quinta-feira, 19 de março de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais / Opiniões

Copom tenta mitigar reflexos da guerra na inflação

Por O Globo

Diante de sinais ambíguos, autoridade monetária toma decisão menos conservadora do que seria possível

Ao cortar a taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual, para 14,75% ao ano, o Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) transmitiu ao mercado um sinal de cautela diante do cenário inflacionário incerto descortinado pela guerra no Oriente Médio. Diante dos sinais ambíguos dentro e fora do país, a autoridade monetária tomou uma decisão menos conservadora do que teria sido possível com a manutenção da taxa.

Governo enfrenta a serpente de 2018, por Maria Cristina Fernandes

Valor Econômico

“Quem move o país são os caminhoneiros”. A frase com a qual o ministro dos Transportes, Renan Filho, abriu o comunicado sobre as medidas adotadas para o cumprimento da tabela do frete rodoviário deu o tamanho da necessidade de o governo manter a ponte com os caminhoneiros, cuja ameaça de uma paralisação, como a de 2018, é a mais contudente da temporada de riscos que corre a reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Naquele ano, a paralisação de 11 dias atingiu de refinarias aos jogos do campeonato brasileiro. Houve suspensão de aulas em escolas e universidades e desabastecimento nos supermercados. O PIB perdeu mais de um ponto percentual, o Exército foi convocado para a desobstrução de estradas onde, do alto, se liam pedidos de intervenção militar. No ovo daquela serpente, estava em gestação o bolsonarismo.

Guerra expõe elo vulnerável do agro brasileiro, por Assis Moreira

Valor Econômico

Num mundo cada vez mais instável, a agricultura nacional depende em mais de 90% de fertilizantes importados

A guerra dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, e a retaliação iraniana na região, causam estragos também nos mercados globais de fertilizantes, elevando os preços e reduzindo a oferta em todo o setor agrícola mundial. Essa situação expõe um ponto crítico da agricultura brasileira.

Cerca de 25% a 30% das exportações mundiais de fertilizantes nitrogenados passam pelo estreito de Ormuz, que está bloqueado pelo Irã. O estreito liga efetivamente os mercados de fertilizantes da Ásia, América Latina e Europa à temperatura geopolítica do golfo Pérsico, como nota o Rabobank.

Os juros no meio das turbulências, por Míriam Leitão

O Globo

Banco Central reduziu a Selic, mas de olho na guerra, que é inflacionária. O Tesouro recompra papéis para tranquilizar o mercado

Banco Central tinha um cenário quando escreveu a ata da reunião de janeiro. Nos últimos dias, esse cenário mudou. Isso levou à decisão de corte da Selic, em apenas 0,25 ponto percentual. A turbulência internacional tem um canal de transmissão direta para a economia. As empresas já estão refazendo seus cálculos sobre os custos diante dos novos preços dos combustíveis, principalmente diesel. A guerra de Donald Trump bateu na economia de forma rápida. Diante deste ambiente, o Copom cortou os juros, porque afinal eles estão muito altos, mas a redução foi em nível menor do que faria caso nada tivesse acontecido. A nova conjuntura forçou também o Tesouro a mudar a sua atuação no mercado de títulos públicos.

Cada um na sua, por Merval Pereira

O Globo

O escândalo do banco Master é uma ação suprapartidária, que move políticos de todos os quilates e partidos, mais uma vez para tentar estancar a sangria

Daniel Vorcaro é o único que pode esclarecer a barafunda em que se transformou o caso do Banco Master, maior escândalo financeiro do país até hoje, na definição do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Vorcaro, depois de um primeiro momento em que imaginou poder fazer uma delação premiada seletiva, já mandou dizer que está disposto a uma delação completa, sem poupar ninguém. Esse é o momento crucial dessas delações, em que o prisioneiro cai em si e constata estar diante de uma decisão definitiva: ou todos, ou nenhum. Tudo indica que ele tem condições de provar quem estava metido em seu esquema fraudulento.

