quarta-feira, 15 de abril de 2026

O que a mídia pensa | Editoriais /Opiniões

Modernizar portos é essencial para segurança

Por O Globo

Quadrilhas do narcotráfico se aproveitam de atraso para exportar droga e financiar atividades ilegais

Um país acossado por organizações criminosas transnacionais que dependem das rotas do tráfico para enviar drogas ao exterior deveria vigiar melhor seus portos. Lamentavelmente, não é o que acontece. Um relatório do Tribunal de Contas da União (TCU) publicado no mês passado ressalta que as autoridades enfrentam fragilidades tecnológicas, falhas de coordenação institucional e a falta de uma estratégia nacional integrada para combater o narcotráfico, como mostrou reportagem do GLOBO.

CPI e o ‘axioma de Alcolumbre’, por Vera Magalhães

O Globo

Senadores da CPI do Crime Organizado desperdiçaram uma chance de apontar o bloqueio erigido para abafar as investigações

A CPI do Crime Organizado não avançou uma casa decimal na elucidação dos mecanismos de atuação e expansão do crime organizado. Também não conseguiu aprovar seu relatório final. Mas logrou êxito numa empreitada cada vez mais rara nos dias de hoje: uniu o comando do Congresso, o governo Lula e o Supremo Tribunal Federal (STF) em torno do mesmo discurso. Uma façanha e tanto!

É o que acontece quando se decide lacrar, em vez de trabalhar. O relatório final apresentado pelo senador Alessandro Vieira e derrubado pelo colegiado era uma excrescência do começo ao fim. Explicitou o fracasso da comissão ao tentar aquilo que era sua finalidade — investigar as facções criminosas — e deixa claro que o objetivo oculto de seus condutores era, na verdade, chegar aos ministros do STF, algo que não tem sido possível por meio de uma CPI específica ou dos inúmeros pedidos de impeachment embarreirados pelo comando do Senado.

Um bolsonarista na rede do ICE, por Bernardo Mello Franco

O Globo

Em janeiro de 2025, pousou em Manaus o primeiro avião com brasileiros deportados pelo governo de Donald Trump. Os imigrantes viajaram algemados e acorrentados, mesmo sem histórico criminal.

Questionado sobre o assunto, Jair Bolsonaro disse que o republicano estava “fazendo a coisa certa”. “No lugar dele, eu faria o mesmo”, defendeu.

Quinze meses depois, um aliado do capitão caiu na rede do ICE. Alexandre Ramagem foi preso, fichado e recolhido a uma penitenciária em Orlando. Segundo as autoridades americanas, ele desembarcou com visto de turista e ignorou o limite de seis meses de permanência no país.

A fila do INSS assombra o Planalto, por Elio Gaspari

O Globo

Atropelado por pesquisas amargas, o governo demitiu o presidente do INSS e atribuiu a iniciativa à lentidão do instituto para reduzir o tamanho da fila de segurados que esperam pelo atendimento de seus pleitos.

Contem outra, doutores. Em 2023, quando Lula chegou ao Planalto, a fila era de 1,2 milhão de pessoas, e o presidente chamou-a de “vergonhosa”. Em março passado, ela tinha 2,8 milhões de vítimas.

As pesquisas estão amargas porque o governo não tem uma marca e, para piorar, é ruim de gestão. No caso da fila do INSS, esse defeito da máquina atinge sobretudo o andar de baixo. Estimando que cada segurado irradie seu descontentamento a outras três pessoas, a inépcia atingiu mais de 8 milhões. Durante todo o Lula 3.0 não houve um só dia em que ficou abaixo da “vergonhosa” marca deixada por Bolsonaro. Tudo que o governo ofereceu foram promessas descumpridas.

Ideia perigosa, por Cristovam Buarque*

Correio Braziliense

Ao mobilizar o potencial intelectual de seus 200 milhões de habitantes, um sistema nacional público único de educação básica faria do Brasil uma das cinco maiores economias globais

O Brasil não gosta de ideias que ameacem seu status quo social, especialmente a divisão da população entre um "andar de cima", formado pela elite rica, e um "andar de baixo", composto pelo povão. A única ideia ousada foi a abolição da escravatura sem indenização aos proprietários. Depois de 350 anos, cerca de 800 mil escravizados foram soltos, mas temia-se que a agricultura não funcionaria sem o trabalho escravo e que a elite perderia seus serviçais negros.

