Neste dia de São Jorge, santo popular e cheio
de significados na cultura urbana carioca, a BVPS traz uma comemoração em torno
de um Jorge, grande guerreiro das ciências sociais brasileiras. Luiz Jorge
Werneck Vianna publicava há cinquenta anos atrás sua tese de doutorado
Liberalismo e sindicato no Brasil.
Marco de uma época em que a sociologia enfrentava desafios macros, com coragem
e audácia. Contemporâneo de A
revolução burguesa no Brasil, de Florestan Fernandes, cujo
cinquentenário comemoramos ano
passado, e da segunda edição de Os donos
do poder, de Raymundo Faoro, por exemplo.
A tese de Werneck tem uma história de escrita
que se confunde com a repressão e a resistência à Ditadura Militar brasileira.
E, só por isso, mereceria ser lembrada. Mas, ela é mais. Muito mais. O livro
forjou uma interpretação original da modernização conservadora brasileira,
inserindo um novo olhar e novos recursos intelectuais sobre o problema das
relações entre Estado, sindicatos e classe trabalhadora. Não seria exagero
nenhum dizer que, nesse sentido, a partir da periferia, Liberalismo e sindicato no Brasil permite
interpelar a teoria sociológica em um sentido mais amplo. O livro, além disso,
teve ampla recepção, causou controvérsias e disputou direção (moral e
intelectual, como, gramscianamente, ele gostava de dizer) nos meios acadêmicos
e dos movimentos sociais da transição democrática.
Meio século depois, permanece e se atualiza
como referência para pensarmos os impasses da formação social brasileira. Dois
dos mais queridos alunos de Werneck Vianna no antigo IUPERJ, Fernando Perllato e Diogo Tourino, ambos
professores da Universidade Federal de Juiz de Fora atualmente, fazem o elogio
do livro em nome de tantos de nós que tivemos o privilégio de conviver com
Werneck e que continuamos a aprender com Liberalismo e sindicato no Brasil.
Salve (Luiz) Jorge!
**********