sexta-feira, 30 de janeiro de 2026

Aviso dos riscos de rolo em 2026. Por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Mesmo com Trump e medo de bolhas, cenários do establishment para 2026 são risonhos

'Bela armada' dos EUA está pronta para atacar aiatolás; valor da Microsoft cai US$ 360 bilhões

Os chutes informados para a economia mundial no ano de 2026 parecem risonhos, ao menos no universo de bancões, consultorias e até de centros de estudos estratégicos. Na média e na mediana, parecem assim.

Não raro, dá tudo errado. Ruídos recente no concerto do otimismo nos lembram motivos possíveis de rolo, que acabam por enrolar o Brasil, alerta também para os animados do "Ibovespa 200 mil" (ou mais).

Uma grande frota americana, "a bela armada", no dizer de Donald Trump, está pronta para atacar o Irã.

Outro alerta vem do mundo "big tech". O anúncio do que foi tido como superinvestimento em data centers da Microsoftprovocou um talho de um terço de trilhão de dólares no valor das ações da empresa, balançando os mercados.

A corrida sem fim do ouro é no mínimo sintoma de medo na finança e talvez resultado, agora, de bolha ou de "alavancagem" (endividamento para a compra de ouro ou aplicações financeiras lastreadas em ouro).
Quais são essas previsões de cenários otimistas para 2026?

dólar cairia um tanto mais ao longo do ano, sem colapsos. Parece razoável acreditar que sim, por vários motivos: descrédito dos EUA, saída do excesso de dinheiro aplicado em ativos americanos, fuga do risco Trump, juros menores por lá, medo de confisco etc.

A coisa mudaria de figura se Trump acabasse por explodir alguma parte do planeta ou se sobreviesse implosão econômica noutra parte do mundo.

O preço do petróleo iria abaixo de US$ 60 (o Brent). Sobra petróleo no mundo, porque a Opep quer manter mercado e coloca mais óleo nos canos desde o ano passado, porque há novos produtores relevantes (como Brasil e até já a Guiana), porque os EUA produzem um monte.

Uma guerra com consequências sérias para o mercado de energia é cantada faz décadas. Quem já não ouviu que, atacado, o Irã dispararia mísseis pelo Oriente Médio petroleiro e fecharia o estreito de Hormuz, estrangulando um quarto do fluxo mundial de exportações de petróleo pelo mar? Jamais aconteceu.

O risco remoto desse rolo levou o Brent a US$ 71 por barril. O preço flutuou entre US$ 66 e US$ 91 entre o ataque o Hamas contra Israel de outubro de 2023 e o ataque americano contra o Irã e o fim da "guerra dos 12 dias", em junho de 2025.

Desta vez será pior? Trump bombardearia os aiatolás assassinos até o fim? O Irã reagiria, de modo suicida, a alguns tiros de Trump? A marinha americana vai capturar os petroleiros que transportam o petróleo iraniano, à moda da operação Venezuela? O Irã reagiria apenas com fogos de artifício, como o fez no ano passado, atirando aquele míssil para inglês ver contra a base dos EUA no Qatar?

As ações das empresas americanas, em especial aquelas do mundo IA, estariam caras, "mas esta bolha é diferente", dizem. Ainda iria adiante por uns dois anos e tenderia a se esvaziar aos poucos, à medida em que aparecessem os vencedores da corrida.

As perdas do superinvestimento seriam compensadas por ganhos de produtividade e pelo que ficar de infraestruturas úteis, das digitais às de energia.

Os paniquitos dos mercados financeiros dos Estados Unidos dariam limites às barbaridades mais destrutivas de Trump, vide os recuos no tarifaço de abril de 2025 ou na ofensiva da Groenlândia, se diz por aí.

No cenário risonho e sem tiro, pancada e bomba, sem estouro de bolha financeira, a economia mundial cresceria um tanto mais do que em 2025. Nuvens, há. Com Trump, a meteorologia fica mais biruta.

 

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