Riqueza & luxo, por Roberto DaMatta

O Estado de S. Paulo

São ideais de vida neste nosso mundo de desencantamento lunar e de bilionários que vivem a vida como um negócio. A variante brasileira, que amarra a burocracia do capital financeiro à esperteza malandra dos favores pessoais e do populismo salvacionista, subtrai o que os inventores do capitalismo chamam de “work” – ação, invenção e movimento – base desse modo de enriquecer.

Isso explica por que, no Brasil, o luxo vence a riqueza, pois, entre nós, trabalhar ainda é castigo. Significados rotineiros numa sociedade de base histórico-cultural, escravagista.

Nela, aspira-se ao luxo e à riqueza com pouco ou sem trabalho. Dizem que ficamos ricos trabalhando, mas ficamos podres de rico com a ajuda de amigos do peito com quem trocamos favores. É isso que o noticiário estampa, e nós fingimos surpresa e indignação...

Lula está em busca da ‘bala de prata’, por Vera Rosa

O Estado de S. Paulo

Bet virou o botequim dos novos tempos e governo quer restringir apostas ao renegociar dívidas

O governo Lula quer aproveitar a proximidade do 1.º de Maio, Dia do Trabalho, para anunciar o programa de renegociação das dívidas no cartão de crédito, empréstimo consignado e cheque especial. Na avaliação do Palácio do Planalto, é o endividamento das famílias que tem derrubado a popularidade do presidente Lula, cenário que põe em risco a sua reeleição.

Astronautas são enorme desperdício, por Hélio Schwartsman

Folha de S. Paulo

Missões espaciais tripuladas são até 200 vezes mais caras do que as robóticas

Se a meta é produzir conhecimento científico, prioridade deveriam ser sondas e telescópios

Foi bonita a festa. A Artemis 2 completou com sucesso sua missão de circunavegação da Lua e trouxe de volta consigo, além dos quatro astronautas intactos, vários feitos interessantes. Eles incluem fotos maravilhosas do satélite, novos conhecimentos científicos e o carimbo de "funciona" para tecnologias aeroespaciais recém-desenvolvidas. Avançando para o território dos intangíveis, a missão produziu novos heróis siderais, inspirou uma legião de crianças a interessar-se por ciência e serviu até para suavizar um pouco a imagem global dos EUA, tão castigada pelas trumpices.

Com derrota de Orbán, Trump se consolida como pé-frio em eleições, por Patrícia Campos Mello

Folha de S. Paulo

Candidatos alinhados ao americano perderam no Canadá, Austrália, Romênia e Hungria desde janeiro de 2025

Contraponto é América Latina, com vitórias de aliados do trumpismo em Argentina, Chile, Honduras e Bolívia

Com a derrota do primeiro-ministro Viktor Orbán na Hungria neste domingo (12), consolida-se o histórico do americano Donald Trump de pé-frio em pleitos mundiais.

Candidatos e partidos alinhados a Trump perderam eleições no Canadá, na Austrália, na Romênia e na Hungria desde que o republicano assumiu, em janeiro de 2025. O único candidato apoiado por Trump que venceu foi o atual presidente da Polônia, Karol Nawrocki, em agosto do ano passado.

O contraponto foi a América Latina, onde políticos e legendas mais alinhados ao trumpismo venceram na Argentina, no Chile, em Honduras e na Bolívia.

PeruColômbia e Brasil serão os próximos testes da Doutrina Donroe na região. As eleições do Peru, também realizadas no domingo, devem avançar para um segundo turno em 7 de junho. A apuração de votos ainda está em curso, e a conservadora Keiko Fujimori lidera com margem apertada. O pleito da Colômbia, em que concorre um candidato de esquerda apoiado por Gustavo Petro, realiza-se em 31 de maio, e o do Brasil, em outubro.

Como reconstruir a democracia após Orbán, por Rui Tavares

Folha de S. Paulo

Derrota expõe paradoxo de sistema moldado para perpetuar maiorias que acabou viabilizando a alternância

Nova liderança terá de navegar instituições capturadas enquanto tenta reverter reformas que distorceram o sistema

Na manhã de uma segunda-feira de setembro de 2012, entrei no edifício da Assembleia Nacional húngara com os colegas do Parlamento Europeu —de que eu era então relator para o Estado de Direito na Hungria— para uma série de reuniões com os grupos parlamentares.

