segunda-feira, 16 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Brasil não está a salvo de ataques jihadistas

Por O Globo

Prisão de brasileiro que planejava atentado inspirado pelo Estado Islâmico traduz ameaça crescente

Embora até hoje não tenha havido nenhum ataque de inspiração jihadista no Brasil, isso não quer dizer que o país esteja imune. Com a facilidade de comunicação e aliciamento trazida pela internet, o terrorismo se globalizou, as iniciativas de recrutamento por grupos radicais se ampliaram, e o conflito no Oriente Médio cria um terreno fértil para a disseminação das narrativas perniciosas que tentam justificar a violência.

O elo perdido entre a máfia do INSS e o Banco Master, por Bruno Carazza

Valor Econômico

Farra com consignado lesou milhões e indica que outras instituições financeiras possam ter seguido o mesmo caminho do Master

O sinal de alerta me soou lendo a coluna de Jairo Saddi, aqui no Valor. No artigo de 02/03, o advogado chamou a atenção para dados de uma pesquisa acadêmica sobre o padrão de disputas judiciais envolvendo instituições financeiras. Como o tema me interessa, fui atrás da fonte. E acabei encontrando aquele que pode ser o elo perdido entre as fraudes bilionárias da máfia do INSS e do Banco Master.

E mais: talvez seja um problema que vá além do Careca do INSS e de Daniel Vorcaro. Em vez de obras de gênios do mal, podemos estar diante de uma prática sistêmica que lesa milhões de pessoas e compromete a estabilidade do sistema financeiro nacional.

As incertezas no cenário externo e as perspectivas para a Selic, por Sergio Lamucci

Valor Econômico

Mesmo com alta do petróleo, parece fazer sentido o BC começar o ciclo de cortes com uma redução de 0,5 ponto, acompanhada por um comunicado cauteloso

O cenário para a economia brasileira tornou-se mais incerto após o começo do conflito no Oriente Médio, especialmente devido à alta dos preços do petróleo. A expectativa de que a Selic, hoje em elevados 15% ao ano, cairia ao longo de 2026 até a casa de 12% a 12,5% está em xeque. Um corte de 0,5 ponto percentual na reunião do Comitê de Política Monetária (Copom) desta semana passou a ser visto como menos provável por um número maior de analistas. Uma redução de 0,25 ponto ganhou adeptos, com a avaliação de que o Banco Central (BC) deverá ser mais cauteloso, existindo até quem aposte na manutenção da taxa. Cortes muito modestos da Selic ao longo do ano seriam uma má notícia, embora possa ser um desfecho necessário. Juros altos por muito tempo seguram o investimento, castigam empresas e pessoas físicas endividadas e têm um pesado custo fiscal.

Os indicadores são positivos; a sensação é negativa, por Carlos Alberto Sardenberg

O Globo

Percepção da população capta a situação real de cada um — e é isso que influencia a decisão de voto

Falta mão de obra em vários setores da economia brasileira, incluindo construção civil e agronegócio. Empresas informam ter criado benefícios especiais para conseguir contratar. A taxa de desemprego, medida pelo IBGE, está em nível historicamente baixo. Portanto o momento só pode ser favorável ao trabalhador. Mas parece que não é. Pelo menos, não para todos.

Pesquisa Quaest divulgada na semana passada mostrou que 50% dos entrevistados declararam estar mais difícil conseguir emprego. E 40%, que está mais fácil. O indicador macroeconômico mostra uma situação que não bate com a percepção efetiva da maioria dos trabalhadores.

Do sertão para o mundo, por Preto Zezé

O Globo

Tauá, no interior do Ceará, decidiu enfrentar limitações climáticas e econômicas com planejamento e inovação

Neste ano eleitoral, escolhi olhar menos para candidatos e mais para experiências de políticas públicas que possam ajudar a qualificar o debate. A ideia é trazer boas práticas de interesse público capazes de inspirar uma agenda de desenvolvimento baseada em resultados reais. Em vez de discutir só promessas, vale observar o que já está funcionando em algumas cidades.

Um desses exemplos vem do sertão cearense. Tauá, conhecida como Capital do Carneiro, decidiu transformar sua identidade econômica tradicional em ponto de partida para um projeto mais amplo de desenvolvimento.

