Folha de S. Paulo
Esperança é terreno movediço demais para
começar uma guerra
Caos, endurecimento do regime e guerra civil
também estão no cardápio
Penso nos meus alunos iranianos, passados e
presentes, quando olho para essa guerra. Que jovens admiráveis!
Deixaram o país que amavam porque a repressão
era imensa. As moças, então, comeram o pão que o Diabo amassou. Se você acha
que o patriarcado é um problema sério no Ocidente, experimente uma temporada
no Irã,
onde nem os cabelos estão a salvo.
Mas não são apenas os iranianos que sofrem
nas mãos do regime. Desde 1979, Teerã se converteu em um dos principais
financiadores do terrorismo internacional —Hamas, Hezbollah, houthis, milícias
xiitas no Iraque; a lista é longa. E as suas vítimas se estendem pelos quatro
cantos do mundo —do Líbano à Argentina, de Tel Aviv ao Mar Vermelho.
Se o regime cair sob as bombas americanas e
israelenses, serei o último a derramar uma lágrima pela teocracia dos aiatolás.
A pergunta, porém, é outra: será que vai cair?