sábado, 14 de março de 2026

Lula assume riscos ao retomar a briga com Trump, por Igor Gielow

Folha de S. Paulo

Veto a enviado remete ao melhor momento do petista neste mandato, mas arrisca jogar créditos de 2025 fora

Temor de ingerência política no pleito é válido, mas medida ocorre em meio ao debate sobre segurança regional

O imbróglio em torno da visita do enviado de Donald Trump ao Brasil está inserido no contexto da corrida eleitoral deste ano. O presidente Lula (PT) parece disposto a ressuscitar a briga com o americano, mas tal aposta encerra riscos.

Recapitulando, após deixar o Brasil fora de seu radar no começo do segundo mandato na Casa Branca, Trump irrompeu no cenário local às vésperas do julgamento que levou seu aliado Jair Bolsonaro (PL) à cadeia por golpismo.

O caso Master e a encruzilhada do STF, por Juliana Diniz

O Povo (CE)

A autoridade de uma instituição republicana é mais frágil do que se pensa. Depende menos da força da lei do que do reconhecimento público da dignidade, da relevância democrática e da integridade da atuação institucional. O Supremo Tribunal Federal tem nos dado um exemplo muito melancólico do efeito devastador, para uma democracia, da erosão da autoridade de uma suprema corte. Refém de seus próprios equívocos, o tribunal vive uma encruzilhada.

Uma indigestão institucional, por Murillo de Aragão

Veja

Na espera do imponderável, o Brasil fica em suspenso

Não há dúvida de que o sistema institucional brasileiro está sofrendo de oclusão, pois não consegue dar curso digestivo às tensões, episódios e escândalos nos últimos tempos. Vale relembrar a incrível sequência de eventos desde o mensalão, passando pela Lava-Jato, o impeachment de Dilma Rousseff, a eleição de Jair Bolsonaro, o interminável “inquérito do fim do mundo”, os atos golpistas do 8 de Janeiro, a judicialização da política promovida por partidos e governo e o ativismo, algumas vezes desenfreado, do próprio Judiciário. Mais adiante tivemos os escândalos do INSS e do Banco Master. Não é fácil para nenhum sistema político do mundo, ainda menos para a nossa capenga democracia, que claudica a cada episódio mais grave.

Os fins e os meios, por Pedro Serrano

CartaCapital

As quebras de sigilo não podem servir de pretexto para a destruição de imagem

E interessante observar como a sociedade do espetáculo evidencia uma de suas facetas mais perversas em episódios de extrema complexidade e que exigem rigor legal e ético em sua condução. A espetacularização tem dado as caras ao longo das investigações do caso Master, marcadas pelo vazamento de informações sigilosas, de forma criminosa, por agentes públicos.

Mais do mesmo, por Leonardo Avritzer e Rômulo Paes de Sousa

CartaCapital

Os vazamentos reabrem a lógica lavajatista e tensionam o cenário eleitoral

Os intensos vazamentos referentes aos escândalos do Banco Master e do INSS têm produzido notícias capazes de modificar a conjuntura política do País. Em 4 de março, foi divulgado pelo site Metrópoles o sigilo bancário do filho do presidente Lula, solicitado pela CPMI do INSS. No dia seguinte, também saíram no mesmo Metrópoles e no jornal O Globo o registro de supostas trocas de mensagens entre o ministro Alexandre de Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro.

Lula: líder, mas sem paz, por Renato Meirelles

CartaCapital

A força eleitoral do presidente convive com um desejo relevante de mudança

pesquisa Meio/Ideia de março traz um retrato incômodo para quem torce por respostas simples. Lula lidera, segue competitivo e continua como o nome mais forte do campo governista. Mas isso não significa que tenha convencido o País de que sua permanência é a escolha natural. Ao contrário. A força eleitoral do presidente convive com um desejo relevante de mudança. E exatamente dessa tensão nasce o paradoxo do momento.

Fracking de liquidez, por Luiz Gonzaga Belluzzo e Manfred Back

CartaCapital

Em meio a crédito privado duvidoso, bolha de IA e medo crescente, fundos restringem resgates nos EUA

Uncle Sam tem seus dias de desconfiança no crédito privado, lá como cá.

Uma decisão da Black­Rock suscitou nossa ousadia de recorrer à analogia entre o ­fracking e a química dos mercados financeiros. O fracking quebra a rocha para liberar gás de xisto. Os três ingredientes-chave – água, areia e produtos químicos – são misturados e bombeados para o poço sob pressão extremamente alta, por meio de grandes motores a diesel.

O quintal sob vigilância, por Jamil Chade

CartaCapital

Trump dá curso à ofensiva pela militarização da América Latina

O governo de Donald Trump deu os primeiros passos para implementar uma estratégia deliberada de militarização do continente, incentivado pelo êxito do sequestro de ­Nicolás Maduro e o controle do governo venezuelano. O anúncio da ofensiva regional não poderia ter ocorrido em outro lugar a não ser na Flórida, bunker da extrema-direita latino-americana e foco da busca dos republicanos pelo voto latino.

A política como vocação, por Marcus Pestana

Volta e meia, há uma forte onda antipolítica que ameaça contaminar a alma da sociedade brasileira. Tivemos as decepções no afastamento de Collor e Dilma e as manifestações de rua difusas de insatisfação em 2013. A eleição disruptiva de 2018, fruto das revelações da Lava Jato e da criminalização da política, patrocinou um vendaval de contestação, com a ascensão de outsiders que encarnaram o repúdio ao que foi apelidado de “velha política”. E aí, uma nova safra de frustrações veio ao se constatar que o novo não era tão novo e que tudo que é novo não necessariamente é bom, unicamente por ser novo.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Já vimos esse filme

Por CartaCapital

Como de hábito, a repulsa à corrupção serve a interesses eleitorais e ideológicos

No teatro da indignação calculada, há quem sinta saudades do velho bordão do apresentador Boris Casoy: “É preciso passar o Brasil a limpo”. Nos jornais, sites, tevês e redes sociais, os candidatos a porta-vozes do udenismo continuam, no entanto, disponíveis. Um velho guerrilheiro contra a ditadura propôs o fechamento do Supremo Tribunal Federal. O colunista imortal acordou as vivandeiras dos quartéis. Por ele o País foi informado da “inquietação” nas Forças Armadas, desmoralizadas pela omissão ou conivência com a tentativa de golpe liderada por Jair Bolsonaro e Walter Braga Netto, com o que consideram o êxito da impunidade na Corte. É um truque enfadonho, de tão manjado, as notícias apócrifas na mídia a respeito de um suposto incômodo dos generais em momentos de crise do poder civil, sejam reais ou fabricadas. Quanto ao mal-estar nas casernas e nos clubes militares, recomendam-se gotas de Luftal.

Poesia | Um chamado João, de Carlos Drummond de Andrade

 

Música | Maria Martha - Flor Amorosa