terça-feira, 3 de março de 2026

Lula, um olho lá, outro cá, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

O que é mais explosivo para Lula, as bombas contra o Irã ou contra o Lulinha?

A guerra dos EUA e de Israel contra o Irã se espalha pelo Oriente Médio, impacta as bolsas ao redor do mundo, chacoalha o preço do petróleo e, por óbvio, é um problemaço para o Brasil e para o presidente Lula. A principal preocupação de Lula no ano eleitoral, porém, não é essa. E qual seria?

O interditor, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Esqueça o debate jurídico sobre a forma como Gilmar Mendes anulou a quebra de sigilos da empresa de Dias Toffoli pela CPI do Crime Organizado. Discuti-la sob os valores e as leis da República significaria legitimar o que só pode ser compreendido como movimento autoritário – reação abusiva de poder – contra a imposição-exposição da verdade. A verdade é que o decano interveio – foi chamado e resolveu – porque a cousa avançava descontroladamente sobre os trânsitos e outros tráfegos dos ministros-empresários do STF pela rede-laranjal do Master.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Guerra duradoura trará maior pressão sobre a inflação

Por O Globo

Ao fechar Estreito de Ormuz, Irã impede transporte de um quinto dos barris de petróleo exportados

Quatro em dez barris de petróleo exportados no mundo saem do Oriente Médio. Desses, pelo menos dois atravessam o Estreito de Ormuz, que separa o Golfo Pérsico do Oceano Índico. É daí que vem a ameaça de contágio da economia global pela guerra de Estados Unidos e Israel contra o Irã. Fechar Ormuz, como fizeram ontem os iranianos, é uma estratégia eficaz para infligir perdas aos inimigos. No plano de sobrevivência do regime dos aiatolás, a prioridade é mirar em refinarias e navios enquanto houver forças.

Entrevista: Lula e a família tradicional: é possível conquistar o voto conservador?

Por Amado Mundo/Matinal (GO)

Socióloga e vereadora de Goiânia pelo PSB, Aava Santiago, que é cristã pentecostal, critica relação da esquerda com religiosos e diz que eleitor evangélico está cansado do histrionismo de Malafaia e da ostentação de André Valadão

O Palácio do Planalto traçou uma linha clara para as próximas eleições: não é possível governar o Brasil de 2026 ignorando que o “valor família” é o amálgama que une brasileiros independentemente da vertente ideológica. Desde as eleições de 2022, o governo de Lula tem operado uma diplomacia silenciosa para reduzir os índices de rejeição de evangélicos e conservadores ao seu nome, utilizando reuniões estratégicas, diálogo direto com lideranças e a interlocução com nomes que transitam bem no meio religioso.

No entanto, a comunicação governamental segue enfrentando o desafio das “guerras culturais”. O recente desfile da Acadêmicos de Niterói, que homenageou o presidente no carnaval do Sambódromo do Rio, tornou-se combustível para a oposição com a ala “Família em Conserva”, uma crítica aos conservadores, mais alinhados à direita.

No Irã, celebrar é uma coisa, esperar por milagres é outra, por João Pereira Coutinho

Folha de S. Paulo

Esperança é terreno movediço demais para começar uma guerra

Caos, endurecimento do regime e guerra civil também estão no cardápio

Penso nos meus alunos iranianos, passados e presentes, quando olho para essa guerra. Que jovens admiráveis!

Deixaram o país que amavam porque a repressão era imensa. As moças, então, comeram o pão que o Diabo amassou. Se você acha que o patriarcado é um problema sério no Ocidente, experimente uma temporada no Irã, onde nem os cabelos estão a salvo.

Mas não são apenas os iranianos que sofrem nas mãos do regime. Desde 1979, Teerã se converteu em um dos principais financiadores do terrorismo internacional —Hamas, Hezbollah, houthis, milícias xiitas no Iraque; a lista é longa. E as suas vítimas se estendem pelos quatro cantos do mundo —do Líbano à Argentina, de Tel Aviv ao Mar Vermelho.

