quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Um desfile de equívocos, por Vera Magalhães

O Globo

Quem não vota em Lula não tem por que mudar de ideia depois do desfile eivado de obviedades, puxa-saquismo e boa dose de mistificação

O fuzuê armado com o desfile da Acadêmicos de Niterói em homenagem a Lula é um daqueles episódios que envolvem enorme risco para todos os envolvidos, mobilizam fartamente pessoas, instituições e espaço na imprensa — e podem não produzir ganho para ninguém.

Para a escola, o que deve ter parecido uma jogada genial no momento da definição do enredo pode ser um tiro n’água. Diferentemente de outras agremiações que faturam alto com patrocínio estatal diante de enredos igualmente laudatórios e feitos sob encomenda, as restrições da Justiça Eleitoral acabaram por blindar os cofres públicos.

Trabalhadores do Brasil, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em prefácio a livro de discursos, presidente revê opinião sobre legado do antecessor

Em 1979, Leonel Brizola baixou em São Bernardo do Campo para visitar o presidente do Sindicato dos Metalúrgicos. Queria atraí-lo para o projeto de refundação da legenda histórica do PTB.

Recém-chegado do exílio, o ex-governador discorria sobre as tradições do trabalhismo quando Lula o interrompeu com uma frase seca: “Getúlio ferrou o trabalhador”. A conversa acabou em constrangimento: o anfitrião nem se levantou da cadeira para se despedir.

Estrela do novo sindicalismo, Lula associava o nome de Vargas aos pelegos que dominavam a velha estrutura sindical corporativista e subordinada à ditadura. Chamava o ex-presidente de “pai dos pobres e mãe dos ricos” — uma heresia aos ouvidos de Brizola, que dizia representar o “fio da história” de lutas sociais rompido pelo golpe militar.

STF precisa fechar a delegacia, por Elio Gaspari

O Globo

Tudo aquilo de que o Brasil não precisa é um conflito entre a Polícia Federal e o Supremo

Uma série de circunstâncias jogaram o Supremo Tribunal Federal (STF) no olho de um furacão político que só amainou depois que os responsáveis pela trama golpista de 2022/2023 foram encarcerados. Nessa crise, escreveu uma de suas melhores páginas. Destacou-se nessa sucessão de episódios a figura do ministro Alexandre de Moraes.

Passado o furacão, o Tribunal embananou-se ao lidar com o caso do Banco Master e suas conexões políticas e financeiras. A reunião da semana passada, que tirou o ministro José Antonio Dias Toffoli da relatoria do caso, teve uma coreografia primorosa, mas não enganou ninguém. O propósito era afastar Toffoli, mas para enfeitar a cena avançaram em cima da Polícia Federal (PF).

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil encontrou rumo no combate ao desmatamento

Por O Globo

É preciso celebrar índices melhores, mas país enfrenta outros desafios, como incêndios e criminalidade

É de bom augúrio a queda de 11% no desmatamento na Amazônia Legal em 2025 sobre o ano anterior, apurada pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe). Se comparada a 2022, a perda de vegetação caiu pela metade. No ano passado, a área devastada foi estimada em 5.796 quilômetros quadrados, a menor em 11 anos e a terceira mais baixa da série histórica. Claro que a região ainda concentra problemas graves para além da questão ambiental, em particular o avanço do crime organizado, mas não deixa de ser um dado positivo.

Os genes egoístas de Trump, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pesquisadores propõem modelo neorrealista para entender ações de presidente dos EUA

Ele não defenderia interesses do país, mas os da família, como numa corte de monarquia absolutista

Trocar as lentes que utilizamos para interpretar fenômenos pode esclarecer muita coisa. Richard Dawkins promoveu uma pequena revolução conceitual na biologia ao destacar, em 1976, que são os genes, e não o indivíduo ou a espécie, a unidade fundamental sujeita à seleção natural. São os genes que buscam perpetuar-se e, ao contrário de indivíduos e espécies, que têm data mais ou menos marcada para morrer ou extinguir-se, podem perdurar pelo tempo em que existir vida na Terra.

Ao proteger o ninho, STF arrisca perder o que sustenta sua autoridade, por Wilson Gomes

Folha de S. Paulo

Corte parece não reconhecer o valor político do sentimento público

Ministros reiteram a fé em Toffoli como se a lealdade tribal pudesse alterar a percepção externa sobre o caráter

Há 30 anos, inicio minhas aulas sobre comunicação política na universidade explicando que, em nossa especialidade, não nos ocupamos diretamente dos fatos ou da realidade. Disso tratam sociologia, história, economia e jornalismo. Na comunicação política, explico, ocupamo-nos das aparências: do modo como as coisas parecem ser, da percepção pública dos fatos, das convicções que pessoas e grupos formam sobre a realidade —ou sobre aquilo que se convenceram que a realidade é.

Supremo sob estreita vigilância, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Dias Toffoli saiu da relatoria do processo, mas o caso do Master não saiu das suspeições sobre o ministro

STF está sob o escrutínio da sociedade e da legalidade, assim como qualquer uma das instâncias de poder

Ao interromper as férias para tentar pôr um freio de arrumação na torrente de críticas ao Supremo Tribunal Federal, em janeiro, o ministro Edson Fachin alertou para a necessidade de a corte se conter, sob pena de ser contida por força de controle externo.

Estamos quase em março, com o país prestes a retomar um ritmo que neste ano nada tem de normal. Primeiro, porque 2026 começou antes da data habitual: quando o Carnaval chegou, pegava fogo na cena política o caso Master. Segundo, porque é ano de eleição com campanha para lá de antecipada.

Poesia | Reconciliação, de Goethe

 

Carmélia Alves - É de fazer chorar, de Luiz Bandeira