terça-feira, 14 de abril de 2026

Aliado de Trump, Putin e Bolsonaro, Orbán perde as eleições na Hungria, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A experiência húngara indica que narrativas ideológicas globais têm alcance limitado quando confrontadas com a realidade econômica e social dos países

A derrota de Viktor Orbán na Hungria, após 16 anos no poder, sinaliza uma mudança de rumo na Europa e o esgotamento da capacidade de projeção política de lideranças associadas ao chamado “iliberalismo”. E impôs um revés político à estratégia de interferência internacional do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e do presidente russo, Vladimir Putin. Em um momento em que a eleição brasileira ganha contornos mais definidos, o episódio europeu mostra os limites do apoio externo na disputa pelo Palácio do Planalto.

A queda de Orbán representa a fadiga política acumulada ao longo de anos de concentração de poder, autoritarismo institucional e desgaste econômico. Sua associação explícita com lideranças estrangeiras controversas, como Trump e Putin, foi um forte fator de rejeição, sobretudo entre os eleitores mais jovens. Orbán é um ícone de movimentos Maga (Make America Great Again) nos EUA, por ter iniciado o combate à cultura woke, à imigração, às elites universitárias e à liberdade de imprensa, entre outras coisas.

Além da guerra, persiste o ‘fogo amigo’ dos juros, por Pedro Cafardo

Valor Econômico

De acordo com a CNI, antes da guerra no Irã, a taxa de juros de equilíbrio seria de 11%, 3,75 pontos percentuais abaixo da atual

Um mês atrás, esta coluna saiu com o título “Empresas vão ao ‘matadouro’ sem dar um pio”. Era uma forma de sugerir que os juros altíssimos no país estavam levando grandes e médias empresas, silenciosamente, a uma situação de endividamento insustentável.

Por coincidência, no mesmo dia e no seguinte, dois grupos gigantescos pediram recuperação extrajudicial, com dívidas de R$ 4,5 bilhões e R$ 65 bilhões. A estranheza do colunista era pelo fato de que praticamente não havia críticas de empresários do setor produtivo à política monetária do Banco Central, que mantinha a Selic em 15% ao ano, uma das causas mais importantes desses pedidos de renegociação de dívidas com credores.

Um empresário, Rafael Cervone, contestou essa afirmação, argumentando que tem lutado de forma sistemática contra a política dos juros altos. E ele tinha provas. Uma busca detalhada de suas manifestações em artigos e entrevistas confirma empenho frequente no combate ao “triste consenso” entre analistas de mercado e o Banco Central para manter juros exorbitantes há três décadas no país.

Lula e a maldição do incumbente, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

Se a campanha petista não entender a razão por que a isenção do IR não trouxe benefício eleitoral para a reeleição, não é a escala 5x2 que o fará

Confirmado o envio da escala 5 x 2 de trabalho para a Câmara dos Deputados, pelo governo, restará a dúvida se a proposta, uma vez aprovada, trará dividendos eleitorais ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, feito que a isenção do Imposto de Renda até R$ 5 mil não foi capaz.

Há indicadores mais preocupantes no Datafolha para Lula do que a ultrapassagem, na margem de erro, pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). O primeiro é a taxa de aprovação (soma da avaliação boa e ótima). Dos presidentes reeleitos, Dilma Rousseff foi aquela que disputou com a menor taxa: 39%. Neste quesito, Lula tem 29%.

O segundo é que Lula, desde 2002, não chegava ao início do semestre das eleições tão mal situado nas pesquisas. Naquele ano, ele estava bem atrás do ex-ministro José Serra, mas disputou como desafiante numa campanha marcada pelo desejo de mudança. Agora é o incumbente.

O bengalão, por Merval Pereira

O Globo

Na convicção de que são os salvadores da pátria, já existe nos bastidores do STF a ideia de aumentar de 75 para 80 anos a idade da aposentadoria compulsória.

Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) continuam se sentindo os sustentáculos da democracia brasileira, por causa disso consideram que criticar a instituição é trabalhar contra o regime. Houve época em que isso foi verdade, especialmente no governo Bolsonaro, que, constatou-se posteriormente, queria enfraquecer o Supremo para dar um golpe de Estado. Certamente por essa circunstância especial, em que a mais alta Corte do país lutava para neutralizar o golpe, algumas interpretações heterodoxas dos ministros foram incorporadas ao nosso sistema jurídico e aceitas pela sociedade.

O fator Trump na eleição brasileira, por Fernando Gabeira

O Globo

Uma adesão incondicional à política de Trump só pode ser classificada como cegueira ideológica

Nestes anos democráticos, política externa nunca foi um grande tema eleitoral. Mas agora isso mudará. Será preciso uma definição diante do governo Trump: como se relacionar com os Estados Unidos neste período tão conturbado?

Já tivemos a experiência de um tarifaço, que veio sem aviso prévio algum. De repente, acordamos com as maiores tarifas do mundo — nós, que tínhamos déficit no comércio entre os dois países.

