sexta-feira, 19 de maio de 2023

Bruno Boghossian - Centrão acelera o plano Tarcísio

Folha de S. Paulo

Trio bolsonarista fala de inelegibilidade e desenha articulações partidárias por governador paulista

Na política, mesmo as hipóteses costumam ser tratadas com cautela. Um presidente impopular não admite publicamente que corre risco de sofrer impeachment. Um candidato pouco competitivo evita especulações sobre o apoio que dará no segundo turno, sob pena de reconhecer a derrota com antecedência.

Aliados de Jair Bolsonaro deixaram a fase da hipótese para trás quando o assunto é a inelegibilidade do ex-presidente. Na mesma semana, Valdemar Costa Neto, Ciro Nogueira e Flávio Bolsonaro falaram do cenário com desenvoltura e deitaram cartas na mesa sobre a sucessão na direita.

Os três pareciam ter combinado o discurso. Na GloboNews, Valdemar protestou por alguns segundos contra um possível veto a Bolsonaro na eleição, mas logo desfiou nomes que podem substituí-lo na urna. Nogueira seguiu o mesmo roteiro em entrevista ao Valor Econômico, assim como Flávio no jornal O Globo.

A direita faz as contas para um 2026 sem Jair Bolsonaro como candidato porque ouviu o som que sai do TSE. Ainda que prepare uma gritaria contra o que consideram uma injustiça, o trio tenta mandar a mensagem de que a direita não depende do ex-presidente na urna e de que o terreno está pronto para um sucessor.

O sinal mais relevante das entrevistas talvez tenha sido a exposição de movimentações partidárias para uma candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas. Valdemar soltou que o governador, hoje filiado ao Republicanos, teria que "sair com o 22", número do PL. Ciro Nogueira montou até uma coligação para Tarcísio.

O centrão bolsonarista está mais interessado no governador do que em seu ex-chefe. Valdemar reconheceu que o extremismo de Bolsonaro tira votos, e Nogueira admitiu que Tarcísio atrairia mais partidos do que a chapa do ex-presidente.

A ideia é somar o núcleo de Bolsonaro (PL, PP e Republicanos) ao PSD (aliado de Tarcísio) e ao MDB (que quer apoio do grupo na capital paulista). Na prática, portanto, a candidatura pode ameaçar a estabilidade da coalizão de Lula até 2026.

 

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