terça-feira, 7 de abril de 2026

Onipresente invisível, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Alexandre de Moraes voou em avião de Daniel Vorcaro – sempre será de uma empresa de Vorcaro – e se encontrou com o banqueiro no dia seguinte, de acordo com o Estadão. Embarcou, sem a esposa, em táxi aéreo contratado pelo escritório Barci de Moraes (da esposa) para deslocamento de seus advogados.

Xandão, que não era advogado na banca, viajou em 7 de agosto de 2025, em jato da onipresente Prime Aviation, e esteve com Vorcaro no dia 8, em São Paulo, conforme interpretação da mensagem do banqueiro à namorada: “Tô com Alexandre e tenho reunião depois com Ciro”. (Ciro seria o Nogueira, senador.) Foram algumas as viagens xandônicas nas asas da Prime, conforme levantara Monica Bergamo na Folha.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Cidades sem receita própria distorcem federalismo

Por Folha de S. Paulo

Em 4 de cada 10 municípios, repasses federais e estaduais respondem por 90% ou mais dos orçamentos

Pior ainda, cidades passaram a receber montantes anômalos oriundos de emendas parlamentares destinados, no geral, a obras paroquiais

Em sistemas federalistas, é esperado que a maior parte da receita pública venha do governo nacional, que tem maior capacidade de tributar em todo o território do país. Também é normal que municípios recebam recursos federais e estaduais, pois arrecadam menos e têm de atender mais de perto aos cidadãos. No Brasil, entretanto, tais relações assumiram proporções disfuncionais.

Preços de combustíveis antecipam eleição inflamável, por André Borges

Folha de S. Paulo

Programas e áreas mais sensíveis do governo são ameaçados por impactos da guerra

Medidas têm efeitos limitados sobre gás de cozinha e combustíveis de aviação e caminhões

As bombas de combustível e os botijões de gás anteciparam as eleições no país. Entre vacinas de efeito econômico, o governo Lula recorre a medidas para se proteger dos estilhaços políticos causados pela guerra no Oriente Médio.

O que está em jogo é o controle da inflação em ano eleitoral e o impacto direto em programas populares. O que se passa no distante Estreito de Ormuz mexe com os botijões do gás de cozinha que sacodem nas carrocerias de caminhões país afora, levando o Gás do Povo.

Direita evangélica racha com apoio de bispo a Caiado, por Juliano Spyer*

Folha de S. Paulo

A cerimônia que lançou Ronaldo Caiado como pré-candidato do PSD à Presidência contou com um gesto politicamente relevante: o apoio público do bispo Samuel Ferreira. O episódio expõe a fragilidade do vínculo entre Flávio Bolsonaro e parte expressiva das lideranças evangélicas.

Ferreira comanda uma das principais estruturas do pentecostalismo brasileiro: a Convenção Nacional das Assembleias de Deus no Brasil Ministério de Madureira (Conamad). Uma rede, como o bispo anunciou, com 42 mil templos distribuídos pelo país e cerca de 102 mil pastores.

Não tem como dar certo, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Coluna lista sugestões que podem ajudar na crise de credibilidade do STF

Reduzir proximidade de ministros com políticos e empresários seria primeiro passo

Não sei como resolver a crise de credibilidade no STF. Mas, inspirando-me na experiência de outros países e instituições, listo algumas sugestões que, se adotadas, poderiam minorar o problema no futuro.

Uma primeira providência seria limitar as oportunidades de interação, sobretudo aquelas em clima festivo, entre ministros do STF e políticos e empresários que possam vir a julgar. É preciso evitar que esbarrões sociais se transformem em belas amizades. O magistrado ideal nem deveria conhecer seus jurisdicionados. Poderíamos nos inspirar no que já fizeram sul-africanos e bolivianos e transferir a sede do Judiciário para uma cidade diferente daquela que abriga os outros Poderes. Proponho Palmas (TO).

Banalizada, corrupção não predomina no debate eleitoral, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Farra das emendas e supersalários estão ausentes da discussão

Candidaturas de direita têm como prioridade indulto a Bolsonaro

Em 1989, os brasileiros puderam escolher pelo voto direto, após 29 anos, um novo presidente. Ganhou Fernando Collor, ligado à ditadura militar, favorito da mídia e da elite econômica, autodenominado "caçador de marajás", com discurso de combate à corrupção e aos privilégios do funcionalismo.

A eleição foi uma festa, com tudo o que as festas podem ter de exagero e ridículo. Na cédula eleitoral havia 22 nomes, entre os quais o de Marronzinho, que se identificava como "analfabeto inteligente". Terminou em 13º lugar, com 0,3% dos votos. Em 10º, ficou Ronaldo Caiado, com 0,7%.

As palavras e as armas, por Ivan Alves Filho

Homens de milho, de Miguel Angel Astúrias, é uma obra escrita com base em uma lenda do Popol Vuh, um estupendo livro da cultura maia. Seu autor, guatemalteco, aborda a cosmovisão indígena de sua terra. Outro grande livro seu seria O Senhor Presidente, publicado em 1946, que disseca o autoritarismo na América Latina. Esta obra começou a ser escrita vinte anos antes de ser lançada e inaugura o chamado realismo mágico, que tanto marcaria a Literatura mundial

Poesia | Ponto de Desintoxicação, de João Cabral de Melo Neto

 

Música | Paulinho da Viola - Pode guardar as panelas