O Globo
A notícia não podia ser pior para o PT. Numa
simulação para o segundo turno, o Datafolha mostrou
que Lula (46%)
e Flávio
Bolsonaro (43%) estão tecnicamente empatados. A avaliação negativa do
governo chegou a 40%, e 49% desaprovam o trabalho de Lula. Quando se vai para a
rejeição, estão novamente empatados: Lula (46%) e Flávio (45%).
Lula já surfou com sucesso noutras pesquisas,
e faltam sete meses para a eleição. Flávio até agora jogou parado, à sombra do
pai preso.
Podem-se atribuir os números do Datafolha à polarização que envenena as eleições desde 2018. Os números do terceiro mandato de Lula revelam que há algo de injusto nesse empate com Flávio. A economia anda de lado, mas o Brasil saiu do Mapa da Fome, a renda dos trabalhadores melhorou, e o desemprego caiu a níveis inéditos.
Uma explicação pode estar no próprio Lula.
Três dias depois da divulgação do Datafolha, ele recebeu o presidente da África
do Sul e repetiu sua encíclica diplomática. Faz campanha no Itamaraty e tomou
gosto pela autolouvação (71% dos entrevistados pelo Datafolha condenaram o
desfile da escola de samba Acadêmicos
de Niterói). Ulysses Guimarães ensinava que o Itamaraty só dá votos no
Burundi.
O silêncio e o absenteísmo de Lulinha começam
a pesar mais para Lulão que o encarceramento de Jair
Bolsonaro para o desempenho de seu filho. Pode-se achar que há uma
desproporção nesse resultado, mas assim é a vida. O silêncio de Lulinha
tornou-se um peso morto para o pai.
A ascensão surpreendente de Flávio será mais
um estímulo para que a Faria Lima faça sua escolha. Lula recebeu Daniel Vorcaro
numa brecha de sua agenda. O banqueiro foi levado ao presidente pelo
ex-ministro Guido Mantega, seu consigliere.
O simples fato de Mantega estar no Planalto comboiando Vorcaro seria suficiente
para os assessores de Lula dizerem que os dois seriam recebidos se a audiência
tramitasse pelos devidos canais. Só a onipotência explica esse encontro. Lula
acautelou-se colocando testemunhas na conversa. Sabendo o que sabia do Banco Master,
teria feito melhor recusando-se a receber Vorcaro.
Onipotência, na política, é prima do salto
alto, e são vários os conhecedores de Brasília que se revelam surpresos com a
altura do salto petista. Lula tem sete meses para calçar as sandálias da
humildade.
Só o tempo explicará a decisão de Lula de
atirar o ministro Fernando
Haddad na frigideira de uma disputa com o governador Tarcísio
de Freitas. Enquanto o governo de Lula tem 40% de desaprovação, o de
Tarcísio tem 45% de aprovação.
Lula 3.0 cultiva uma agenda internacional que
coleciona o êxito da neutralização do estrago feito pelos bolsonaristas na Casa
Branca, envenenando a relação de Donald Trump com
o Brasil. A volatilidade do presidente americano recomenda que esse sucesso
seja sorvido com cautela.
Flávio não poderá ir longe jogando parado.
Sua primeira bola de ferro será a defesa de uma anistia para o pai, rejeitada
por 54% numa pesquisa de setembro de 2025.

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