O Estado de S. Paulo
Xandão Orloff observa Dias Toffoli e pensa:
eu sou você amanhã. E se antecipa. O juiz “com sangue nos olhos”. Houvesse
República entre nós, estando ele também no celular de Vorcaro, o País esperaria
relatório da Polícia Federal sobre as relações do delegadão com a turma do
Master. Documento da mesma natureza daquele que a PF entregou a Fachin
relativamente a Dias Toffoli – peça que reúne indícios de crimes.
Eu não serei você amanhã – reage. E então a operação policial contra servidores da Receita Federal; Alexandre de Moraes de repente relator paralelo do caso Master, para o qual escreve novela concorrente e da qual dispara capítulos intimidatórios em que a trama central se tornou a atividade ilícita do Fisco. Contra a revelação de relações econômicas cruzadas de “altas autoridades”, a intimidação cruzada também à Polícia Federal e à imprensa.
A Receita não vaza a ocorrência de charutadas
de juiz com empresário interessado no tribunal que tem como advogada a esposa
do juiz. As divulgações do contrato multimilionário da mulher de Moraes com o
Master e da sociedade de Dias Toffoli com os fundos operadores do banco não são
produtos de quebra-vazamento de dados fiscais. Isso é o que se quer intimidar.
Teremos nova censura? Seria coerente; maneira
de o inquérito xandônico original voltar – sete anos depois – à sua origem,
sempre em defesa da honra dos togados amigos dos amigos. Está encaminhado esse
regresso, conforme projeta a ordem para que deponha o auditor-sindicalista que
disse ser menos arriscado fiscalizar o PCC do que poderosos formais do Brasil.
Como quando das acusações de Eduardo
Tagliaferro, outrora braço de Xandão no TSE, sobre barbaridades cometidas pelo
ministro no trânsito entre o tribunal eleitoral e o STF, teremos agora
novamente a opção do PGR Alexandre de Moraes por investigar somente o
vazador-vazamento; e não o conteúdo de interesse público que é revelado.
Quebra-vazamento de sigilo fiscal é crime.
Tem de ser investigado e, se confirmado, punido. Desvio funcional grave, como
grave é o uso da função pública em benefício próprio. Moraes, relator-geral do
Brasil, vítima da quebra-vazamento, é ao mesmo tempo investigador, acusador e
julgador. E assim é porque quis – porque submete o Supremo à sua vingança.
Porque instrumentalizou o conceito de prevenção e explora a esculhambação do
princípio do juiz natural.
Não faz semana, uma reunião de ministros do
STF foi gravada clandestinamente – algo gravíssimo. Que a turma vai deixar
morrer, sem investigação, enquanto – rigor em riste – Moraes manda distribuir
tornozeleiras eletrônicas a servidores sob apuração ainda longe de concluída.
Sem que se saiba por que mandou jogar a rede-arrastão sobre eventuais quebras
de sigilo contra mais de cem pessoas, incluídos colegas e parentes de colegas,
Xandão plantou no maledicente a impressão de que pratica pesca probatória;
também um modo de exercer poder, amarrar desafetos e unir corporativamente um
conjunto de desconfiados.

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