Trump venceu dizendo America first. Venceu com uma grande sede de petróleo, que o levou a sequestrar Maduro e iniciar uma guerra contra o Irã.

É difícil projetar uma política diante de um homem que nega a importância dos outros, que despreza outros idiomas e que acorda, em certos dias, disposto a acabar com uma civilização que data de milênios antes de Cristo.

Prisão de Ramagem e o policial no ICE, por Míriam Leitão

O Globo

Prisão de Ramagem é fruto da cooperação internacional entre os países, com atuação de um brasileiro junto ao ICE na busca por foragidos

Um delegado brasileiro trabalha dentro do ICE à procura de foragidos da Justiça entre imigrantes ilegais. Foi assim que o serviço de imigração e alfândega dos EUA soube de Alexandre Ramagem e o Brasil foi informado de sua prisão ontem. Por isso, o caso está sendo entendido pelas autoridades brasileiras como de deportação, e não de extradição. O próximo passo é que o ex-diretor da Abin seja levado a um juiz, que pode soltá-lo mediante pagamento de fiança ou decidir pela deportação.

Tiros contra a IA, por Pedro Doria

O Globo

Estamos perdidos em guerras tribais enquanto o futuro se constrói

Foi uma semana atribulada no Vale do Silício. Começou com a Anthropic soltando para a concorrência, e não para o público, seu novo modelo de inteligência artificial. Terminou na madrugada de domingo, quando um jovem casal disparou tiros contra a casa do CEO da OpenAI, Sam Altman. Foi o segundo ataque à casa. Na sexta-feira, também de madrugada, um coquetel molotov havia sido atirado contra o muro da entrada.

A extrema direita não é eterna, por Eliane Cantanhêde

O Estado de S. Paulo

As lições, ou reflexões, que a derrota de Orbán na Hungria traz para o Brasil

A surpreendente derrota de um dos principais líderes da extrema direita, Viktor Orbán, da Hungria, traz ao menos quatro reflexões, ou lições, para um Brasil polarizado e em ano eleitoral. A Hungria é a Hungria, o Brasil é o Brasil, mas as guerras políticas assolam o mundo inteiro e os extremos avançam, ainda mais com internet e redes sociais.

Orbán “reinou” na Hungria por 16 longuíssimos anos e tornou-se um polo de atração e inspiração da extrema direita, aliando-se a Trump, de um lado, e Putin, de outro, inclusive para fóruns de caráter religioso que, por exemplo, animam Trump a atacar o papa Leão XIV como “fraco”. Por quê? Porque não é arrogante, autoritário e histriônico como ele próprio.

Gilmar quer reforço, por Carlos Andreazza

O Estado de S. Paulo

Jorge Messias vem aí. Vencidas, algumas codevasfs depois, as principais dificuldades forjadas por Davi Alcolumbre, os seus wevertons já afrouxam as cordas e apontam para aquela sabatina teatral padrão. Messias vem aí. E Gilmar Mendes o reivindica para si. Quer reforço à sua bancada no Supremo, também a bancada do governo na Corte constitucional – o terceiro parlamento, com todos os ônus eleitorais decorrentes da associação de Lula ao “companheiro” Alexandre de Moraes, a própria imagem de um tribunal percebido ao mesmo tempo como agente líder em operação abafa (contra as investigações do caso Master) e extensão proativa do Planalto.

As FFAA e a política no Brasil, por Rubens Barbosa*

O Estado de S. Paulo

A prisão de militares de alta patente marca um ponto de inflexão na história da política e no relacionamento entre civis e militares no País

A prisão de militares de alta patente, inclusive de um ex-presidente, ex-ministro da Defesa e comandantes das forças singulares, marca um ponto de inflexão na história da política e no relacionamento entre civis e militares no Brasil. Foram 27 militares que participaram de uma tentativa de golpe, de acordo com a acusação do Supremo Tribunal Federal (STF), todos tornados réus e condenados.

Como consequência das prisões, o Superior Tribunal Militar (STM) julgará se todos os oficiais e o presidente perderão seus postos e patentes por serem considerados indignos do oficialato ou com ele incompatíveis. O resultado é incerto e poderá tornar-se controvertido.

Um mineiro que retorna, Por Simon Schwartzman*

O Estado de S. Paulo

Obra deve ser lida como uma coleção de pistas sobre as ideias e contribuições de Lamounier para o debate político brasileiro ao longo de sua carreira

Seis gigantes que retornam e outros estudos, de Bolívar Lamounier (Edicon, 2025), não deve ser lido apenas como uma apresentação erudita de clássicos das ciências sociais, e sim como uma coleção de pistas sobre as ideias e contribuições do autor para o debate político brasileiro ao longo de sua carreira. A parte mais substancial é um belo ensaio sobre Minas Gerais no período colonial, que não aparece no título, mas revela não só as origens do autor como também sua interpretação sobre as características do Estado e do sistema político brasileiro, objetos de suas preocupações.

