sexta-feira, 6 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

PEC da Segurança trará avanços contra o crime

Por O Globo

Texto aprovado na Câmara representa resultado de concessões intrínsecas a qualquer negociação política

Superando impasses que pareciam incontornáveis, a Câmara enfim aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) da Segurança, enviada há quase um ano ao Congresso. O texto aumenta a participação do governo federal no combate à violência, amplia o financiamento ao setor, promove maior integração entre os entes federativos, restringe benefícios a presos acusados por crimes graves, dá segurança jurídica para a Polícia Federal (PF) combater organizações criminosas, aumenta atribuições da Polícia Rodoviária Federal (PRF) e autoriza a criação de polícias municipais de natureza civil para policiamento ostensivo e comunitário. Não há dúvida de que a PEC representa um avanço em relação às lacunas atuais.

Ele fala inglês, por José de Souza Martins

Valor Econômico

Um brasileiro fez um discurso em inglês, em Nova York, e foi aplaudido de pé. Dava a entender que o aplauso era pelo inglês, e não pelo conteúdo do discurso

Manchete de uma chamada num desses canais eletrônicos, em dias passados, dizia que um brasileiro fizera um discurso em inglês, em Nova York, e fora aplaudido de pé. Dava a entender que o aplauso era pelo inglês, e não pelo conteúdo do discurso.

Tive minha estreia na língua inglesa do modo mais estranho e humilhante. Foi pelo fim da década de 1940, quando minha família morava na roça, em Guaianases. Eventualmente vínhamos a São Paulo de trem. Na entrada da estação do Norte, no Brás, havia uma banca de jornal que exibia uma revista americana, com belas fotografias em preto e branco.

Crises Master e INSS levam à eleição ‘antissistema’, por Andrea Jubé

Valor Econômico

Ocorrido com “Sicário” só é comparável, possivelmente, com uma morte suspeita, 30 anos atrás: a de PC Farias

Os novos capítulos do escândalo envolvendo o banqueiro Daniel Vorcaro e o Banco Master comprovam, mais do que a gravidade, o quase ineditismo do tsunami com potencial para destruir a República, ou boa parte das instituições. O ocorrido com Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, o “Sicário”, potencial delator, só é comparável, possivelmente, com morte suspeita, 30 anos atrás: a de Paulo César Farias, ex-tesoureiro de Fernando Collor.

A essa altura dos acontecimentos, outra percepção é de que a soma das crises envolvendo o Master e os desvios nas aposentadorias e pensões do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), que dominam o Congresso e contaminam o humor dos brasileiros, deve culminar em mais uma eleição “antissistema”, nos moldes da disputa de 2018, que elegeu o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e vários “outsiders”.

O Lobo da Faria Lima e as relações perigosas do banqueiro com o poder, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

Protagonista do escândalo envolvendo o Banco Master, o banqueiro Daniel Vorcaro e seus parceiros parecem personagens dos filmes de Hollywood sobre a máfia em Wall Street

O filme O Lobo de Wall Street (2013) retrata um tipo de celebridade destrutiva que fascina muita gente por viver no limite: dinheiro fácil, prazer imediato, drogas e ausência completa de escrúpulos. Dirigido por Martin Scorsese e com roteiro de Terence Winter, baseado no livro de Jordan Belfort, o filme acompanha a ascensão e a queda de um corretor que enriquece manipulando o mercado financeiro.

A história começa em 1987, quando Jordan Belfort (Leonardo DiCaprio) se torna corretor em Wall Street. Desde o início, o espectador percebe a atmosfera de cinismo e ganância que domina aquele ambiente. A primeira máscara cai quando Jordan almoça com seu chefe, Mark Hanna (Matthew McConaughey), que lhe apresenta as regras informais do jogo: dinheiro acima de tudo, sem qualquer preocupação moral. A partir daí, o aprendiz se transforma no mestre, mergulhando numa espiral de riqueza, excessos e ilegalidades.

Ministros do STF devem explicações, por Vera Magalhães

O Globo

Notas em tom indignado e camaradagem entre pares não são suficientes para blindar Corte agora que o caso atingiu ponto de não retorno

O caso Master passou, a partir da segunda prisão de Daniel Vorcaro e das revelações que levaram a ela, por aquele ponto de não retorno de todo escândalo, a partir do qual tentativas de abafa e de conter os danos só na base da narrativa costumam fracassar uma após a outra.

Também não é mais possível a Alexandre de Moraes e Dias Toffoli — os dois ministros do Supremo Tribunal Federal cujos nomes aparecem em diferentes circunstâncias associados a Vorcaro, a seus negócios e ao próprio desenrolar das investigações — fingir que não é com eles ou afetar indignação quando cobrados a dar explicações claras e convincentes para essas ligações. Embora não sejam detentores de mandatos populares, os ministros do STF não estão isentos de prestar contas à sociedade.

