sábado, 7 de março de 2026

Espantos e turbulências do caso Master apenas começaram, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Além da fraude bilionária, há mais a ser descoberto, o que apavora Brasília

Buraco negro da máfia financeira devora de pastores evangélicos a sugar babies

Buraco negro que a todos envolve e devora —golpistas financeiros, pastores evangélicos, magistrados, governadores, parlamentares de diversas cores (com predominância para os de direita e extrema direita), servidores do Banco Central, jornalistas e influenciadores, hackers, sugar babies—, o escândalo Master está longe de terminar. Além da fraude bilionária, há mais jogadas a serem descobertas, e é isso o que apavora Brasília na temporada eleitoral.

Turma de Vorcaro agia como a Máfia, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Era tudo coisa de gângster: Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance

Com nova operação da PF, as suspeitas de que o antigo relator do caso, o ministro Dias Toffoli, atrapalhou as investigações aumentam

As revelações que vieram à tona no rastro da nova fase da operação Compliance Zero, deflagrada na manhã desta quarta-feira (4) pela Polícia Federal, mostraram que a quadrilha montada pelo banqueiro Daniel Vorcaro agia como uma máfia.

Era tudo coisa de gângster. Vorcaro e sua turma construíram um cenário de brutalidade de longo alcance.

Que tal substituir juízes por IA? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Algoritmos são mais consistentes do que pessoas em todo tipo de julgamento

Menores custos e maior resistência à corrupção seriam vantagens adicionais

E se trocássemos os juízes por um algoritmo de IA (inteligência artificial)? Admito que há algo de capcioso na pergunta. Não tanto pelo conteúdo, mas pelo "timing". O Judiciário brasileiro vive um mau momento, com ministros do STF enrolados no escândalo do Master, o problema dos penduricalhos sob os holofotes da imprensa e o caso da venda de sentenças no STJ, entre outras histórias pouco edificantes.

Supremo em suprema encruzilhada aos 135 anos, por Oscar Vilhena Vieira

Folha de S. Paulo

Corte vive uma das mais graves crises de sua história

O que distingue a atual das anteriores é a sua dimensão interna

Ao completar 135 anos, o Supremo Tribunal Federal vive uma das mais graves crises de sua história.

Desde sua instalação, em 28 de fevereiro de 1891, as crises da República reverberam e se projetam sobre o Supremo. Responsável pela guarda da Constituição, num país marcado por sucessivas rupturas e por uma cultura política avessa ao governo das leis, não foram poucas as circunstâncias em que o Supremo teve sua autoridade afrontada, suas prerrogativas esvaziadas e seus membros ameaçados ou mesmo afastados de suas funções.

Floriano Peixoto, nos primeiros anos da República, descumpriu inúmeras decisões do Supremo que ousaram assegurar direitos a dissidentes. Indignado com a emergente independência do novo tribunal, teria advertido: se continuarem concedendo habeas corpus aos meus adversários, não sei quem amanhã concederá habeas corpus aos ministros do Supremo.

Direita e esquerda: uma distinção que ainda faz sentido? Por Marcus Pestana

A queda do Muro de Berlim e a dissolução da URSS trouxeram à tona a discussão sobre os conceitos de direita e esquerda, nascidos na Revolução Francesa, que haveriam se tornado obsoletos e superados como referências para o debate teórico e a ação política. O cientista político Francis Fukuyama, em seu livro “O fim da história e o último homem”, lançado em 1992, chegou a decretar, com grande repercussão, que os fatos ocorridos no final do século XX configuravam o coroamento da história humana e que o capitalismo e a democracia liberal seriam o ponto terminal e definitivo da civilização para todas as nações.    

O Judiciário no banco dos réus, por Aldo Fornazieri

CartaCapital

A sociedade está farta dos privilégios dos juízes e das decisões que afrontam a lei

A opinião pública colocou o Judiciário no banco dos réus. São pequenos e grandes desatinos, pequenos e grandes abusos dos que se sentem impunes porque se consideram senhores da lei ou acima dela. A crise é extensa, multifacetada e atinge a magistratura de alto a baixo.