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Carga tributária evidencia erro da política fiscal de Lula

Por Folha de S. Paulo

Novo recorde de arrecadação fracassa em evitar escalada do déficit movida à expansão contínua dos gastos

A carga pode e deve ser mais bem distribuída, com maior peso na renda alta e menor tributação regressiva sobre o consumo

Ao bater mais um recorde em 2025, como recém-divulgado pelo Tesouro Nacional, a carga tributária do país evidencia o erro básico da política fiscal do terceiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

No ano passado, União, estados e municípios arrecadaram em impostos, taxas e contribuições R$ 4,127 trilhões, equivalentes a 32,4% do Produto Interno Bruto. Dito de outra maneira, o Estado brasileiro consumiu perto de um terço da renda da população.

Essas cifras seriam ainda maiores se considerassem, como fazem outros trabalhos, encargos como as contribuições para o FGTS e o Sistema S, que somam 1,95% do PIB. De todo modo, os números do Tesouro dão boa ideia de como evolui a carga.

A renda básica e a dignidade das mulheres, por Eduardo Suplicy

Folha de S. Paulo

Em um país onde a dependência financeira aprisiona tantas brasileiras à violência, modelo é instrumento de autonomia e segurança

Ouvi de beneficiários no Quênia que há mais paz entre os casais e maior participação das mulheres nas decisões do lar

Renda Básica de Cidadania é o meio mais eficiente para garantir dignidade às mulheres. Além de importante instrumento de combate à pobreza, assegura autonomia com liberdade financeira. Em um país marcado pelo aumento assustador do feminicídio, a discussão deixou de ser apenas social e passou a ser também uma questão de proteção à vida. A renda básica permitirá a milhares de mulheres saírem de situações de violência.

O roteirista está incontrolável, por André Borges

Folha de S. Paulo

No novo episódio que flerta com o surreal, ex-diretor da Abin é preso pelo serviço de imigração dos EUA

Novas peripécias de Daniel Vorcaro e sua turminha do barulho certamente vão agitar a sua sessão da tarde

Ninguém segura o roteirista. Está sem limites. No novo episódio que flerta com o surreal, o ex-diretor da Abin (Agência Brasileira de Inteligência) Alexandre Ramagem (PL-RJ) é detido pelo ICE, o serviço de imigração dos Estados Unidos. Considerado foragido da Justiça brasileira, o ex-deputado cassado cai na malha trumpista que deporta imigrantes ilegais.

Húngaros revertem erosão da democracia, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Apesar de passar por período difícil, democracias continuam vivas

Caso húngaro se soma ao da Polônia, da Eslovênia e do Brasil

Viktor Orbán foi destronado pelo voto. Os relatos sobre a morte da democracia liberal são exagerados. É fato que esse sistema de governo já viveu dias mais brilhantes, mas é pouco provável que a atual maré recessiva leve a democracia à condição de espécie ameaçada. Substituí-la não é tarefa trivial. Nenhum sistema oferece melhor balanço de direitos individuais, responsividade à opinião pública e estabilidade política.

Bagunça de modais elétricos corre solta nas metrópoles, por Alvaro Costa e Silva

Folha de S. Paulo

Não há regulação, fiscalização ou campanhas educativas

Depois de tragédia no Rio, quase nada mudou nas ruas

"Ciclovias, ruas e calçadas são espaços anárquicos, onde motos, bicicletas e autopropelidos —patinetes e motinhas elétricas de rodas pequenas, muitas das quais usadas por adolescentes e marmanjões descuidados— disputam centímetros com outros veículos e com pedestres de olhos arregalados de atenção e medo."

É um trecho de coluna publicada neste espaço no início de março. No fim daquele mês, a geógrafa Emanoelle de Farias e seu filho de 9 anos morreram atropelados numa bicicleta elétrica por um ônibus. O acidente ocorreu no Rio, mas grandes cidades brasileiras vivem no limite da tragédia.

Atenciosamente, Deus, por Cláudio Carraly*

Eu te ouvi.

Antes da palavra. Antes da intenção. Antes da forma que você tentou dar ao que sentia. Eu te ouvi no intervalo onde o pensamento ainda não se organizou e a dor ainda não encontrou nome.

É ali que você mais se aproxima de mim.

Você pede resposta.

Mas a dúvida é o único lugar onde pode realmente me encontrar.

Não porque eu me esconda, mas porque, fora dela, você já decidiu por mim. E um Deus decidido por você não é encontro. É projeção.

Você quer certeza.

Mas a certeza te encerraria.

Se eu me tornasse evidente, você não escolheria. Você obedeceria. E a obediência é pouco para alguém capaz até de me negar.

Você aprendeu a me chamar de único. Indivisível. Absoluto.

Mas você não é único.

E, na verdade… nem eu sou.

Poesia | O Tejo, de Fernando Pessoa

 

Música | João Bosco e Orquestra Ouro Preto - Rancho da Goiabada ( Aldir Blanc e João Bosco)