Ser homem com H maiúsculo? Por Joel Birman

O Globo

Feminicídio revela não só desigualdade social, mas crise na própria forma como a masculinidade foi construída

Foi fundamental a proposição de um pacto civilizatório, articulando Executivo, Legislativo e Judiciário, para enfrentar o feminicídio no Brasil. O país figura entre os mais letais do mundo no assassinato de mulheres. Casos diários revelam a brutalidade de homens incapazes de suportar a rejeição feminina, muitas vezes após relações marcadas por violência.

Nos últimos meses, multiplicaram-se episódios em que mulheres foram mortas por ex-companheiros meses depois do fim do relacionamento. Em fevereiro, no ABC paulista, uma mulher foi assassinada nove meses após romper o namoro. Outro caso chocante foi de um homem que matou os filhos e se suicidou, responsabilizando a esposa por suposta traição. Soma-se a isso a perplexidade diante de decisões judiciais lenientes em casos de violência contra meninas e mulheres.

A polarização pode ser derrotada? Por Carlos Pereira

O Estado de S. Paulo

Eleitores cansados dos extremos existem no País. Falta encontrar quem os lidere

Eleições polarizadas frequentemente opõem figuras carismáticas a candidatos que se apresentam como alternativa moderada, técnica ou de união. Em contextos de forte polarização afetiva – quando a rejeição ao adversário pesa mais do que a identificação com um projeto – a disputa tende a girar em torno de personalidades e lealdades emocionais. Ainda assim, a experiência comparada mostra que candidatos moderados podem vencer quando conseguem convencer o eleitorado de que estabilidade e previsibilidade são mais valiosas do que o fervor ideológico.

Cláusula de barreira fica mais rígida e partidos apostam em federações

Pedro Augusto Figueiredo / O Estado de S. Paulo

Nova regra impõe que legendas precisarão ter no mínimo 2,5% dos votos válidos para a Câmara dos Deputados ou eleger pelo menos 13 deputados federais distribuídos pelos Estados

Obrigação. A federação obriga que dois ou mais partidos atuem como uma entidade, reduzindo a fragmentação

A federação Renovação Solidária, formada pelo Solidariedade e pelo PRD, é um dos casos mais emblemáticos até aqui de como a cláusula de barreira tem incentivado a redução dos partidos políticos no Brasil. Criada em 2017, a regra instituiu um desempenho mínimo para as siglas continuarem tendo acesso aos fundos partidário e eleitoral, além da propaganda eleitoral no rádio e na televisão.

A federação obriga que dois ou mais partidos atuem como se fossem apenas uma entidade, reduzindo a fragmentação partidária no Congresso Nacional. No caso da Renovação Solidária, é como se, na prática, quatro siglas tivessem sido reduzidas a apenas uma.

Reforma das Forças Armadas, André Gustavo Stumpf

Correio Braziliense

O Brasil de hoje está ligado por comunicações de norte a sul, de leste a oeste. Mas faltam equipamentos para informar violações das fronteiras nacionais

O presidente Lula descobriu que o Brasil precisa dar mais atenção às suas Forças Armadas para proteger o país de eventual ataque externo. É uma descoberta óbvia, um pouco tardia, porém verdadeira. Os militares brasileiros sempre estiveram mais preocupados com a gestão do país, com a política partidária, com suas próprias vantagens e relegaram a segurança nacional a segundo plano. Mas a invasão da Venezuela, o sequestro de Nicolás Maduro, pelas forças especiais dos Estados Unidos, chamaram atenção dos países do continente para sua fragilidade.  

Fim da 6x1: conceitos, métodos e consequências, por José Pastore*

Correio Braziliense

As leis permitem trabalhar menos horas e isso é acertado pelo método da negociação coletiva entre empregados e empregadores ou seus representantes

A jornada de trabalho se refere às horas trabalhadas por dia, semana, mês ou ano. A escala se refere à distribuição dessas horas no tempo. Uma jornada de 44 horas semanais pode ser trabalhada com uma escala de 6x1, 5x2, 12x36 ou outras. 

Para a jornada, costuma-se fixar em leis o número máximo de horas que as pessoas podem trabalhar. No Brasil, isso é fixado na Constituição Federal. São oito horas por dia e 44 horas por semana. 

