terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Os riscos da Sapucaí, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O carnaval do presidente Lula da Silva vai virar espuma. E se fosse Jair Bolsonaro?

A ida do presidente Lula à Sapucaí e a homenagem que recebeu da Escola Acadêmicos de Niterói são daquelas coisas que levantam debate, muitas vozes de especialistas, defesa dos governistas e críticas e ações da oposição, mas... é tudo espuma, pelo menos sob o ponto de vista jurídico. Só que a questão também é política.

É evidente que Lula tirou uma casquinha eleitoral do “maior espetáculo da Terra” e a escola ganhou visibilidade desproporcional na sua estreia no Grupo Especial. Mas fica nisso. Lula não deve sofrer punições nem deve ter conquistado um único voto e a escola corre o sério risco de ser rebaixada para a Série Ouro.

Lula antissistema, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

O caso Master veio para ficar. Pautará os humores eleitorais em 2026, ministrado como capítulos de novela. Lula compreendeu a projeção de risco e decidiu botar o bloco discursivo na rua. Tenta se antecipar. Sabe que a forma como a crise é percebida tende a colar no governo de turno. Sabe que a crise pode mobilizar-animar o sentimento anticorrupção. Mais precisamente, o sentimento antissistema – que já decidiu eleição entre nós. O presidente é favorito à reeleição e aquele que tem mais a perder, sob quem se abriria o prejuízo de um chão de imprevisibilidade.

Advogados e cidadãos afastados do Judiciário, por Antonio Cláudio Mariz de Oliveira

O Estado de S. Paulo

Calar o advogado é calar o jurisdicionado e ferir de morte a liberdade individual e a democracia

Os constituintes de 1988 atuaram visando a instituir um extenso arcabouço constitucional voltado para a proteção do homem brasileiro. Essa intenção se materializou no artigo 5.º da Lei Maior, que outorga direitos e garantias de amplo espectro e abrangência. A proteção visa a blindá-lo contra o arbítrio estatal, garantir-lhe atributos ligados à sua personalidade, honra, dignidade e faculdades com origem no próprio direito natural.

Todos os direitos inscritos no artigo 5.º devem ser exercidos de forma direta, sem limitações ou barreiras. Efetivá-los é exercer a cidadania.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Homenagem a Lula na Sapucaí teve ar de campanha antecipada

Por O Globo

Cabe ao TSE avaliar as punições que julgar adequadas para o desfile da Acadêmicos de Niterói

No ano em que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pretende disputar a reeleição, a escola de samba Acadêmicos de Niterói, estreante no Grupo Especial, escolheu apresentar na Marquês de Sapucaí o enredo “Do alto do mulungu surge a esperança: Lula, o operário do Brasil”. Foi impossível disfarçar o tom de propaganda eleitoral antecipada, como pôde perceber qualquer um que tenha assistido ao desfile no domingo à noite.

Casos Master e INSS fazem de André Mendonça coringa na eleição, por Juliano Spyer

Folha de S. Paulo

Modo como ministro conduzirá os temas influenciará a percepção sobre os evangélicos

Envolvimento de cristãos com corrupção tem prejudicado reputação das igrejas

Um dos momentos marcantes do governo de Jair Bolsonaro foi a indicação de um ministro "terrivelmente evangélico" para o STF. Poucos anos depois, André Mendonça torna-se relator de dois casos que, segundo analistas, podem implodir a República.

O que esperar então de Mendonça? Tudo isso no ano em que Lula, aos 80 anos, deve enfrentar sua sétima campanha presidencial, possivelmente contra o filho do presidente que indicou um evangélico ao Supremo.

O contexto político, no entanto, traz sinais confusos. Duas figuras centrais do conservadorismo evangélico —Michelle Bolsonaro e o pastor Silas Malafaia— foram decisivas para a aprovação de Mendonça e agora resistem à candidatura de Flávio.

Brasil está em modo eleitoral, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Governantes e candidatos passam a perseguir bandeiras que se transformem em votos

Risco é a adoção de políticas erradas ou menos eficazes do que poderiam ser se implementadas com calma

homenagem que uma escola de samba fluminense fez a Lula viola a legislação eleitoral? A escola, afinal, recebeu verbas federais (todas receberam) e o próprio presidente e ministros acorreram ao desfile, embora tenham exercido alguma discrição.

TSE, até aqui, agiu corretamente. Não proibiu o desfile, o que configuraria intervenção absurda na liberdade de criação artística, mas disse em alto e bom som que o petista correria riscos —daí a cautela do entorno presidencial. Veremos se isso vira um processo de abuso de poder político e econômico. Após as condenações eleitorais de Bolsonaro, o TSE está moralmente obrigado a ser rigoroso nessa matéria.

Egotrip faz Lula ultrapassar o limite da tolerância, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Afago no ego não compensa o prejuízo que Lula terá ao despertar atenção para o uso do cargo na campanha

Até o desfile-exaltação na Sapucaí, o presidente contava com o benefício de um ambiente de cegueira deliberada

Mais do que nunca é válido o conselho de Chico Buarque para que o governo do PT criasse o ministério do vai dar errado —o nome exato da pasta vocês sabem qual é— a fim de não escorregar em cascas de banana visíveis.

Gênio da música e da poesia, eleitor de admirador de Luiz Inácio da Silva, Chico fez o alerta há mais de vinte anos. Às vésperas do Carnaval, João Santana, marqueteiro dos tempos de glória, deu de graça uma lição: folia e política não se bicam.

Castro ameaça trair Bolsonaro pela primeira vida na vida, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Eleição indireta de governador-tampão motiva a discórdia

Desentendimento entre centrão e extrema direita paralisa o Rio

Na cabeça de Cláudio Castro, parecia a tramoia perfeita. Em maio de 2025, o governador indicou o vice, Thiago Pampolha, de 38 anos, para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas. "Thiago é novo, mas rodado", justificou.

O ardil permitiria que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, assumisse a máquina do Palácio Guanabara para disputar a sucessão. Um presente de cupincha. Castro não se dava bem com Pampolha, que de lambuja passou a controlar a Cedae, empresa de saneamento com receita anual de R$ 3 bilhões, hoje investigada por aplicações no Banco Master.

Poesia | Talvez o vento saiba, de Ivan Junqueira

 

Música | Getúlio Cavalcanti - Último Regresso