‘Festinhas’ de banqueiro são de interesse público, por Julia Duailibi

O Globo

Eventuais fotos e vídeos de políticos no celular de Vorcaro podem ser a única prova da relação promíscua entre ele e o poder

Entre os mitos da política, está que a vida privada de autoridades não é de interesse público. Um equívoco que, muitas vezes, serve apenas para acobertar conchavos, tráfico de informação e subornos praticados e recebidos pelos senhores do poder. Negociações pouco republicanas não ocorrem à luz do dia, mas em ‘festinhas’ privadas, jantares com belas mulheres, bate-papo em jatinhos e, reza a lenda, até em sauna dentro de banco na Faria Lima — no caso, o Banco Master. Envolvem, com certa frequência, casos extraconjugais patrocinados por uma camaradagem interessada em arrancar um naco do Estado. É nesses momentos que nascem as negociatas em torno de projetos de lei, licitações e troca de favores — e é justamente por isso que são de interesse público.

Vorcaro e os fantasmas da República, por Malu Gaspar

O Globo

O espanto causado pela extensão dos tentáculos e da ousadia de Daniel Vorcaro e sua desfaçatez com o dinheiro alheio fizeram muita gente repetir uma pergunta que vem à tona toda vez que um grande escândalo se abate sobre Brasília, mais profundo que o de antes. Não aprendemos nada com o caso anterior?

Quando o petrolão começou, a pergunta era feita olhando para o mensalão. Agora, ela se aplica ao legado da Lava-Jato. A pergunta é simples, mas a resposta é complexa como qualquer transformação histórica e não cabe num único artigo.

Quando uma nação se perde da Justiça, por Eugênio Bucci

O Estado de S. Paulo

Quando uma sociedade não sabe mais apontar a direção justa para os seus conflitos internos, sua vida política se perde da própria finalidade

Não é uma instituição, não é um poder, não é uma autoridade. Antes de assumir essas formas, além de muitas outras – uma sentença, um trânsito em julgado, um resultado eleitoral, a lista seria extensa –, a justiça é uma ideia compartilhada por pessoas que se reconhecem partes de uma identidade comum, uma história comum, um futuro comum. Mas dizer isso é dizer pouco, já me apresso em alertar. É necessário que a ideia compartilhada de justiça tenha vínculo direto com aquilo que, num único ser humano, é intuitivo: o sentimento de justiça. Em resumo, é necessário que a ideia compartilhada de justiça, que é uma elaboração cultural coletiva, represente e traduza, com as devidas mediações, o sentimento intuitivo de cada pessoa. Sem isso, nada feito.

(Sei que o parágrafo anterior soou abstrato em demasia. Por isso, peço licença para aprofundar o ponto. Vai ficar mais abstrato ainda, mas talvez fique mais límpido também.)

Fachin e o julgamento de Vorcaro, por Carolina Brígido

O Estado de S. Paulo

Os 50 minutos que separaram o início do julgamento sobre a prisão de Daniel Vorcaro do placar com maioria contra o banqueiro não foram casualidade. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), Edson Fachin, atuou nos bastidores para que o resultado da votação fosse sacramentado logo.

O julgamento começou na sexta-feira, 13, no plenário virtual da Segunda Turma, e só termina amanhã. Mesmo com uma semana de prazo para votar, três dos quatro ministros aptos a se manifestar no colegiado fizeram isso em menos de uma hora, garantindo a maioria pela manutenção da prisão do banqueiro. Dias Toffoli se declarou impedido para julgar o caso.

Os militares e o espetáculo, por William Waack

O Estado de S. Paulo

Lula anda mesmo preocupado com as consequências do escândalo Master. A ponto de querer saber dos comandantes das Forças Armadas “qual é a opinião na tropa” em relação ao STF. A pergunta foi feita num recente encontro de fim de semana em Brasília ao qual compareceram também o PGR, o ministro Cristiano Zanin e o diretor-geral da PF.

