segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Funcionário da Casa Civil foi sócio do marido de ex-ministra

DEU NA FOLHA DE S. PAULO

O funcionário da Casa Civil Paulo de Tarso Viana foi sócio do marido de Erenice Guerra, José Roberto Campos, em consultoria de negócios quando já trabalhava na pasta, relatam Fernanda Odilla e Matheus Leitão.

Servidores públicos não podem gerir empresas privadas. Viana e Campos não foram localizados.


Funcionário da Casa Civil foi sócio de marido de Erenice

Servidor Paulo de Tarso Pereira Viana era administrador da Global Energy

Lei proíbe funcionários públicos de atuarem na gerência de empresas privadas; firma era para "intermediar serviços"

Fernanda Odilla e Matheus Leitão


DE BRASÍLIA - O funcionário da Casa Civil Paulo de Tarso Pereira Viana se tornou sócio do marido de Erenice Guerra em uma empresa de consultoria no período em que trabalhava com a ex-ministra. Erenice deixou o cargo na quinta-feira após denúncias de tráfico de influência no governo federal.

A empresa Global Energy Investments foi criada em setembro de 2009, em nome de José Roberto Camargo Campos, marido de Erenice, e de Pereira Viana.

Tanto o marido de Erenice como o servidor da Casa Civil aparecem como sócios administradores da empresa, com participação societária de R$ 500 cada um, na Junta Comercial de São Paulo.

Servidor público é proibido por lei de "participar de gerência ou administração de sociedade privada".

De acordo com registro na Junta Comercial, o objetivo da Global Energy era promover "atividades de intermediação e agenciamento de serviços e negócios em geral, exceto imobiliários".

Cinco meses antes de abrir a empresa, o funcionário havia sido cedido pela Caixa Econômica Federal para trabalhar na Secretaria Executiva da Casa Civil. À época, Erenice era a secretária-executiva e a candidata à Presidência Dilma Rousseff (PT) comandava a pasta.

Com sede numa sala no centro de Santo Antônio de Posse (SP), a Global Energy Investments foi criada para, além de intermediar e agenciar negócios, servir de "holding de instituições não-financeiras", ou seja, controlar um grupo de empresas.

Em julho deste ano, Pereira Viana deixou oficialmente a sociedade. Em seu lugar, entrou Henrique Nardi Campos, que já é sócio do marido de Erenice em outro empreendimento, a Cast Consultoria, também com sede no interior paulista.

A Folha ligou cinco vezes para a casa de Pereira Viana, deixou recado na secretária eletrônica e não obteve resposta. A mãe dele, Lenira, afirmou à Folha que ele "com certeza não tinha nada acrescentar e a declarar". Segundo Lenira, Pereira Viana saiu da Casa Civil "há muito tempo, em maio de 2010".

Não há, contudo, registros no "Diário Oficial" da União do retorno de Pereira Viana à CEF. O nome dele aparece numa portaria do Ministério da Fazenda, com data de 30 de abril deste ano, que prorroga por prazo indeterminado as cessões de empregados da CEF a órgãos públicos.

A Folha não localizou Camargo Campos, que tem negócios também no Distrito Federal. Ele é dono de uma empresa de mineração com sede em Brasília, em parceria com outros dois sócios, entre eles um gerente da Eletronorte que foi colega de Erenice no sindicato do setor elétrico no DF, nos anos 80.

O marido de Erenice é ligado também à Unicel, empresa de telefonia que fez testes de uma rede de telecomunicações no Ministério da Defesa e na Presidência da República e, três anos depois, ganhou atestado de capacidade técnica inédito da Diretoria de Telecomunicações da Presidência.

Amigos do filho da ex-ministra também ganharam cargos na Casa Civil. Israel Guerra, Stevan Kanezevic, Vinícius Castro e Marcelo Moreto trabalharam na Anac (Agência Nacional de Aviação Civil). Depois, os três amigos do filho de Erenice foram nomeados para cargos na Casa Civil, sob Dilma.

Castro e Stevan deixaram os cargos na semana passada, após acusações de que usavam a empresa Capital Consultoria para intermediar negócios com o governo.

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