A crise é de ineficiência, imparcialidade, morosidade, confiança e também moral. Claro que existem lapsos de eficiência e compromissos, merecedores de elogios, respeito e admiração. A forma como o Supremo Tribunal Federal enfrentou os atos golpistas e defendeu a democracia é um desses lapsos.

Bode na sala, por André Barrocal

CartaCapital

Fábio Luís da Silva, o “Lulinha”, volta a servir de instrumento da oposição para atingir o presidente da República

Em abril de 2020, Jair Bolsonaro era presidente e comandou uma reunião ministerial na qual soltou palavrões feito torcedor na arquibancada. Em certo momento, comentou que não iria “esperar foder” a família dele para mudar peças do governo. Na semana anterior, o filho mais velho, Flávio, tinha sido derrotado no Superior Tribunal de Justiça na tentativa de anular as quebras de sigilo bancário e fiscal decretadas por um juiz de primeira instância do Rio de Janeiro. O senador era investigado pelo Ministério Público e pela Polícia Federal por ter embolsado no passado verba pública que deveria pagar funcionários de seu gabinete de deputado estadual fluminense. No fim das contas, o “zero um” venceria a batalha pelos sigilos e jamais se sentaria no banco dos réus por causa das “rachadinhas”, mas Bolsonaro cumpriria a palavra, ou melhor, o palavrão dado aos ministros. Demitiu o chefe da PF dois dias depois da reunião.

As raízes do trumpismo, por Luiz Gonzaga Belluzzo

CartaCapital

Os EUA e o mundo flertam com o igualitarismo totalitário do “se você não é igual a mim, não tem direito a existir”

Diante de mais um espetáculo empreendido pelo projeto trumpista Make ­America Great Again, não faltam análises que insistem no reducionismo que restringe um fenômeno sócio-histórico às idiossincrasias amalucadas de Donald Trump. No entanto, há quem decrete a prevalência das forças sociais que se movem nos subterrâneos das aparências do individualismo.

Homens e mulheres foram alcançados pelos terremotos recorrentes da vida social submetida às condições políticas e econômicas da sociedade de massa capitalista. A pretendida autonomia do indivíduo, nascida no âmago do projeto iluminista, não resistiu aos percalços desatados pelas turbulências da vida social, econômica e política do capitalismo realmente existente.

Senhor da guerra, por Jamil Chade

CartaCapital

O presidente dos EUA abandona o figurino de “promotor da paz”

Ilegal em todos os níveis possíveis, a guerra iniciada pelos EUA contra o Irã tem o potencial de ser o fato que vai definir a presidência de Donald Trump e a própria posição norte-americana no mundo. Ao violar a Constituição norte-americana por não ter pedido autorização do Congresso e em completo desrespeito à Carta das Nações Unidas, o republicano abriu o que pode ser o ato pelo qual seu mandato será lembrado.

Em termos domésticos, Trump gerou uma crise profunda em sua base mais radical, com a explosão de vozes ultraconservadoras alertando que a ofensiva vai na contramão de sua promessa de campanha de acabar com o envolvimento dos EUA em “guerras sem fim”. O republicano, agora, terá de provar que não será um envolvimento militar como tantas outras guerras que ele mesmo criticou. Determinante, porém, será a duração do conflito.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Moraes e Toffoli devem explicações com urgência

Por O Globo

Não podem pairar dúvidas sobre as relações de Daniel Vorcaro com altas figuras da República

As últimas revelações sobre o caso Master impõem aos ministros Alexandre de Moraes e Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), o dever de dar explicações urgentes e, acima de tudo, convincentes. As mensagens trocadas por Moraes com o banqueiro Daniel Vorcaro, reveladas pela colunista do GLOBO Malu Gaspar, são o desdobramento mais grave do caso desde que ela própria noticiou o contrato milionário do escritório de familiares de Moraes com o Master — jamais desmentido nem explicado. Ao mesmo tempo, as transações imobiliárias de Toffoli e seus familiares com o grupo de Vorcaro seguem envoltas em dúvidas.

Poesia | Brisa, de Manuel Bandeira

 

Música | Paulinho da Viola - Filosofia (Noel Rosa)