Ministério Público anuncia investigação sobre doação de carne pelo governo ao MST, que ocupa prédio público
Biaggio Talento* e Paula Pitta*
SALVADOR. Os sem-terra que invadiram o prédio da Secretaria de Agricultura e Reforma Agrária (Seagri) da Bahia no início da semana e estão sendo presenteados com 600 quilos de carne por dia pelo governo do estado foram homenageados ontem pela Assembleia Legislativa baiana. Militantes do MST com facões foram autorizados a montar acampamento no plenário da Casa. O coordenador estadual do MST, Márcio Matos, disse que o grupo foi convidado pelo deputado estadual Marcelino Galo para uma sessão dedicada ao massacre de Eldorado do Carajás.
O Ministério Público da Bahia deve instaurar, na próxima semana, processo de investigação sobre a compra da carne e o patrocínio da infraestrutura para o acampamento de três mil integrantes do MST na Seagri.
A promotora Eliete Rodrigues, do Grupo de Defesa do Patrimônio Público e da Moralidade Administrativa, disse que o caso chama atenção:
- Sabemos que a reforma agrária é de interesse público, mas as despesas de mobilização de uma organização privada como o MST, não - disse ela. - A obrigação do Estado é adotar providências para viabilizar a reforma, seja desapropriando terras ou dando assistência técnica às famílias nos assentamentos.
Para Eliete, não consta como obrigação do Estado pagar as despesas de uma entidade como o MST. Matos disse que os três mil sem-terra vão continuar acampados na Seagri enquanto não entrarem em acordo com o governador Jaques Wagner.
* Da Agência A Tarde
FONTE: O GLOBO
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