domingo, 8 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Desocupar áreas de risco exige ação de estados e prefeituras

Por O Globo

Tragédia de Juiz de Fora expõe omissão de governadores e prefeitos, que agrava problema no país todo

Os temporais devastadores que se abateram sobre Juiz de Fora, na Zona da Mata mineira, e sobre a cidade vizinha de Ubá precisam ser entendidos por governantes dos três níveis da administração pública como mais um aviso para que preparem as cidades para resistir a eventos climáticos extremos, cada vez mais frequentes devido ao aquecimento global. Chegou a conta da ocupação desordenada de encostas, morros e áreas alagadiças, sob a vista grossa de governadores e prefeitos. Quem paga são as famílias que, sem alternativa, ocuparam áreas de risco.

Entrevista | Alberto Almeida: ‘Lula é favorito para perder, e caso Master afeta mais a esquerda que a direita’

Por Thiago Prado / O Globo

Entrevista com o sociólogo e escritor, que aponta a necessidade do presidente melhorar a avaliação para ser reeleito.

O cientista político e sociólogo Alberto Carlos Almeida costuma ser uma voz que a esquerda considera relevante ouvir para tomar decisões. Antes de lançar seus últimos dois livros, foi recebido em Brasília por petistas como o presidente Lula, os ministros da Casa Civil, Rui Costa, e da Secretaria das Relações Institucionais, Gleisi Hoffman, e os senadores Jaques Wagner e Humberto Costa.

“A mão e a luva: o que elege um presidente” enaltece a importância dos resultados econômicos para um governante ser bem avaliado e, consequentemente, se reeleger. “A cabeça do brasileiro, vinte anos depois: o que mudou” lança luz sobre o perfil conservador do eleitor brasileiro. Em entrevista para a newsletter “Jogo Político”, Almeida explica por que considera em risco a reeleição de Lula em outubro mesmo com o petista na liderança das pesquisas.

Empate entre Flávio e Lula indica campanha eleitoral resolvida antes de começar, por César Felício

Valor Econômico

Os dois provavelmente seguirão assim até o desfecho. Somente a ditadura do imponderável desviará esse curso

O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) atingiu o patamar de 33% de intenção de voto para presidente no primeiro turno, de acordo com o Datafolha divulgado nesse sábado. No segundo turno contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, vai a 43%, três pontos percentuais atrás do petista. A rejeição do senador é de 45% e a do presidente, 46%. O cruzamento dos dois indicadores deixa claro que o presidente já bateu no seu teto. O ponto de chegada das eleições, para o qual ainda faltam sete meses, deve ser igual ou menor do que o ponto de partida, Lula não tem outro eleitorado a conquistar.

Já o herdeiro do bolsonarismo ainda tem algum espaço de crescimento no primeiro turno, sobretudo se agregar o apoio do governador Romeu Zema ( Novo), que patina entre 4% e 5%, conforme a simulação, e que é frequentemente lembrado como um bom candidato a vice. A soma de Flavio e Zema no primeiro turno levaria o oponente de direita a empatar com o presidente, que oscila entre 38% e 39%.

No segundo turno a equação está dada: Lula e Flávio já estão empatados e provavelmente seguirão assim até o desfecho, mantidas as condições naturais de temperatura e pressão. Somente a ditadura do imponderável desviará esse curso. A campanha eleitoral ainda não começou e parece já concluída.

Não, Joel, por Celso Rocha de Barros

Folha de S. Paulo

A candidatura Flávio Bolsonaro existe porque a estratégia da direita, a moderação do bolsonarismo, fracassou

Flávio e sua quadrilha tentam impichar ministros do STF desde muito antes do caso Master

Em resposta a minha coluna do último domingo (1º), Joel Pinheiro da Fonseca escreveu nesta Folha, no dia 2 de março, que Flávio Bolsonaro não é golpista; que Flávio pedir impeachment de ministros do STF o iguala a quem critica os ministros pela atuação no caso Master; e que a hegemonia bolsonarista dentro da direita brasileira é um fato incontornável, diante do qual tudo que a direita tradicional pode fazer é se adaptar.

Não, Joel.

A candidatura Flávio Bolsonaro nunca foi inevitável. Ela existe porque a estratégia da direita brasileira nos últimos três anos, a moderação do bolsonarismo, fracassou. Você a defendeu explicitamente na coluna "Precisamos do bolsonarismo moderado", de 29 de abril de 2024. Deu errado. Vocês queimaram os governadores de direita, que se sujeitaram às piores perversões de Jair para conseguir um apoio que nunca veio.