As leis permitem trabalhar menos horas e isso é acertado pelo método da negociação coletiva entre empregados e empregadores ou seus representantes. Assim é no Brasil. A Constituição permite às partes negociarem qualquer redução de jornada por esse método. 

Bonita demais, por Ana Cristina Rosa


Folha de S. Paulo

Como cantou Emicida, ser chamada de morena 'camufla o abismo entre si e a humanidade plena'

Bonito demais será o dia em que a noção de que a beleza é exclusividade de quem tem traços caucasianos for superada de vez

Dia desses ganhei na loteria do absurdo mais uma vez —coisa que me acontece com uma certa frequência. Estava quieta no meu canto, esperando uma mesa num restaurante, quando uma jovem loira, que não tirava os olhos de mim, resolveu se aproximar para fazer um suposto elogio: "Parabéns! Você é uma morena muito bonita. Estou impressionada."

Agradeci educadamente, mas não pude deixar de fazer a seguinte consideração: "Me alegra saber que reconheces a minha beleza, mas eu não sou morena, sou negra mesmo."

A moça ficou injuriada, e resolveu retrucar com um "Nossa! Não quis ofender. Chamei de morena porque você realmente é bonita demais para uma negra".

É disso que se trata!

Degeneração institucional, Marcus André Melo

Folha de S. Paulo

O apoio público às supremas cortes não é baseado em princípios abstratos; em grande medida, é apoio instrumental

Cidadãos tendem a apoiar a corte quando acreditam que suas decisões os favorecem politicamente

A opinião pública importa para as supremas cortes porque sua autoridade depende de um estoque de legitimidade difusa que sustente a disposição dos atores políticos e da sociedade em acatar suas decisões. O verdadeiro armagedon institucional ocorre no day after em que atores relevantes passam a considerar a "opção nuclear" do não cumprimento das decisões judiciais.

Pastelão no gramado, por Ruy Castro

Folha de S. Paulo

Craques do passado, ou aprendiam a se defender dos zagueiros durões ou fossem jogar pingue-pongue

Hoje, um contato entre um mindinho e o plexo solar faz com que os canastrões caiam com a mão ao rosto

Não é para me gabar, mas acompanho futebol desde o Terciário, quando as bolas eram de couro, o goleiro era o quíper e o juiz levava o apito pendurado ao pescoço. Às vezes, havia sombras no gramado —eram pterodáctilos sobrevoando o Maracanã. Assim, naquele tempo, vi jogar, ao vivo, Pelé, Garrincha, Didi, Dida (do Flamengo), Doval, Jairzinho, Paulo César, Zico, Dinamite. Todos com a camisa para dentro do calção e este, às vezes, acima do umbigo. A bola não saía do fundo das redes.

Os desafios da Gestão Municipal, o PDDU e a sustentabilidade do Município, por George Gurgel de Oliveira

Os desafios da Gestão Municipal  

As relações políticas, econômicas, sociais e ambientais estabelecidas na maioria dos municípios brasileiros são (in)sustentáveis?

Quais são os valores da Gestão Pública Municipal?  Qual é a importância do Plano Diretor de Desenvolvimento Urbano -   PDDU, do Mercado e da Sociedade nos processos de construção da sustentabilidade política, econômica, social e ambiental do Município?

Os prefeitos as, os vereadores  e a sociedade municipal em geral estão desafiando-as a construir a sustentabilidade política, econômica, social e ambiental do município para superar a triste e desoladora realidade de uma parcela majoritária das populações dos municípios brasileiros, desrespeitadas, na maioria das vezes, dos seus direitos básicos, constitucionais, a saber: moradia, educação, saúde, saneamento, mobilidade, segurança, trabalho e renda.

As administrações municipais deveriam estar comprometidas com o enfrentamento sistemático dos graves problemas sociais, econômicos e ambientais vividos no cotidiano da maioria dos municípios brasileiros, em diálogo com o Governo Estadual, Federal, o Mercado e a Sociedade, em sintonia com o processo de construção das políticas públicas municipais, dialogando com os governos estadual e federal.

Poesia | Dizes-me: tu és mais alguma coisa, de Fernando Pessoa

 

Música | Paulo Miklos, Roberta Sá e Demônios da Garoa - Os amantes (Luiz Ayrão)