Com as então recentes alterações à lei da mídia e à composição do poder judicial introduzidas desde o regresso de Viktor Orbán ao poder em 2010, e com uma nova Constituição redigida apenas pelos deputados do Fidesz, o partido do primeiro-ministro, pensávamos ter assunto que chegasse.

Dívidas e a conta de Lula no vermelho, Vinicius Torres Freire

Folha de S. Paulo

Conta da avaliação do governo presidente está no vermelho desde o início de 2025

Propaganda governista acha que é conveniente atribuir desprestígio a juros altos

De repente, passou a parecer que o principal motivo da baixa extra de popularidade do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é o "endividamento" das famílias, palavra que vai entre aspas porque diz algo confuso ou nada, tal como tem sido empregada. A opinião pública convencional comprou a versão oficial.

Quem sabe parte do desprestígio extra de Lula se deva mesmo a dificuldades das pessoas com dívidas. A situação financeira de parte das famílias piorou e há indícios de insatisfação em certos levantamentos de opinião, mas não dá para cravar, por falta de pesquisa grande o suficiente.

Terrabras, uma ideia fora do lugar, por Lu Aiko Otta

Valor Econômico

Secretário destaca crescimento econômico a ser proporcionado pela reforma e seu impacto sobre a arrecadação

Muito antes da chegada dos aplicativos de inteligência artificial que servem para eliminar o ex das fotos, o regime soviético fazia o mesmo, de forma analógica, com integrantes da cúpula política que caíam em desgraça. Essa foi a sorte, dentro do governo, da proposta de criação da Terrabras, estatal dedicada à exploração das terras raras e minerais críticos. Surgiu nos bastidores e logo desapareceu.

Segundo contaram à repórter Sofia Aguiar, deste jornal, a ideia foi deixada de lado pelo Planalto para não trazer desgaste neste período eleitoral.

Minas Gerais, o enigma da pré-campanha eleitoral, Por Fernando Exman

Valor Econômico

Mais uma vez, os políticos mineiros fazem jus à fama de esconderem o jogo com habilidade e discrição

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais é o enigma da eleição presidencial de 2026. Os principais pré-candidatos ao Planalto ainda não dispõem de palanques no Estado. Mais uma vez, os políticos mineiros fazem jus à fama de esconderem o jogo com habilidade e discrição, mesclando instinto de autopreservação com tática para enganar adversários.

Hoje, as belas paisagens de Minas não garantem sossego a ninguém. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) conseguiu convencer o senador Rodrigo Pacheco a filiar-se ao PSB, mas ainda não o viu lançar-se de fato na disputa ao governo estadual. O bolsonarismo está rachado, diante da possibilidade de o senador Cleitinho (Republicanos) ser candidato. E Ronaldo Caiado (PSD) vê seu partido com a máquina estadual nas mãos, mas não tem ainda garantia de que o governador Mateus Simões será seu cabo eleitoral.

Lula tem 39,2% das intenções de voto e Flávio registra 30,2% no 1º turno, diz pesquisa CNT/MDA

Por Reuters —  Valor Econômico

Presidente também fica à frente do senador em um eventual segundo turno

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) está à frente do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) na eleição presidencial deste ano, mostrou pesquisa CNT/MDA divulgada nesta terça-feira (14).

De acordo com o levantamento do instituto MDA contratado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT), Lula aparece com 39,2% das intenções de voto no primeiro turno, contra 30,2% de Flávio. Ronaldo Caiado (PSD) tem 4,6%, Romeu Zema (Novo) soma 3,3%, Renan Santos (Missão) fica com 1,8% e Aldo Rebelo (DC) tem 1,5%.

Já em um potencial segundo turno, Lula soma 44,9% contra 40,2% de Flávio.

A pesquisa CNT/MDA vem após levantamentos recentes de outros institutos mostrarem Lula e Flávio empatados tecnicamente em um eventual segundo turno, com alguns deles colocando o filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro numericamente à frente do petista.

No sábado, pesquisa Datafolha mostrou o senador numericamente à frente de Lula, com 46% das intenções de voto contra 45% do petista. Está prevista para a manhã de quarta-feira a divulgação de uma pesquisa da Quaest, contratada pela corretora Genial Investimentos, sobre a disputa presidencial deste ano.