Mendonça prorroga inquérito do Master e Vorcaro negocia delação premiada, por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

A intensificação de vazamentos e a mobilização de atores ainda não formalmente investigados indicam uma tentativa de redução de danos que pode ter efeito contrário

A decisão do ministro André Mendonça de prorrogar por 60 dias o inquérito sobre o Banco Master consolida o protagonismo do Supremo Tribunal Federal (STF) na investigação, que extrapola o campo financeiro e alcança o coração do sistema político-institucional brasileiro. O caso já é um dos maiores escândalos recentes, tanto pelo volume estimado em mais de R$ 12 bilhões quanto pela complexidade das relações entre agentes públicos e privados.

Banco Master, oposição e governo, por Maria Hermínia Tavares

Folha de S. Paulo

É difícil sustentar que governo e oposição estejam igualmente envolvidos na falcatrua

A opinião pública crê que todos são responsáveis

"Assim é, se lhe parece", peça de Luigi Pirandello (1867-1936), foi encenada pela primeira vez em 1917. Nela, a misteriosa senhora Ponza, forçada pela população de uma pequena cidade a enfim revelar sua controversa identidade, declara ser " aquela que se crê que eu seja". Dessa forma, o dramaturgo italiano sustentava que não há uma verdade única e acessível, mas perspectivas diferentes e irreconciliáveis e que a tentativa de chegar a uma verdade absoluta sobre a realidade é sempre infrutífera.

Liquidante do Master precisa correr para impedir que dinheiro roubado vire pó, por Adriana Fernandes

Folha de S. Paulo

Mesmo com Vorcaro na cadeia, há suspeitas de que obras de arte e imóveis relacionados a ele estão sendo vendidos

A pergunta ainda não respondida é: onde foram parar os mais de R$ 60 bilhões desviados do Master?

As tentativas em curso de desvios bilionários do patrimônio do Master para fundos e bens de luxo de Daniel Vorcaro não têm recebido a atenção e a velocidade necessárias para impedir que o dinheiro roubado no esquema piramidal de fraudes do banco desapareça ou vire pó.

Enquanto as investigações avançam para mostrar o envolvimento de políticos e autoridades na teia de Vorcaro, não se vê a mesma agilidade para a recuperação dos bens dos envolvidos que estavam em nomes de laranjas e já teriam sido identificados nos cruzamentos de informações dos fundos usados no esquema.

Corte de juro do BC vira ninharia diante do arrocho da guerra de Trump, por Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Copom diminui Selic de 15% para 14,75%, mas problema agora está em outra parte

Guerra e petróleo, além de risco político, ameaçam ano que até começara mais animado

Banco Central baixou a Selic de 15% ao ano para 14,75% nesta quarta (18), como esperado. No texto em que comunicou a decisão, o BC não escreveu novidade notável. Todo mundo sabe da incerteza da guerra. O resto do diagnóstico é o lido em comunicados anteriores: expectativa de inflação alta, desaceleração lenta, mercado de trabalho quente, risco fiscal etc.

Corte de 0,25 já é nada. No meio do tumulto de guerra, menos do que nada. O problema está noutra parte, ora em Hormuz, amanhã na política. O arrocho financeiro aumenta, não importa o que faça o BC.

Um hino à vida, por Ricardo Marinho

Livro resenhado: PELICOT, Gisèle com PERRIGNON, Judith. Um hino à vida: A vergonha precisa mudar de lado. Tradução de Julia da Rosa Simões. Primeira Edição. São Paulo, Companhia das Letras: 2026. 239 págs.

Como já é tradição, as ruas do mundo em todo dia 8 de março reúnem um mar de cidadãs e cidadãos cujas vidas diversas se desenrolam em uníssono ao ritmo de uma marcha, suas vozes entoando slogans em comum. Entre elas, um rosto, infelizmente infame, se destacava nas ruas de Paris: o de Gisèle Pelicot. Depois que o acaso revelou, em 2022, que ela havia sofrido mais de 51 estupros durante uma década nas mãos de vários facínoras, orquestrados por seu marido, o rosto dessa septuagenária se tornou um ícone da luta das mulheres contra a violência.

Poesia | Se você me esquecer, de Pablo Neruda

 

Música | Beth Carvalho com Hamilton de Holanda - Água de chuva no mar