Trump pode se render à política antes da rendição incondicional do Irã? Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Carestia dos combustíveis ainda não abala prestígio do presidente dos EUA, ora sem rumo

Apenas o Japão de 1945 foi caso inequívoco de aceitação total de termos do inimigo

Donald Trump escreveu em sua rede social, na sexta (6), que não haverá acordo ("deal") com o Irã a não ser em caso de "rendição incondicional". Em tese, trata-se de qualquer situação em que uma força combatente deponha as armas e aceite condições quaisquer do inimigo, sem mais, mesmo que não lá draconianas. O assunto poderia dar pista sobre a suspensão da guerra e, pois, do seu efeito econômico (as consequências políticas vão longe).

O caso mais inequívoco, se não único, de rendição incondicional em guerra internacional moderna foi o do Japão de agosto de 1945. O império japonês se rendeu às ordens de depor armas e de desarmamento, entrega de territórios ocupados; aceitou ocupação militar, subordinação do governo ao ocupante e mudança de regime, para resumir exigências da Declaração de Potsdam (julho de 1945).

Os fantasmas que nos regem, por Muniz Sodré

Folha de S. Paulo

Mente-se na religião, no direito, na política e na economia, e quanto maior a mentira, maior a sedução

Limite é atingido quando se democratiza o grande absurdo na fantasmagoria do cotidiano

"Eu não acredito em fantasmas, não porque sejam invisíveis, mas porque são visíveis demais." Embora esta frase atribuída a Nietzsche não se encontre em nenhum de seus escritos, é bastante coerente com seu pensamento, em que realidade é terra e corpo. Outro tipo de "fantasma" foi abordado por Roland Barthes numa das críticas das mitologias pequeno-burguesas, em meados do século passado. Dessa vez eram os óvnis, também visíveis demais, porque nos relatos eram imaginados como duplos dos humanos. Se existissem, ironizava ele, deveriam ter um Estado, classe dirigente, forças armadas, um papa e as heresias.

Enquanto Israel dormia, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Livro faz necropsia das falhas de segurança que permitiram ataque do Hamas

Excesso de confiança na tecnologia e erros políticos são dois destaques

"While Israel Slept", dos jornalistas Yaakov Katz e Amir Bohbot, é um livro de necropsia. Os autores examinam ao microscópio os erros dos serviços de segurança e do governo que possibilitaram o ataque terrorista do Hamas de 7 de outubro de 2023.

Israel tem o mais poderoso exército e os mais eficientes serviços de inteligência da região e ainda assim foi surpreendido pelo grupo palestino, que era considerado, tanto pelos militares como pelos políticos, o menos ameaçador dos três principais inimigos do país (os outros dois são o Irã e o Hezbollah). Como isso foi possível?

STF paga conta do espírito de corpo, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Ministros reclamam das críticas à corte e reivindicam que se observe a individualização de condutas

Se o colegiado respalda atitudes questionáveis, inevitável que o dano de imagem recaia sobre a instituição

Há ministros do Supremo Tribunal Federal profundamente desconfortáveis, diria até muito irritados e sentindo-se injustiçados com a tomada das partes pelo todo na descrição que tem sido feita do dano de imagem que atinge a corte.

Alegam a necessidade de que se faça a distinção entre condutas e reivindicam a aplicação do critério da existência de 11 (no presente, 10) supremos, ilhas de atuação independente, no lugar de se olhar o tribunal sob prisma único e com isso se desqualificar a instituição.

Congresso não quer aprovar projeto para evitar novos casos Master, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Com todo o estrago provocado por Vorcaro, o mínimo que se esperava era uma resposta célere

O Master era tudo, menos um banco; e depois reclamam da fiscalização do Banco Central

É grave o adiamento da votação do projeto de lei que aperfeiçoa os instrumentos do Banco Central para lidar com instituições financeiras em dificuldades, como aconteceu com o banco Master.

A impressão que fica é que o Congresso Nacional não quer aproveitar o momento de crise para passar a limpo as regras na tentativa de evitar novos casos Master. A esta altura, com todas as evidências do estrago que Daniel Vorcaro provocou ao montar uma engrenagem de fraudes aliada a um arco político de corrupção, o mínimo que se esperava era uma aprovação célere da proposta.

Lula - Pronunciamento à nação: Dia Internacional da Mulher

 

Poesia | Adiamento, de Fernando Pessoa

 

Música | Nara Leão - Samba de uma nota só (Tom Jobim)