Uma milícia na Faria Lima, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Talvez não seja preciso esperar delação para conhecer tamanho do lamaçal

A segunda prisão de Daniel Vorcaro acrescentou novas camadas de lama ao caso Master. O banqueiro já era pivô de um escândalo financeiro com conexões na política. Agora desponta como chefe de uma organização de tipo mafioso, que corrompia servidores, roubava dados sigilosos e tramava atos de violência contra desafetos.

De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro montou uma “milícia privada” que apelava à coação e à ameaça para proteger seus interesses. O esquema era comandado da Faria Lima, mas se valia de métodos usados em áreas sob domínio armado.

A anarquia do sistema, por Pablo Ortellado

O Globo

Vorcaro e Toffoli se encontraram mais de dez vezes, segundo relatório da PF

Numa troca de mensagens com a namorada, Daniel Vorcaro diz que, apesar da oposição de André Esteves à venda do Master ao BRB, funcionários da XP e do BTG pediam para tirar fotos e davam a ele os parabéns, dizendo que era a “anarquia do sistema”. Nunca uma expressão foi tão apropriada.

Vorcaro não apenas fraudou o sistema financeiro vendendo títulos sem lastro e passando a conta ao Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Para se proteger, comprou uma rede de aliados tão ampla que sua queda também será vista como a “queda do sistema”.

Mercado de trabalho aquecido, por Celso Ming

O Estado de S. Paulo

A economia brasileira vive um momento que pode ser considerado muito próximo do pleno emprego, situação que tem lá suas consequências, positivas e negativas.

Os levantamentos da Pnad Contínua (Pesquisa Nacional por Amostras de Domicílio – Contínua) apontou, no trimestre terminado em janeiro, um índice de desemprego que atingiu 5,4% da população ativa, alguma coisa mais alto do que em dezembro, temporada de mais contratação de mão de obra em consequência do aumento do comércio de Natal, quando estava nos 5,1%.

Em 2025, PIB reduz taxa de crescimento. O que fazer? por Roberto Macedo

O Estado de S. Paulo

2026, ano eleitoral, será uma oportunidade para discutir com a classe política o baixo crescimento econômico e os reduzidos investimentos públicos

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), o Produto Interno Bruto (PIB) do País cresceu apenas 0,1% no último trimestre de 2025, relativamente ao trimestre anterior, embora tenha fechado o ano com um crescimento de 2,3%, relativamente a 2024, alcançando o valor de R$ 12.738,6 bilhões em 2025. É um número enorme, mas é preciso pensar em termos relativos, e mesmo com ele o Brasil perdeu o posto de 10.ª economia mundial para a Rússia.

Mais um anti-herói? Por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

Sai Toffoli e entra Moraes no alvo da PF, do escândalo Master e de possível delação de Vorcaro

Troca-troca no Supremo: sai Dias Toffoli e entra Alexandre de Moraes no centro do alvo, ou “na mosca”, no escândalo do Master, não apenas porque o contrato do banco com o escritório da família de Moraes envolve R$ 130 milhões, quantia muito superior à do tal resort do qual Toffoli era sócio, mas principalmente porque as relações, trocas de mensagens e suspeitas são muito mais graves e robustas.

Risco de novo Aras, por Raquel Landim

O Estado de S. Paulo

O procurador-geral da República, Paulo Gonet, está correndo o risco de rasgar sua biografia e se transformar no novo Augusto Aras, que comandava o órgão na época do início do interminável inquérito das fake news. Até por seu papel institucional, é de Gonet a principal omissão hoje entre todos os entes da República que tentam abafar o caso Master.

A blindagem a Daniel Vorcaro está escapando pelos dedos graças ao trabalho de investigadores da PF, com apoio do ministro do STF André Mendonça. Com a prisão do banqueiro e o envio do seu sigilo à CPI do INSS, está vindo a público a natureza de sua organização criminosa e seu envolvimento com políticos. Vorcaro não é apenas o responsável pela maior fraude bancária do País, ou um criminoso do colarinho-branco. Ele se assemelha a chefe de uma quadrilha capaz de invadir sistemas do governo e ameaçar adversários, inclusive jornalistas.

Historiador reexamina ascensão de Hitler e aponta riscos às democracias, por Juliana de Albuquerque

Folha de S. Paulo

Para Laurence Rees, eventos históricos não oferecem lições, mas ajudam a identificar sinais de ameaças no presente

Obra alerta que as instituições responsáveis pelo nosso bem-estar são muito mais frágeis do que pensamos

Como estive doente na última semana, aproveitei os dias de repouso para concluir a leitura de "A Mentalidade Nazi: 12 Avisos da História", o mais recente trabalho do historiador e documentarista britânico Laurence Rees.

