Folha de S. Paulo
Operação abafa não interessa ao Brasil
Abafadores podem largar a mão de Vorcaro com
cordão de isolamento da crise
É preciso um desfecho contundente ao
escândalo do Banco Master.
Se está em curso
uma operação para abafar o escândalo do banco e blindar
autoridades e políticos influentes em Brasília (como
parece ser), ela não interessa ao Brasil.
As especulações de agentes do mercado financeiro, antes da venda da insituição financeira ao Banco de Brasília, de que havia algo de muito errado no crescimento do Master e na sua atuação agressiva na venda de CDBs e de carteiras de consignado vão se confirmando.
Os fatos assombram para pior à medida que os
detalhes e os nomes dos responsáveis pela ciranda financeira bilionária montada
pelo ex-banqueiro Daniel
Vorcaro aparecem com o andamento das investigações em curso.
A última semana de 2025 e a primeira deste
ano foram decisivas para barrar a estratégia montada pela defesa do Vorcaro de
desqualificar o liquidante, macular o processo de liquidação do Master e das
investigações pelo Banco Central,
Ministério Público Federal e Polícia
Federal. O plano quase funcionou na base da intimidação, ameaças e
especulações sobre o que as conversas registradas no telefone de Vorcaro e em
vídeos gravados por ele podem mostrar.
A trama só não deu certo porque nesses 15 dias o esquema de pirâmide montado com o uso de fundos de investimentos da gestora Reag foi escancarado à opinião pública.
Ficou mais difícil segurar o trem, que já
descarrilou. A liquidação
da Reag é a prova disso. Agora, é salve-se quem puder. Vorcaro
não estava sozinho no esquema, mas há personagens que estranhamente ainda não
ganharam holofotes, de acordo com investigadores. O principal deles é o baino
Augusto Lima, empresário e ex-sócio de Vorcaro.
Os agentes públicos, que até pouco dias atrás estavam nitidamente protegendo o dono do Master, vão dando sinais de construção de um cordão de isolamento para autoproteção. Se conseguirem costurar as pontas soltas do acordão, vão largar a mão de Vorcaro. TCU, STF, Parlamento, CVM, mercado financeiro. Sinais de pizza por todos os lados.

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