Se o regime cair sob as bombas americanas e israelenses, serei o último a derramar uma lágrima pela teocracia dos aiatolás. A pergunta, porém, é outra: será que vai cair?

A última conversa, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Trump tenta reproduzir no Irã fórmula usada na Venezuela

País persa coloca cenário muito mais incerto e desafiador

A psicologia infantil é uma ferramenta útil para entender Donald Trump. Uma de suas características marcantes, conhecidas já desde o primeiro mandato, é que ele com frequência se deixa convencer pela última pessoa com a qual conversou. Nos tempos em que ainda havia assessores republicanos adultos tentando contê-lo, a ordem era nunca deixar que integrantes do Team Crazy (turma dos malucos) fossem os últimos a sair do salão oval.

Presidenciáveis do PSD enfrentam risco de perder comando de seus estados para o bolsonarismo, por Raphael Di Cunto

Folha de S. Paulo

Governadores Ratinho Jr. e Eduardo Leite têm dificuldades para emplacar sucessores

Caiado ainda negocia aliança com o PL, mas tem o cenário mais confortável dos três

Os governadores Eduardo Leite, do Rio Grande do Sul, e Ratinho Júnior, do Paraná, enfrentam dificuldades com o bolsonarismo em seus estados e correm o risco de perder o comando local para a direita após ensaiarem candidaturas presidenciais. O impasse tem sido levado em conta nos planos nacionais de ambos, segundo aliados.

Dos três presidenciáveis do PSD, o governador de Goiás, Ronaldo Caiado, é o que tem a situação mais confortável na eleição regional. Seu vice, Daniel Vilela (MDB), já figura em pesquisas como primeiro em intenção de votos e tem como principal adversário o ex-governador Marconi Perillo (PSDB), que perdeu força após ser citado na Operação Lava Jato.

Lula tropeça e abre espaço para o adversário, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

A conferir se as pesquisas registram uma tendência ou só captaram um momento ruim para o governo

Seja como for, presidente perdeu a aura de imbatível e deve a isso à ação do ego inflado, seu pior inimigo

Aguardemos as próximas pesquisas para conferir se as primeiras depois do desastroso Carnaval apontaram uma tendência ou se apenas captaram um mau momento para o governo.

Seja como for, um dado é inquestionável: Luiz Inácio da Silva (PT) perdeu a aura de imbatível e pode perder o lugar de favorito habitualmente reservado aos ocupantes do poder. Escrita quebrada na derrota de Jair Bolsonaro, em 2022, e sinal de que o instituto da reeleição não tem taxa de sucesso garantido.

O elo da política com o crime organizado no Rio, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Segundo a PF, Rodrigo Bacellar capturou o governo para proteger Comando Vermelho

Ex-presidente da Alerj fez nomeações em batalhões da Polícia Militar e delegacias

O que fez e ainda faz Cláudio Castro no Palácio Guanabara? A julgar pelo relatório da Polícia Federal sobre a conduta e influência criminosas de Rodrigo Bacellar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa que transformou o Rio de Janeiro num posto avançado do Comando Vermelho, Castro exercia uma função subalterna no esquema político-miliciano de captura das instituições. Governador de fancaria, era o serviçal da família Bolsonaro e a marionete nas mãos de Bacellar.

A força dos mitos, por Ivan Alves Filho

Os mitos são resistentes. Durante a ditadura militar, alguns setores se valiam da expressão capitalismo selvagem com o objetivo de denunciar a política econômica em curso então no país. A fórmula tinha um efeito propagandístico - e só. Pois ela carecia de base mais sólida: afinal, ela deixava supor que poderia existir algo como um capitalismo civilizado. As diferenças existentes entre diversas práticas no interior da ordem capitalista passavam para a linha de frente das análises, o adjetivo selvagem escamoteando o substantivo capitalista.

Poesia | Morte na madrugada, de Vinicius de Moraes

 

Música | Vanessa Ortiz Quarteto - Castigo (Dolores Duran)