O Globo
No futebol e na política, o relógio corre a
favor de quem está ganhando. A nova pesquisa Datafolha apontou um cenário de
estabilidade na disputa presidencial. É boa notícia para Lula, que mantém uma
liderança folgada a cem dias do primeiro turno.
O ex-presidente tem 47% das intenções de
voto, contra 28% de Jair Bolsonaro. Há um mês, os dois apareciam com 48% e 27%,
respectivamente. O terceiro colocado, Ciro Gomes, também não se moveu fora da
margem de erro: oscilou de 7% para 8%.
Em votos válidos, que excluem brancos, nulos e indecisos, Lula chega a 53%. Isso não garante que ele terá fôlego para vencer no primeiro turno, mas reforça os argumentos dos dirigentes petistas que defendem um giro ao centro para liquidar a fatura em 2 de outubro.
O ex-presidente deu novos sinais nessa
direção ao suavizar as diretrizes do programa de governo e ampliar as conversas
com empresários. Nesses encontros, ele tem repetido que a promessa de revogar o
teto de gastos não significará uma opção pelo descontrole fiscal. O discurso
não dá votos, mas pode reduzir as resistências do establishment a uma volta do
PT ao poder.
Embora finjam não acreditar nas pesquisas,
os bolsonaristas receberam os números com algum alívio. No último mês, o
governo foi bombardeado por más notícias, do agravamento da crise econômica ao
assassinato de Bruno Pereira e Dom Phillips, que evidenciou a omissão federal
diante da escalada do crime na Amazônia.
Mesmo assim, Bolsonaro manteve o eleitorado
fiel e chegou a se recuperar em alguns segmentos, como homens e evangélicos.
Seu maior problema é a rejeição dos mais pobres, que representam metade da
população e manifestam ampla preferência por Lula. Isso explica a tentativa
desesperada de burlar a lei eleitoral para elevar o Auxílio Brasil a R$ 600 e
dar novo benefício a caminhoneiros às vésperas da eleição.
Se o tempo é adversário de Bolsonaro, a proximidade das urnas se torna ainda mais dramática para a tal terceira via. Apesar de toda a visibilidade nas últimas semanas, Simone Tebet oscilou negativamente de 2% para 1%. Está numericamente atrás do nanico André Janones. O general Santos Cruz, que tenta atrair bolsonaristas arrependidos, nem conseguiu pontuar. Sinal de que o eleitor de direita ainda prefere o original aos genéricos.
Um comentário:
Eu acho difícil ter algum bolsonarista ''aliviado'' com o resultado das pesquisas,a diferença é grande demais.
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