Fez lembrar a provocação evasiva da sua lavra do “NÓS E ELES”, que alçava a concorrente na disputa eleitoral ao cargo de Presidente da República, em 2022, a figura de um militar da reserva, deputado federal falastrão, mas com vários mandatos. No Congresso, era considerado “Baixo Clero”.
No terceiro mandato, desde 2022 vem amargando, contudo, as tentativas de apagar a sombra política que ele mesmo criara, cuja presença transcendente está se incorporando as suas características pessoais e crenças de ser o opositor uma divindade do mal. Recursos destinados ao novo gabinete da Janja e um “descarrego espiritual” conduziu-o a avenida para divertir-se numa escola de samba de segunda ou terceira divisão, propiciando-os a oportunidade de desfilar ao lado das maiores agremiações carnavalescas do Brasil, sob a vistas de milhões de brasileiros. “É uma pena abandonar um “Projeto de Futuro” para retomar às “práticas do passado” , declarou o ex-presidente Michel Temer , ao ver o seu governo e o seu nome achincalhado no desfile da escola Acadêmicos de Niterói. Um sujo falando do “mal lavado”.
Acusada de protagonizar propaganda
eleitoral proibida fora de época , numa agressão aberta
à legislação em vigor, a escola de Niterói foi, de imediato, rebaixada pela
organização do carnaval carioca. A tentativa de parecer uma homenagem
ao atual Presidente da República, contando a sua história como um
vencedor, procurou, ao mesmo tempo, deslustrar os Chefes
de Estado que o antecederam. Ignorou totalmente os escândalos de
corrupção que marcaram seus governos, e que
contribuíram para desestabilizar a governança
no Brasil. Com inverdades e dissimulações, própria
de narrativas de boteco, faz ainda falas arrogantes
e intempestivas, legando os ideais trabalhistas a um
plano secundário...
“Eleição é guerra!”, com
uma débil defesa da democracia “relativa”, que só o general
Ernesto Geisel soube explicar, alude todo o tempo aos
riscos de golpe militar, cultivado em noites mal
dormidas no Alvorada. Para justificar-se, promove
um híbrido “Paternalismo de Estado”, com despesas
inimagináveis com essa do carnaval, na expectativa de confundir a
população. Concomitante, vai “fabricando crises”, voltadas para
a visibilidade pública do Presidente. Conseguiu naturalizar a compra
de lealdades políticas,
no Congresso, de partidos e de governos
estaduais para a aprovação de projetos de interesse do
governo. O “Petrolão” e o “Mensalão” foram enterrados pelo
Supremo Tribunal Federal.
Mudaram-se também os artifícios de financiamento da politicagem. A estratégia de cooptação levou a concessão recente de empréstimos R$ 207 bilhões a estados e municípios, a maioria grandes “caloteiros”, com o aval do Tesouro Nacional, assustando até ministro Fernando Haddad, da Fazenda. O velho e torpe ditado que diz que “É dando que se recebe” , acoberta os autores do desvio de R$320 bilhões nas contas de aposentados e pensionistas do Instituto de Previdência Social (INSS). O falido Banco Master e as instituições financeiras ao seu redor, cujo presidente era visto nas ante salas de Governos, captou investimentos de cerca de 100 planos de Previdência ligados a estados e municípios, provocando um prejuízo de R$ 52 bilhões a 160 mil correntistas, iludidos com a oferta de juros de 30 por cento ao ano na média.
Na chefia da Nação, o Presidente
candidato promete abertamente se valer de tudo o quanto puder para
reeleger-se a um quarto mandato presidencial, projeto só conseguido por
ditadores longevos auto empoderados. No caso brasileiro, ao
invés de ratificar a cultura ocidental - aqui mora o
perigo (Ver discurso do secretário de Estado norte-americano. Marco
Rúbio, no congresso de segurança dos europeus semana passada) - Lula
optou pelo exemplo das lideranças islâmicas
e comunistas orientais . Inseguro, preferiu ficar no
meio do caminho, inspirando-se em outros que fizeram a mesma
coisa – Peron, Getúlio, Kubitschek -, sem saber bem para onde
ir.
Sob conselhos de terceiros e envaidecido
pela criativa sobrevivência, tenta forjar-se carismaticamente como “lulismo”. Deixou-se
influenciar por outros vaidosos como Fidel Castro (Castrismo), Hugo
Chavez (chavismo), os Kirchners (kirchinerismo) que se sustentaram
no Poder absoluto, mediante, contudo, a perseguição
a opositores e até às Igrejas cristãs. Incorporou à ideia de que,
constitucionalmente, ele é o comandante em Chefe das Forças
Armadas. Assim, procura dar vida a esse
tal carisma que incomoda correligionários dentro do Partido dos
Trabalhadores.
Perto de 100 milhões de pessoas beneficiadas
com as doações e “bolsas” – família, estudantil, gás de cozinha - com dinheiro
público - estão na mira das eleições. Fazem parte de um cadastro de endereços
do Governo . Até que o Tribunal Superior Eleitoral aprove a nova lei
regulamentando as condições do pleito de outubro, Lula, como Presidente da República,
se considera livre para fazer suas “trapalhadas eleitoreiras”. Enquanto isso,
tenta desqualificar e atropelar as potenciais oposições e a legislação
eleitoral. Cada manifestação pública dele gera uma nova crise política. A
resposta é sempre a mesma: “O recado está dado!”. De maneira irresponsável,
deixa as defesas e contestações jurídicas para seus advogados, atrás dos quais
existe uma muralha erguida dentro de um Judiciário aparelhado. A política
fiscal está indo para o brejo e os investimentos estrangeiros olham de longe,
tentando decifrar no que isso tudo vai dar no final.
Um olhar mais isento sugere que as aventuras
de Lula parecem mais fruto de uma vaidade pessoal, sem direção clara e cheia de
frases de efeito explosivas, fáceis de memorizar e de atingir emocionalmente a
população. Desde o primeiro mandato, como responsável também pela gestão do
Poder do Estado, Lula vem atravessando a economia, , agredindo a política
fiscal, com gastos ousados e projetos paternalistas, concessão de subsídios,
isenções, doações, até no exterior. Internamente, para os mais pobres
impulsionou chamadas bolsas - família, financiamento estudantil, bolsa
estudante, bolsa de gás – e ainda, dispensou da declaração aqueles com renda de
até R$ 5 mil. A crise das emendas parlamentares, aparentemente criada pelo
ministro do STF, Flávio Dino, ao exigir a prestação de contas de aplicação dos
recursos, tirou a autonomia de senadores e deputados nas próprias bases
eleitorais.
As crises forjadas na mente criativa do
ex-sindicalista Presidente intencionalmente catárticas, amparadas, em sua
maioria, pelo silêncio conivente do STF, onde 8 dos 11 ministros foram
colocados no topo da Nação, com o aval submisso do Congresso . São esses
mesmos que vão realizar as próximas eleições presidenciais, em outubro deste
ano, sem que o Presidente candidato precise se afastar do cargo para
concorrer.
Tentando evitar confundir o Partido com o
Governo, os correligionários começam a se sentir incomodados, ao perceber a
falta de um gestor seu à frente da máquina do Estado. Tem se submetido a
concorrência interna com um suposto carisma de Lula, e vem submergindo às
vaidades pessoais do antigo líder sindical, com o risco de desaparecer junto
com ele., já em idade avançada. Alguns petistas não se iludem com a aparente
disposição física do velho companheiro.
* Jornalista e Professor

Nenhum comentário:
Postar um comentário