quarta-feira, 11 de março de 2026

O difícil, mas não impossível, caminho do meio, por Dora Kramer

Folha de S. Paulo

Os três tenores de Kassab apostam na batalha das rejeições para romper a barreira dos favoritos

Ratinho, Leite e Caiado dividem os discursos em abordagens diferentes como se um completasse o outro

A percepção de fadiga moral no chamado sistema é sempre pior para quem está no governo, a representação do "tudo isso que está aí", a conjuntura vigente.

Daí se depreende que o derretimento da reputação nas e das instituições tende a cair na conta do presidente da República candidato à reeleição e talvez nos apoiados por ele nos estados.

O governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) precisa agradar aos radicais, o que prejudica a imagem de moderação a ser vendida ao eleitorado. Já Flávio Bolsonaro (PL) não tem necessidade de se mostrar confiável nesse campo, não perde tempo e fica livre para tecer sua pele de cordeiro.

No meio disso, os três postulantes no PSD de Gilberto Kassab —chamados em São Paulo de "os três tenores"— estão atentos à urgência de explorar questões concretas da vida das pessoas e traduzir suas propostas em linguagem do cotidiano nos vários setores da sociedade pouco interessados em saber quem é conservador ou progressista, fascista ou comunista.

Enquanto não é anunciado o escolhido para representar o partido na corrida presidencial, eles dividem os discursos como se um complementasse o outro. O paranaense Ratinho Júnior fala tanto aos clássicos "dona Maria e seu José" quanto ao empresariado, com foco nos aspectos econômicos de um projeto de país.

Ronaldo Caiado ressalta os feitos de sua bem avaliada gestão em Goiás, é o mais agressivo e, por isso, de um lado visto como melhor candidato ao embate. Por outro, pecaria por manter em cena a lógica do atrito em tese condenada pelo grupo.

Já o gaúcho Eduardo Leite tem uma elaboração mais sofisticada, próxima de sua origem tucana. Para ele, é possível conciliar visões de mundo da direita e da esquerda, aproveitando o melhor de cada lado. Sempre adotando a política como forma de abrir espaço para as melhorias administrativas.

É com essa composição que começam a navegar, na tentativa de transpor a barreira hoje aparentemente intransponível dos favoritos, também campeões na batalha das rejeições.

 

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