O Estado de S. Paulo
De onde vem a fortuna do ministro Toffoli e
para onde foi a do banqueiro Daniel Vorcaro?
Dias Toffoli sai da relatoria do caso Master, mas a crise no Supremo continua e tende a piorar, embolando novas revelações contra o ministro com o constrangimento de Alexandre de Moraes, a posição delicada de André Mendonça, as divisões internas, a crise com a PF e a guerra política. Tudo isso com a Corte sujeita a um comando, digamos, difuso.
Só faltava gravarem clandestinamente a reunião fechada que selou a saída de Toffoli. Não falta mais. Os trechos entre aspas no site Poder 360 não deixam dúvida de que foram degravados. Logo, alguém gravou e vazou e esse alguém foi um dos ministros. É o escândalo dentro do escândalo.
Pedra cantada aqui, as próximas fases das
investigações passam pela “busca aos tesouros”, e as “novidades” continuam a
surgir aos borbotões, claro, pela mídia tradicional e independente. No Estadão,
os repórteres Aguirre Talento e Eduardo Barretto estão entre os que andam a
passos largos.
Talento informa que, segundo a PF, com base
nos celulares apreendidos, Daniel Vorcaro teria repassado R$ 35 milhões para o
resort Tayayá, que teve Toffoli entre seus sócios e frequentadores. Já Barretto
fez uma pesquisa e uma conta que não fecha: se Toffoli é funcionário público
(entre AGU e STF) há vinte anos e recebeu R$ 8 milhões nesse tempo, como virou
sócio de um resort de alto luxo? Sem somar gastos com imóveis, festanças,
viagens...
Vorcaro não ganha com a crise no Supremo. Se
Toffoli teve de sujar as mãos como relator, é porque a sujeira era muita, e
ainda é. E, se a origem da fortuna de Toffoli está sendo esmiuçada, o destino
da de Vorcaro também. Alguém acredita que ele saiu dessa sem um tostão?
Curioso é o PP e o União Brasil, agora de
mãos dadas numa federação partidária, lançarem nota a favor de Toffoli e contra
o que consideram “injustiça” contra o ministro. Pois não é que a nota é
assinada pelos presidentes do PP, Ciro Nogueira, e do UB, Antônio Rueda, sempre
citados no escândalo Master? Detalhe: a nota saiu numa sexta-feira, 13. Azar de
quem?
O foco está em André Mendonça, novo relator
do caso Master. Esses sorteios do Supremo sempre parecem escolha “por exclusão”
e sobraram Cristiano Zanin, ex-advogado de Lula, e Mendonça, ex-ministro da
Justiça de Bolsonaro. Se Zanin substituísse Toffoli, tudo que ele fizesse ou
dissesse, por mais técnico e correto, seria atribuído à ligação com Lula. Como
Zanin, Mendonça é discreto, cuidadoso, tem o respeito de seus pares e da PF e
tentará ser impecável. É sua biografia que está em jogo.
A expectativa, pois, é que o inquérito entre
nos eixos. E o Supremo?

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