Folha de S. Paulo
Perspectiva é de mais avanços no emprego
formal, apoiado em valorização da renda e retomada de investimentos
Mais do que quantidade, houve avanços na
qualidade do emprego, com aumento da formalização e maior inclusão
O ano de 2025 consolidou a reconstrução
institucional do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e reafirmou uma escolha
política central: recolocar o trabalho no coração do projeto nacional de
desenvolvimento. Após um período de esvaziamento das políticas trabalhistas, o
Brasil voltou a combinar resultados expressivos
no mercado de
trabalho com uma agenda voltada à ampliação de oportunidades, à
melhoria da qualidade do emprego e à redução das desigualdades.
Os indicadores sintetizam essa inflexão histórica. Em 2025, o país atingiu a menor taxa de desemprego da série iniciada em 2012, com cerca de 5,9 milhões de pessoas desocupadas, o menor contingente já registrado. A população ocupada alcançou 102,6 milhões de trabalhadores, o maior patamar da história, evidenciando a expansão consistente da participação no mercado de trabalho.
A geração de empregos formais reforçou esse
movimento. Entre janeiro e novembro, foram criados aproximadamente 1,9 milhão
de postos com carteira assinada, com saldo positivo em todos os grandes setores
da economia.
No acumulado de 12 meses, o saldo superou 1,3 milhão de vagas, elevando o
estoque de vínculos celetistas para mais de 49 milhões —um novo recorde
histórico. Desde janeiro de 2023, o país já ultrapassou a marca de 5 milhões de
empregos formais criados.
Esses resultados foram alcançados em um contexto internacional adverso e de
juros elevados, o que reforça a solidez do mercado de trabalho brasileiro. Mais
do que quantidade, houve avanços na qualidade do emprego, com aumento da
formalização, recuperação gradual da renda e maior inclusão de mulheres, jovens
e grupos historicamente discriminados. A valorização real do salário mínimo e
as políticas de distribuição de renda contribuíram para a redução das
desigualdades.
Ao longo de 2025, o MTE atuou de forma articulada em múltiplas frentes: fortalecimento da fiscalização e do combate ao trabalho infantil e análogo ao de escravizado; ampliação da qualificação profissional e da intermediação de mão de obra; valorização do diálogo tripartite; e reposicionamento do trabalho como eixo estruturante do desenvolvimento. A aprendizagem profissional, com mais de 700 mil jovens inseridos no programa Jovem Aprendiz, é exemplo dessa estratégia de integração entre educação, trabalho e futuro.
No plano internacional, o Brasil voltou a afirmar que não há transição
ecológica sustentável sem empregos, qualificação e proteção social. Justiça
climática e justiça social são indissociáveis, e a transição para uma economia
de baixo carbono precisa ser justa para trabalhadores e territórios.
Ao iniciar 2026, a perspectiva é
de continuidade do crescimento do emprego formal, apoiado na valorização da
renda, no fortalecimento do mercado interno e na retomada dos investimentos.
Aos 95 anos, o Ministério do Trabalho e Emprego reafirma seu compromisso com o
trabalho decente, a inclusão produtiva e o desenvolvimento nacional.
*Ministro do Trabalho e Emprego; foi presidente da CUT (Central Única dos Trabalhadores) e prefeito de São Bernardo do Campo (SP)

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