Rejeição

O levantamento CNT/MDA, que pela primeira vez incluiu o nome de Flávio Bolsonaro nas simulações, apontou ainda que 47,4% declaram que não votariam em Lula, ao passo que 52,6% afirmam que não votariam no filho mais velho de Bolsonaro.

A pesquisa mostrou ainda que a avaliação negativa do governo Lula é de 37%, ante 36% na pesquisa anterior em novembro, enquanto 32% enxergam o governo de forma positiva, ante 34% na pesquisa anterior, e 29% avaliam como regular, mesmo patamar de novembro.

Ao mesmo tempo, 50% têm uma avaliação negativa do desempenho pessoal de Lula, ante 49% em novembro, enquanto 45% o avaliam de forma positiva, ante 48% na pesquisa anterior.

O MDA ouviu 2.002 pessoas entre os dias 8 e 12 de abril. A margem de erro da pesquisa é de 2,2 pontos percentuais. O levantamento está registrado no TSE sob o número BR-02847/2026.

Relatório de Vieira foi derrotado, mas escalou as tensões com o Supremo Por Luiz Carlos Azedo

Correio Braziliense

O susto passou, mas o desgaste é grande. O relator apontou supostas relações financeiras entre integrantes da Corte e o banqueiro Daniel Vorcaro

A CPI do Crime Organizado rejeitou o relatório apresentado pelo senador Alessandro Vieira (MDB-SE), por 6 votos contrários e 4 favoráveis, encerrando os trabalhos do colegiado sem a aprovação de um documento final. O relatório propunha o indiciamento, por crimes de responsabilidade, dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes, Dias Toffoli e Gilmar Mendes, além do procurador-geral da República, Paulo Gonet.

Com a entrada em campo do Palácio do Planalto e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União-AP), houve mudanças na composição da CPI, com a entrada de parlamentares alinhados ao governo nas vagas de titulares. Três dos 11 membros titulares foram trocados. Os senadores Sergio Moro (PL-PR) e Marcos do Val (Avante-ES) foram substituídos por Beto Faro (PT-PA) e Teresa Leitão (PT-PE). Além disso, a senadora Soraya Thronicke (PSB-MS), que era suplente, foi designada membro titular.

CNT/MDA: Lula mantém liderança no 2º turno contra todos adversários

Por Amanda S. Feitoza / Correio Braziliense

Levantamento mostra disputa mais equilibrada contra Flávio Bolsonaro e margem mais ampla diante de outros adversários

Em um eventual segundo turno entre Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro, o atual presidente aparece à frente, com 44,9% das intenções de voto, contra 40,2% do adversário, segundo pesquisa CNT de Opinião, divulgada nesta terça-feira (14/4). 

Apesar da vantagem, o levantamento aponta uma oscilação negativa de Lula, que perdeu quatro pontos percentuais em relação à pesquisa anterior, realizada em novembro de 2025.

Nos demais cenários testados, Lula mantém a liderança com maior folga. Contra Romeu Zema, o presidente registra 45,2%, enquanto o adversário soma 31,6%. Já diante de Ronaldo Caiado, Lula aparece com 44,4%, contra 32,7% do governador.

Pela primeira vez, o levantamento também simulou disputas de segundo turno com Aldo Rebelo e Renan Santos. Nos dois cenários, Lula volta a liderar: alcança 45,4% contra 29,1% de Rebelo e 45% diante de 28,3% de Renan Santos, consolidando vantagem sobre diferentes perfis de adversários.

Realizado em parceria com o Instituto MDA Pesquisa, o levantamento ouviu 2.002 pessoas em 26 estados e no Distrito Federal entre 8 e 12 de abril. A sondagem também reúne informações sobre avaliação de governos, expectativas para emprego e renda, impacto das apostas on-line no endividamento, além da percepção sobre golpes virtuais, confiança nas instituições e os efeitos da guerra no Irã nos preços de combustíveis e alimentos no Brasil. A margem de erro de 2,2 pontos percentuais, com um índice de confiança de 95% — isso significa que o mesmo resultado será obtido em 95 a cada 100 pesquisas realizadas, com a mesma metodologia, dentro da margem de erro.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral com o número BR-02847/2026.

Presidente Lula concede entrevista para o Brasil 247, Revista Fórum e DCM

 

Poesia | Ascenso Ferreira - Misticismo

 

Música | Leila Pinheiro - Sinhá (João Bosco e Chico Buarque de Holanda)