O Estado de S. Paulo
Trump e Eduardo Bolsonaro criam um clima de ‘barata voa’ na direita bolsonarista
Jair Bolsonaro chega à reta final do
julgamento pelo golpe já derrotado, jurídica e politicamente. Eduardo Bolsonaro
está prestes a ser expelido do PL, em favor de Tarcísio de Freitas. Carla
Zambelli foi mantida em prisão fechada na Itália. O Congresso avança no PL da
adultização e adia a PEC da blindagem a parlamentares. De quebra, Javier Milei
despenca nas pesquisas e é recebido com pedras e garrafas em evento na
Argentina, depois de escândalo de corrupção.
O que isso tudo significa? Que a extrema direita incensada por Donald Trump não está com essa bola toda pelas nossas bandas, o horizonte é de ascensão de uma direita menos belicosa e, no Brasil, de uma disputa em 2026 entre Lula e Tarcísio, ambos empurrados para o centro, um na centro-esquerda, outro na centro-direita.
Inelegível, preso em casa, cercado de
policiais, de tornozeleira e às vésperas de ser julgado pela tentativa de
golpe, junto com seus generais, Bolsonaro já não é sequer listado como
presidenciável em 2026, diferentemente de Trump, que perdeu a reeleição, atiçou
o golpe contra o Capitólio e voltou à presidência na eleição seguinte. Faltou
um Xandão para investigar e cobrar responsabilidades nos EUA.
O que se discute já é o póscondenação de
Bolsonaro. Condenado, vai perder a patente de capitão do Exército? Pelo próprio
Supremo ou pela Justiça Militar? Ficará preso em casa, num quartel ou na
Papuda? São perguntas que envolvem questões legais, mas também políticas, em se
tratando de um ex-presidente.
Há um “barata voa” no bolsonarismo, enquanto
adversários comemoram a impulsividade – ou “imaturidade”, como define seu
próprio pai – e a falta de inteligência, estratégia, visão política e
patriotismo de Eduardo Bolsonaro, que xinga tudo e todos, divide a direita e
empurra o centro para Tarcísio. Virou seu cabo eleitoral e só piorou a posição
de Jair Bolsonaro. Como defender um ataque à soberania nacional e aos
brasileiros em favor de uma única pessoa?
Zambelli se tornou um símbolo da debacle,
correndo de arma em punho pela rua, contratando um condenado para invadir o
sistema digital do STF, introduzindo documentos falsos, até da prisão de
Alexandre de Moraes. Coisa de bom moço, ou boa moça, não é.
E Milei? Ele assumiu um país despedaçado e
erra a mão ao juntar os cacos. A inflação despencou e o superávit disparou, mas
moradia, saúde, educação, impostos, gás, luz, transporte? Queridinho de Wall
Street, asfixia classe média e pobres. Zambelli é um símbolo do bolsonarismo,
Milei é um alerta sobre a extrema direita trumpista no continente.
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