domingo, 22 de fevereiro de 2026

Justiça que tarda, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Na mira por escândalo de 2022, governador estuda antecipar saída para evitar cassação

O Tribunal Superior Eleitoral marcou para 10 de março a retomada do julgamento de Cláudio Castro. Se for condenado, o governador do Rio será cassado e perderá os direitos políticos por oito anos.

Castro é acusado de usar a máquina e desviar dinheiro dos cofres do estado para se reeleger em 2022. O caso, conhecido como escândalo dos cargos secretos, foi revelado ainda durante a campanha. Envolvia o uso irregular da Uerj e da Fundação Ceperj para contratar milhares de cabos eleitorais, remunerados com saques na boca do caixa.

Em maio de 2024, o governador foi julgado no Tribunal Regional Eleitoral e escapou por apenas um voto. A Procuradoria-Geral Eleitoral recorreu ao TSE, onde o processo passou a andar a passo de tartaruga. Ficou adormecido por um ano até finalmente ser levado ao plenário em novembro passado.

O poder da moeda e a democracia, por Míriam Leitão

O Globo

Governo Trump leva à queda do dólar e venda de T-Bonds. Economista explica os movimentos contraditórios da economia

A economia tem dado sinais de um mundo em transição. Os indicadores apontam para direções diferentes. A administração Trump eleva a incerteza econômica, uma das razões da queda do dólar. A bolsa americana está em alta, e o ouro também sobe. A bolsa em alta pode ser confiança nas empresas, mas o ouro é um ativo típico de períodos de crise. Há sinais de que diversos países, como a China, têm diversificado suas reservas, reduzindo a quantidade de dólar. Mas o volume de investimentos em Treasury Bonds é tão alto que os países que quiserem abandonar esses títulos não têm para onde levar tanto dinheiro.

Tio Dorico ficou fora do desfile, por Elio Gaspari

O Globo

A Acadêmicos de Niterói levou Lula para a avenida. Cantou um samba com jeito de tese de doutorado e foi rebaixada. Nada a ver com a beleza da exaltação de Mestre Ciça. Cantaram a vida de Lula, em certos momentos na voz de Dona Lindu (Eurídice Ferreira de Mello), sua mãe.

Na sua voz:

“Com o peito em pedaços

Parti atrás do amor e dos meus sonhos

Peguei os meus meninos pelos braços

Brilhou um sol da pátria incessante

Pro destino retirante

Te levei, Luiz Inácio

Por ironia, treze noites, treze dias

Me guiou Santa Luzia, São José alumiou

Da esquerda de Deus Pai, da luta sindical

À liderança mundial.”

Três tempos, por Dorrit Harazim

O Globo

O futuro palestino se anuncia pior que o passado; e, do presente, poucos querem se lembrar

Passado, presente, futuro — a história de Gaza e da Palestina anda revolta em três tempos, simultaneamente. São tempos interligados, que têm em comum o apagamento da pegada histórica, física e cultural de todo um povo. Na mesma semana em que o venerando Museu Britânico removeu o termo “Palestina” de parte de seu acervo permanente sobre o Oriente Médio, a menção à situação em Gaza despencou para 1,5% do noticiário nas mídias dos Estados Unidos, e Donald Trump estreou em Washington seu Comitê de Paz para tornar o enclave mais desfrutável (e rentável) no futuro.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Mendonça tem impacto positivo no caso Master

Por O Globo

Ao suspender obstáculos à atuação da PF, novo relator contribui para a qualidade das investigações

O novo relator do caso do Banco Master no Supremo Tribunal Federal (STF), ministro André Mendonça, foi feliz nas primeiras decisões que tomou no processo. Mesmo mantendo o caso sob sigilo, autorizou que a custódia, a extração e a análise das provas colhidas pela Polícia Federal (PF) na Operação Compliance Zero seguissem o fluxo normal de todas as operações policiais e determinou que qualquer perito habilitado poderá ser designado para o trabalho. Mendonça também permitiu que a PF voltasse a compartilhar com a CPMI do INSS os dados sigilosos sobre o caso cujo acesso estava restrito à presidência do Senado.

Quando o impoderável entra em cena, por Gaudêncio Torquato

Folha de S. Paulo

História política brasileira está repleta desses momentos; análise eleitoral deve acompanhar doses de humildade

A política não é apenas a arte do possível, mas também a ciência do imprevisível

Na política, há um fator incontrolável que não pede licença para entrar no saguão eleitoral e mudar o mapa dos votos. É o imponderável. Pode ocorrer a qualquer momento, em qualquer lugar. Acidentes ou incidentes graves, eventos de grande impacto, borrascas inesperadas se escondem na caixa das coisas imponderáveis —prontas para saltar sobre campanhas que pareciam seguir, firmes, o roteiro previamente traçado pelos marqueteiros.

