quinta-feira, 5 de fevereiro de 2026

O futuro de Haddad e a dança das cadeiras no BC. Por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Negociação do ministro da Fazenda com vistas às eleições passa por acertos finais com Lula

Galípolo pode mudar posições na diretoria do Banco Central para reduzir o impacto da escolha de Guilherme Mello

Prestes a deixar o cargo, Fernando Haddad vem se manifestando resistente à pressão para assumir uma candidatura em São Paulo nas próximas eleições. O ministro diz que prefere assumir uma posição na campanha de Lula e conta que está conversando com o presidente para ver "quem convence quem".

A relutância em correr o risco de uma nova derrota eleitoral para ajudar a puxar voto em São Paulo lhe confere poder de negociação com Lula sobre o seu futuro no PT e em decisões que terão de ser tomadas em breve.

Os planos para 2030 estarão em discussão nessa conversa. Para o presente, Haddad quer fazer Dario Durigan, secretário-executivo da Fazenda, o seu sucessor.

Pretende também garantir o endosso de Lula à sua indicação dos dois novos diretores para o BC. Em jogo, a escolha do seu secretário Guilherme Mello, ligado ao PT, para uma das vagas. Numa jogada de xadrez, Haddad revelou que indicou para Lula os nomes de Mello e do economista Tiago Cavalcanti. Não faria esse lance se achasse que pode perder a disputa pelas indicações com o presidente do BC, Gabriel Galípolo.

Certamente dirá a Lula que não pode perder mais essa. A negociação do seu futuro nas eleições passa por esses acertos finais.

Isolado em meio ao avanço das investigações do escândalo do Banco Master, que atingem políticos, Galípolo está vendo Lula deixar aliados irem para o ataque a ele e o ao BC. No caso de perder a indicação, tem em mãos ainda o poder de fazer uma dança das cadeiras dentro da diretoria para diminuir o impacto de uma eventual escolha de Mello para a Diretoria de Política Econômica, a mais importante.

O órgão tem hoje oito cargos de diretor. O presidente do BC escolhe em qual cadeira cada diretor vai sentar. Essa é a regra. A base está no decreto 91.961, de 1985. O regimento interno repete esse preceito.

A pergunta de quem acompanha os movimentos recentes é o que Lula ganha enfraquecendo o presidente do Banco Central, agora que vai usufruir o ganho de credibilidade no combate da inflação iniciando um ciclo de corte. Parece fora de propósito.

 

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