terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

Castro ameaça trair Bolsonaro pela primeira vida na vida, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Eleição indireta de governador-tampão motiva a discórdia

Desentendimento entre centrão e extrema direita paralisa o Rio

Na cabeça de Cláudio Castro, parecia a tramoia perfeita. Em maio de 2025, o governador indicou o vice, Thiago Pampolha, de 38 anos, para uma vaga de conselheiro do Tribunal de Contas. "Thiago é novo, mas rodado", justificou.

O ardil permitiria que o presidente da Assembleia Legislativa, Rodrigo Bacellar, assumisse a máquina do Palácio Guanabara para disputar a sucessão. Um presente de cupincha. Castro não se dava bem com Pampolha, que de lambuja passou a controlar a Cedae, empresa de saneamento com receita anual de R$ 3 bilhões, hoje investigada por aplicações no Banco Master.

Castro é do PL, Pampolha do MDB, Bacellar do União Brasil, partidos de direita e de extrema direita que há décadas dominam o Rio de Janeiro na base do clientelismo e do fisiologismo —sempre conspirando uns contra os outros.

Castro não demorou a se desentender com Bacellar, que na Alerj e nas vezes em que substituiu o governador passou a agir como capo di tutti capi. Chegou a ser citado numa investigação do Ministério Público por "alugar" o município de Cambuci, no noroeste fluminense, com pagamentos de R$ 160 mil por mês ao prefeito Oswaldo Botelho.

A tramoia implodiu em dezembro com a prisão de Bacellar. A Polícia Federal revelou seu envolvimento com o crime organizado que atua dentro da Alerj. Afastado da presidência por decisão do Supremo, ele não saiu de cena e resiste a renunciar. Continua influente —até porque está usando uma tornozeleira eletrônica, sinal de status entre seus pares.

A paralisia do Executivo e do Legislativo é total. O Rio está sem vice-governador e, com a saída do titular para disputar o Senado, um governador-tampão será escolhido em eleição indireta. Castro quer indicar o chefe da Casa Civil, Nicola Miccione, fácil de manejar. Flávio Bolsonaro prefere o secretário estadual das Cidades, Douglas Ruas, para lançá-lo como candidato ao governo.

Castro ameaça trair o bolsonarismo pela primeira vez na vida e ir para o centrão. Como se entoasse um louvor e rodasse a baiana ao mesmo tempo.

 

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