Folha de S. Paulo
Documentário vencedor do Oscar expõe
autoritarismo pós-moderno de Putin
Obra é resultado da ação de um homem comum que se recusou a viver na mentira
É uma grande alegria —e uma grande tristeza–
assistir a um documentário como "Mr.
Nobody Against Putin", de David Borenstein e Pavel Talankin. Mas quem
quiser compreender o autoritarismo pós-moderno terá de passar por ele.
Chamo-lhe autoritarismo pós-moderno por uma
razão simples: longe vão os tempos em que regimes totalitários exigiam controle
absoluto ou adesão total das populações. Essa ambição jaz hoje entre ruínas. O
poder aprendeu. Tornou-se mais econômico, mais ambíguo, mais sutil.
O controle é parcial, não total. A vigilância
é difusa, não ostensiva. A autocensura é mais importante do que a censura clássica.
O novo autoritarismo não precisa de entusiasmo totalitário, nem de terror permanente, muito menos de uma ideologia sistemática. Precisa apenas de um verniz de normalidade e de adaptação social.

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