sábado, 17 de janeiro de 2026

Será que ele é? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Tarcísio diz que sai para governador, mas mantém uma pontinha de ambiguidade em relação a pleito presidencial

Se Lula vencer, talvez precise agradecer a Trump, pela queda do dólar, e a Jair, por indicar Flávio para sucedê-lo

O governador Tarcísio de Freitas afirma e reafirma que é candidato à reeleição em São Paulo, mas mantém deliberada ambiguidade em relação ao pleito presidencial. É secundado nessa tarefa pela própria esposa e por Michelle Bolsonaro. Não dá para dizer que o cálculo de Tarcísio esteja errado.

Embora já haja petistas comprando enxoval para a segunda posse de Lula, não penso que a disputa será um passeio. A última leva de pesquisas mostra que a direita continua forte. A soma das intenções de voto em pré-candidatos conservadores fica próxima das do petista e, mesmo nas simulações de segundo turno em que Lula vence seus adversários, ele o faz por poucos pontos. Dez meses antes da eleição, essa diferença é mais um empate do que uma vantagem real.

Até meados do ano passado, Lula parecia estar nas cordas, amargando baixos índices de popularidade. O motivo principal da reviravolta foi uma cortesia involuntária de Donald Trump, cujas sandices econômicas derrubaram o valor do dólar. E o dólar barato conteve a inflação dos alimentos, que é o que mais erodia a aprovação ao petista. Ocorre que uma das previsões fáceis para este 2026 é que, se o Lula gastador aparecer de forma consistente à frente nas pesquisas, o dólar vai subir. Dependendo de quando isso ocorrer e da escala do fenômeno, poderemos ter um repique inflacionário, que não o ajudaria na campanha.

Lula até poderia se vacinar contra isso apresentando um plano crível para lidar com o problema fiscal a partir de 2027, mas não consigo imaginar o PT abandonando o populismo e sendo honesto em relação à situação da economia. Dilma não foi em 2014, e não penso que o partido tenha aprendido a lição.

De todo modo, minha aposta é que teremos, como em 2022, uma eleição apertada. A melhor esperança do petista é que seu adversário no segundo turno tenha uma rejeição igual ou maior que a sua. É justamente o que os Bolsonaros lhe proporcionam, ao insistir na candidatura de Flávio.

Se Lula vencer, talvez precise agradecer a Donald e a Jair.

 

 

 

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