fevereiro de 2026

Busca aos tesouros, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

De onde vem a fortuna do ministro Toffoli e para onde foi a do banqueiro Daniel Vorcaro?

Dias Toffoli sai da relatoria do caso Master, mas a crise no Supremo continua e tende a piorar, embolando novas revelações contra o ministro com o constrangimento de Alexandre de Moraes, a posição delicada de André Mendonça, as divisões internas, a crise com a PF e a guerra política. Tudo isso com a Corte sujeita a um comando, digamos, difuso.

Só faltava gravarem clandestinamente a reunião fechada que selou a saída de Toffoli. Não falta mais. Os trechos entre aspas no site Poder 360 não deixam dúvida de que foram degravados. Logo, alguém gravou e vazou e esse alguém foi um dos ministros. É o escândalo dentro do escândalo.

Pedra cantada aqui, as próximas fases das investigações passam pela “busca aos tesouros”, e as “novidades” continuam a surgir aos borbotões, claro, pela mídia tradicional e independente. No Estadão, os repórteres Aguirre Talento e Eduardo Barretto estão entre os que andam a passos largos.

Talento informa que, segundo a PF, com base nos celulares apreendidos, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 35 milhões para o resort Tayayá, que teve Toffoli entre seus sócios e frequentadores. Já Barretto fez uma pesquisa e uma conta que não fecha: se Toffoli é funcionário público (entre AGU e STF) há vinte anos e recebeu R$ 8 milhões nesse tempo, como virou sócio de um resort de alto luxo? Sem somar gastos com imóveis, festanças, viagens...

Vorcaro não ganha com a crise no Supremo. Se Toffoli teve de sujar as mãos como relator, é porque a sujeira era muita, e ainda é. E, se a origem da fortuna de Toffoli está sendo esmiuçada, o destino da de Vorcaro também. Alguém acredita que ele saiu dessa sem um tostão?

Curioso é o PP e o União Brasil, agora de mãos dadas numa federação partidária, lançarem nota a favor de Toffoli e contra o que consideram “injustiça” contra o ministro. Pois não é que a nota é assinada pelos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do UB, Antônio Rueda, sempre citados no escândalo Master? Detalhe: a nota saiu numa sexta-feira, 13. Azar de quem?

O foco está em André Mendonça, novo relator do caso Master. Esses sorteios do Supremo sempre parecem escolha “por exclusão” e sobraram Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Mendonça, ex-ministro da Justiça de Bolsonaro. Se Zanin substituísse Toffoli, tudo que ele fizesse ou dissesse, por mais técnico e correto, seria atribuído à ligação com Lula. Como Zanin, Mendonça é discreto, cuidadoso, tem o respeito de seus pares e da PF e tentará ser impecável. É sua biografia que está em jogo.

A expectativa, pois, é que o inquérito entre nos eixos. E o Supremo?

 

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