Conto uma historinha.

O último dos bolsonaristas, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Máquina neofascista intensifica coordenação psíquica dos indivíduos, liberando-os para seguir os próprios instintos por mais persecutórios e violentos que sejam

Não tem a ver com realidade econômica nem política, mas com o temor ressentido de que a identidade pessoal esteja ameaçada

Num aprazível condomínio da região serrana do Rio vive o que me apontaram como "o último bolsonarista". Uma hipérbole, senão mero exagero; basta conferir as pesquisas eleitorais. Mas ele representa todo conjunto onde ninguém mais admite publicamente conexão com Bolsonaro, embora guarde ativo o fetiche do nome. Como um palavrão silencioso. "Último" também metaforiza aqui o inglês "ultimate", que designa atitude extrema, de ir até o fim.

Cada um no seu quadrado, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A troca de diretas e indiretas entre governador de SP e secretário indica que devem seguir separados até a eleição

As divergências político-eleitorais provocam a mudança de um projeto político que até então unia os dois

Todo gesto na política tem um significado. Quando acompanhado de palavras, uma leitura das entrelinhas ajuda a esclarecer a intenção. Passada no raio-X, a manifestação de Gilberto Kassab (PSD) na sexta-feira (20) indica um afastamento de Tarcísio de Freitas (Republicanos).

Primeiro, o contexto: no fim de janeiro, quando ficou claro que o governador abandonaria a ideia de se candidatar à Presidência para apoiar Flávio Bolsonaro (PL), o secretário de Relações Institucionais do governo de São Paulo falou que o chefe precisava ter "personalidade", criar "identidade" e não se submeter aos ditames do bolsonarismo.

O que vai fazer Trump depois de perder a licença para matar no comércio mundial, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Tarifaço era guerra por outros meios. Estados Unidos vão agora dar mais tiros de verdade?

Intervencionismo estatal vai continuar. Até agora, mexeu pouco em PIB e comércio do mundo

A Suprema Corte tirou de Donald Trump a "licença para matar" comercial, a liberdade para aumentar à vontade impostos de importação. Era instrumento importante de guerra econômica e de elevar receita. A redução de poder deve ser compensada pelo recurso a outras leis de tributação do comércio exterior —ou a armas reais. De passagem: o Brasil precisa prestar atenção a essa mudança, que pode ser mais perigosa do que o tarifaço de 40 pontos percentuais.

Suprema Corte puxa a coleira de Trump, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

É a primeira vez que as instituições americanas puxam com força a coleira do ocupante da Casa Branca

Decisão pode ajudar a oposição nas eleições legislativas; se Trump perder maioria, escalada autoritária pode fracassar

Suprema Corte americana derrubou as tarifas de Donald Trump. É a primeira vez que as instituições americanas puxam com força a coleira do ocupante da Casa Branca.

A Constituição americana, no seu artigo 1º, seção 8, estabelece que cabe ao Congresso americano decidir sobre impostos e tarifas. Nas palavras de James Madison, só o Congresso teria "acesso aos bolsos do povo".

Teses sobre Feuerbach, por Karl Marx, (escrito, 1845)

I

O defeito fundamental de todo materialismo anterior - inclusive o de Feuerbach - está em que só concebe o objeto, a realidade, o ato sensorial, sob a forma do objeto ou da percepção, mas não como atividade sensorial humana, como prática, não de modo subjetivo. Daí decorre que o lado ativo fosse desenvolvido pelo idealismo, em oposição ao materialismo, mas apenas de modo abstrato, já que o idealismo, naturalmente, não conhece a atividade real, sensorial, como tal. Feuerbach quer objetos sensíveis, realmente diferentes dos objetos de pensamento; mas tampouco concebe a atividade humana como uma atividade objetiva. Por isso, em A Essência do Cristianismo, só considera como autenticamente humana a atividade teórica, enquanto a prática somente é concebida e fixada em sua manifestação judia grosseira. Portanto, não compreende a importância da atuação "revolucionária", prático-crítica

II

Poesia | Velha chácara, de Manuel Bandeira

Música | Mônica Salmaso - Ciranda da Bailarina