segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

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Corrupção é nódoa persistente na imagem do Brasil

Por O Globo

Estagnação em ranking de percepção sobre combate aos corruptos prejudica investimentos

Se as instituições brasileiras que repeliram uma tentativa de golpe demonstrassem o mesmo vigor no combate à corrupção, o país subiria vários degraus no estágio de desenvolvimento. A corrupção endêmica se traduz em maior insegurança jurídica e em maior risco para os investidores. Infelizmente, o país tem se mostrado incapaz de combater essa chaga. E a percepção externa não melhora. Desde 2018, o Brasil está estagnado em patamar abaixo da média no Índice de Percepção da Corrupção (IPC), calculado pela ONG Transparência Internacional. Em 2025, obteve 35 pontos numa escala de zero a cem, repetindo sua segunda pior nota. Num ranking liderado por Dinamarca (89), Finlândia (88) e Cingapura (84), ficou abaixo das médias das Américas e dos países pesquisados, ambas em 42 pontos. Com esse resultado, ocupa o 107° lugar entre 182 países. Vale lembrar que houve piora tanto na nota quanto na posição brasileira desde 2012, quando o índice foi criado.

Brasil precisa ampliar acesso à Justiça como garantia da dignidade humana, por Fernanda Fernandes

Correio Braziliense

Enquanto o acesso à Justiça não for tratado como prioridade estrutural, o Brasil continuará descumprindo suas obrigações internacionais

No Brasil, a carta de adesão ao Pacto Internacional sobre Direitos Civis e Políticos nos recorda uma permanente promessa do Estado brasileiro no cumprimento de direitos humanos. Mesmo após décadas desde sua incorporação ao ordenamento jurídico nacional, esse compromisso internacional ainda não se traduziu plenamente em realidade concreta para grande parte da população.

O Pacto faz parte da Carta Internacional de Direitos Humanos, ao lado da Declaração Universal de 1948 e do Pacto Internacional sobre Direitos Econômicos, Sociais e Culturais. Ele assegura direitos básicos à dignidade humana, como a proibição da tortura, da escravidão e da discriminação, além da proteção de grupos vulnerabilizados. No entanto, no Brasil, esses direitos continuam sendo vivenciados de forma desigual, especialmente por mulheres, crianças e pessoas em situação de pobreza.

A corrupção da Lava Jato ao Master, por Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

Operação produziu investigações e condenações sem precedentes, elevando o custo esperado da corrupção

Desdobramentos também desencadearam uma contrarreação política e institucional

O debate sobre corrupção costuma oscilar entre duas explicações rivais. A mais tradicional entende o problema como resultado de incentivos individuais: agentes públicos e privados se envolvem em práticas ilícitas quando os benefícios esperados superam os riscos de punição. Inspirada na economia do crime, essa perspectiva sustenta que o combate à corrupção exige elevar os custos do comportamento ilegal. Se a probabilidade de detecção aumenta, e as sanções se tornam críveis, a corrupção deixa de ser uma estratégia racional.

Rua convulsionada de luxúria, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Crônica de João do Rio em 1908 já descrevia o Carnaval carioca como um pandemônio

'Atrás de nós', disse ele, 'um grupo de futuras glórias nacionais berrava as cantigas do dia'

"Era em plena rua do Ouvidor. Não se podia andar. A multidão apertava-se. Havia sujeitos congestos, mulheres afogueadas, crianças a gritar, tipos que berravam pilhérias. A pletora de alegria punha desvarios em todas as faces. Era provável que, do largo de São Francisco à rua Direita, dançassem vinte cordões e quarenta grupos, rufassem duzentos tambores, zabumbassem cem bombos, gritassem cinquenta mil pessoas.

Poesia | Carnaval, de Cecília Meireles

 

Música | Claudionor Germano - Bandeira Branca