Autor de obras como "Hitler e Stálin: os Tiranos e a Segunda Guerra Mundial" e "Auschwitz: os Nazis e a Solução Final", Rees é reconhecido pela seriedade de suas pesquisas e pelo grande número de entrevistas que realizou durante os anos em que atuou na BBC como editor de programas de história.

Em seu novo livro, ele questiona a ideia de que o passado poderia nos oferecer lições e propõe que estudemos eventos históricos a fim de aprendermos a reconhecer tendências.

Gasolina, cortinas e a guerra de Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Prestígio do presidente americano é baixo, mas mal se moveu neste ano, mesmo com guerra

Combustíveis começaram a subir logo depois do começo dos ataques

O preço médio dos combustíveis nos EUA aumenta desde que começou a guerra contra o Irã. Lá não tem Petrobras para amaciar a variação de preços. Nesta quinta, a gasolina comum custava 12,5% mais do que na média de fevereiro. Por falar nisso, o litro custava R$ 4,54. Na média brasileira, R$ 6,3 —a renda média americana é o quádruplo da brasileira. Passemos.

Direita e mercado estão mal na foto do escândalo Master, por Marcos Augusto Gonçalves

Folha de S. Paulo

Cada vez mais os suspeitos de sempre do centrão e facilidades desreguladas do mundo das finanças aparecem lado a lado no caso

Esquerda não é santa e conexões com gente ligada ao petismo podem surgir, mas até aqui mercadismo e direitistas se desgastam

Com a destituição do abafador geral Dias Toffoli, as investigações e revelações sobre o escândalo do Banco Master, agora nas mãos do relator André Mendonça, vão oferecendo uma melhor visão do iceberg que se tentava manter oculto.

A coisa, para dizer o mínimo, é muito feia e envolve práticas milicianas e mafiosas, com ameaças físicas a jornalistas, como Lauro Jardim, e outras barbaridades. Pelo que se revela, a turma do Master não deve ser comparada ao crime organizado –ela é o crime organizado.

A República vai ruir? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Celular de Vorcaro e possível delação premiada criam clima de pânico em Brasília

Forças pró-acordão tentam estancar a sangria, mas talvez não seja tão simples

Como previsto, o celular de Daniel Vorcaro vai produzindo vítimas, incluindo o próprio ex-banqueiro, agora recolhido à prisão preventiva. Pelo teor de colunas de bastidores que leio, o aparelhinho traz munição para causar uma razia tanto nas fileiras da direita como nas da esquerda e do centro. E as revelações contidas no telefone podem ser magnificadas por uma eventual delação premiada de Vorcaro, que vai ficando sem opções.

Milícia na alta esfera, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

O que se descobre agora é sinal eloquente da infiltração da bandidagem no tecido institucional

Falta desvendar a teia completa de influência do macabro esquema nos três Poderes da República

Agora que o trabalho da Polícia Federal parou de ser atrapalhado por Dias Toffoli e o novo relator no Supremo Tribunal Federal, ministro André Mendonça, explicitou a omissão da Procuradoria-Geral da República, o caso Master traz novas revelações que vão além das atividades fraudulentas de um banco liquidado.

O termo "milícia" ultrapassou as fronteiras dos territórios dominados pela criminalidade nos morros e periferias para entrar no contexto das investigações sobre Daniel Vorcaro. Aí estaria um elo importante entre ilicitudes no ambiente financeiro e crimes violentos típicos de máfias. Sinal eloquente da infiltração da bandidagem no tecido social.

A lavagem dos colarinhos brancos, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

É raro ver pessoas com colarinhos dessa cor associados a crimes; mais comuns são os sem colarinho

O uso dos colarinhos brancos é privilégio dos que trabalham com grandes fraudes, desvios e vazamentos

Se você é homem, adulto e obrigado a se vestir formalmente, com certeza já dispensou alguns minutos a observar os formatos dos colarinhos. Existe o clássico colarinho francês, com pontas médias e mais fechadas; o italiano, mais curto e com pontas abertas; o americano, de pontas longas, abotoadas à camisa; o tipo padre, com a gola pequena e em pé, exigindo quilos de goma; e o asinha ou tico-tico, com as pontinhas dobradas para fora. Todos são colarinhos brancos. Não significa que seus usuários sejam criminosos. Só alguns.

Poesia | Última Canção do Beco, de Manuel Bandeira

 

Música | Chico Buarque - Conversa de Botequim (Noel Rosa)