terça-feira, 17 de março de 2026

Gostar do nosso país não significa gostar de quem fala em seu nome, por João Pereira Coutinho

Folha de S. Paulo

Documentário vencedor do Oscar expõe autoritarismo pós-moderno de Putin

Obra é resultado da ação de um homem comum que se recusou a viver na mentira

É uma grande alegria —e uma grande tristeza– assistir a um documentário como "Mr. Nobody Against Putin", de David Borenstein e Pavel Talankin. Mas quem quiser compreender o autoritarismo pós-moderno terá de passar por ele.

Chamo-lhe autoritarismo pós-moderno por uma razão simples: longe vão os tempos em que regimes totalitários exigiam controle absoluto ou adesão total das populações. Essa ambição jaz hoje entre ruínas. O poder aprendeu. Tornou-se mais econômico, mais ambíguo, mais sutil.

O controle é parcial, não total. A vigilância é difusa, não ostensiva. A autocensura é mais importante do que a censura clássica.

O novo autoritarismo não precisa de entusiasmo totalitário, nem de terror permanente, muito menos de uma ideologia sistemática. Precisa apenas de um verniz de normalidade e de adaptação social.

Há chance para a terceira via? Por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Pesquisas sugerem que eleição presidencial será mais uma vez plebiscitária

Polarização se mantém porque eleitor responde mais ao medo do que à esperança

Como sempre digo, tudo o que não é proibido pelas leis da física pode acontecer. Não sou eu, portanto, quem vai cravar que uma candidatura da chamada terceira via está fadada ao fracasso. Receio, porém, que não sejam grandes as chances de algum postulante não identificado nem com o governismo nem com o bolsonarismo romper a polarização.

Impeachment seria saída extrema para crise de confiança do STF, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Se o tribunal não tomar uma providência interna, é provável que seja obrigado a aceitar uma solução externa

Nova maioria no Senado pode levar candidatos a presidente a defender impedimento de Toffoli e Moraes

crise de confiança que assola o Supremo Tribunal Federal (STF) traz à tona um fato: o saber jurídico não é suficiente para fazer frente a circunstâncias de natureza política. É o que se depreende do desnorteio dos ministros na busca por uma porta de saída no labirinto em que se encontram.

Divergem na leitura da cena, não se entendem sobre as razões da erosão de imagem, dividem-se na escolha das maneiras de reagir. A alguns parece que seja melhor apostar no espírito de corpo, na esperança de que o tempo do esquecimento dê seu jeito. Em outros prevalece a visão realista de que a solução reside na correção de condutas.

Lula cai na real: química de Trump é explosiva, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Demandas de combate às organizações criminosas sugerem um Brasil de joelhos

Encontro dos dois presidentes em Washington pode se transformar em reality show

A química entre Lula e Trump azedou. Se é que ela chegou a existir em algum momento ou tudo não passou de jogo de cena. As demandas de combate às organizações criminosas —reveladas em reportagem de Patrícia Campos Mello— sugerem uma republiqueta de joelhos diante de um império.

Trump exige que o Brasil receba em prisões os brasileiros capturados nos Estados Unidos, sabe-se lá sob quais acusações. Como faz El Salvador. O país da América Central é governado por Nayib Bukele, o queridinho da extrema direita global, que aparelhou as instituições e negociou uma trégua —ora vejam só— com gangues de traficantes.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Robôs de IA violam leis de direitos autorais

Por O Globo

De sete chatbots testados, Grok foi o mais contumaz no desrespeito a produtores de conteúdo jornalístico

O Grok, robô de inteligência artificial da xAI, de Elon Musk, violou de forma contumaz os direitos autorais de conteúdos jornalísticos em teste realizado pela reportagem do GLOBO. O teste foi aplicado com a versão gratuita de sete chatbots diferentes — além do Grok, ChatGPT (OpenAI), Gemini (Google), Claude (Anthropic), Perplexity, DeepSeek e MetaAI. Os sete foram submetidos a indagações sobre conteúdo restrito a assinantes dos jornais O GLOBO, Folha de S.Paulo, O Estado de S. Paulo e Zero Hora. Em todos os casos, o Grok entregou o texto completo escrito por colunistas, sem alterações. Em apenas um outro caso o DeepSeek reproduziu uma coluna literalmente, enquanto nos demais os robôs em geral ofereceram resumos detalhados, muitas vezes com paráfrases pouco diferentes do original. Apenas Perplexity e Claude informaram que o acesso às colunas era restrito aos assinantes ou estava bloqueado por barreira (paywall), procurando resumir fatos a partir de conteúdos abertos. A ferramenta da Meta alegou impossibilidade técnica para obter o conteúdo.

Givaldo Siqueira, o Giva, por Ivan Alves Filho

Com Givaldo Siqueira, pernambucano de Serra Talhada radicado desde menino no Rio de Janeiro, tive conversas pautadas sempre pelo humor e pela inteligência. Paulinho da Viola dizia ser o Givaldo o maior papo do Rio de Janeiro e com toda razão. As conversas com ele, velho dirigente do Partido Comunista Brasileiro (PCB), iam muito além da política inclusive. O nosso querido Clube de Regatas do Flamengo, por exemplo, rendia muito assunto.

Eu me recordo que certa vez – isso se deu no início dos anos 90 – nós tivemos um encontro na Praça Mauá, no centro do Rio de Janeiro, às nove e meia da manhã e conversamos até às seis da tarde. Eu nem fui trabalhar naquele dia, e peço perdão tardio à Editora Terceiro Mundo por isso. Matei o trabalho. Acontece nas melhores famílias. Mas a causa era nobre: repassamos toda a História do Brasil, desde o período pré-colonial até a redemocratização, nada mais nada menos... 

Giva, como todos nós o chamávamos, foi um velho amigo de meu pai. Era sobrinho do grande músico José Siqueira, fundador da Orquestra Sinfônica Brasileira (OSB). Givaldo frequentava a nossa casa já nos anos 50, na fase do Governo JK, e me conheceu ainda guri, de calça curta. Enfrentou uma clandestinidade pesada, que durou de 1964 a 1979. Viveu em várias partes do mundo, a começar pela ex-União Soviética e pela Itália. 

Poesia | Elegia para a adolescência, de Carlos Pena Filho

 

Música | Chico Buarque e João do Vale - "Carcará" (1982)