quinta-feira, 8 de janeiro de 2026

A volta da velha pergunta: o que fazer? E também uma homenagem. Por Ivan Alves Filho

Em uma era marcada por transformações profundas no campo do trabalho e em plena crise da ideia de Democracia, sem esquecer, ainda, os impasses consideráveis que vão se produzindo nas relações com o meio ambiente, a realidade atual apresenta contornos que combinam, de forma até dramática, elementos que conduziram o mundo a duas guerras mundiais no decorrer do século XX. São eles, só para recordar e servir de alerta: nacionalismo exacerbado, disputas em torno de mercados, desorientação e divisão entre as forças representativas da paz.

De um lado, temos uma espécie de czarismo do século XXI na Rússia, abalando a ordem política na Europa. De outro, uma China expansionista, sedimentando seu caminho de exportações de capitais, sua opção imperialista, por intermédio de suas estatais, instrumento da expansão da sua burocracia ao redor de várias partes do globo, mas sobretudo na África e na América Latina. E dispomos, por seu turno, dos Estados Unidos, um país de longa tradição intervencionista, assumindo posicionamentos de caráter fascista, presente na sua política externa há décadas e que hoje se volta para a sua realidade interna. 

É o caso de voltarmos a formular a velha pergunta: O que fazer, diante deste quadro?

A resposta só pode ser dada pela retomada de um movimento coordenado em escala internacional, por parte das forças democráticas e progressistas.

Alguns instrumentos permanecem atuais, como a montagem de Frentes Amplas reunindo sensibilidades interessadas em mudanças compartilhadas, e a defesa de uma política de coexistência pacífica entre os povos, tudo isso sob o pano de fundo de um Humanismo que possa reunir as conquistas legadas até aqui pelo processo civilizatório. Pois se trata, mais uma vez, da luta entre a Civilização e a Barbárie, em um cenário conduzido por lideranças políticas medíocres, irresponsáveis e corruptas. Os nomes todos nós conhecemos e seus projetos visam apenas a perpetuação no poder.

Neste momento, os partidos políticos que ainda mantêm um mínimo de sensatez devem fazer um esforço, ao lado das redes sociais, das ONGs, das entidades trabalhistas e dos agrupamentos artísticos e intelectuais, além dos setores engajados nas lutas ambientais e na defesa intransigente dos direitos humanos, para estabelecer plataformas de ação conjunta. Trata-se de uma decisão urgente, para ontem, como se diz. Não será uma tarefa fácil, ao contrário. Mas, se queremos de fato sair desse atoleiro, precisamos de duas coisas, basicamente: de um projeto e de instrumentos capazes de viabilizá-los. 

Foi o que eu aprendi no decorrer da vida com o saudoso líder camponês Hilário Pinha, alguém que enfrentou com determinação, retidão de caráter e extrema lucidez os problemas de sua época. Um militante exemplar que apostou em uma saída coletiva e foi vitorioso em sua luta. 

*Ivan Alves Filho, historiador

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