Educação, saúde, malha viária, segurança pública, saneamento básico: os problemas se avolumam a cada dia e o descalabro administrativo parece ter se apoderado do Brasil.
O que se vê hoje sobre a cena nacional são os
escândalos tremendos de corrupção, os números alarmantes de violência
ultrapassando todos os limites do convívio civilizado e a persistência de
desigualdades que reduzem milhões de brasileiros à condição de párias modernos.
O Brasil - esta a minha sensação - parece
caminhar para o desmoronamento a cada dia que passa.
Mas, será que de fato estamos percebendo
isto?
O mundo da política parece ter se rendido à
mediocridade e à polarização, o país teimando em virar as costas a um projeto
de nação.
Como chegamos a esse ponto? O que houve
exatamente conosco? O que aconteceu para que os nossos ensaístas,
historiadores, críticos literários, compositores e arquitetos - para ficarmos
apenas com alguns setores outrora tão representativos da nossa produção
intelectual e artística - perdessem a sua dimensão pública, atuante?
Quando desaparece um Oscar Niemeyer, um Jorge
Amado, um Érico Veríssimo, um Ferreira Gullar, um Nelson Werneck Sodré, uma
Nise da Silveira, um Cândido Rondon, um Alceu Amoroso Lima, um Ariano Suassuna,
um Nelson Pereira dos Santos, uma Eliseth Cardoso, um Milton Santos quem
colocamos em seus lugares? Por onde passaram os seus herdeiros?
O mundo do trabalho em transformação, a
questão ambiental, as carências da nossa Democracia e os impasses da nossa
identidade cultural aí estão diante de nós. A sociedade civil precisa voltar a
se organizar, submetendo o Estado a ela, oferecendo saídas compatíveis com a
gravidade da situação.
Talvez estejamos todos momentaneamente sem
respostas. Mas temos que encontrá-las.
Mas uma certeza eu tenho: precisamos refundar
o Brasil, enquanto dá tempo. As próximas eleições presidenciais, que
representam um momento privilegiado da participação dos cidadãos, oferecem uma
grande oportunidade para debater os problemas do país. Vamos agarrá-la.
*Ivan Alves Filho, historiador

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